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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Obama confirma "investimento" no Afeganistão

Barack Obama, the US president, has approved the deployment of an extra 17,000 troops for Afghanistan, the White House has confirmed.

Mais tropas norte-americanas para o Afeganistão significa que, mais dia menos dia, virá um pedido de ajuda de Washington para que a Europa também assuma a sua quota de responsabilidade. Aí se verá o encanto europeu para com esta nova Administração.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O velho amorfismo europeu

Qualquer tentativa do novo Presidente ameriacano, Barack Obama, de obter mais tropas dos Estados-membros da União Europeia (UE) para combater no Afeganistão terá a oposição das populações europeias, segundo uma sondagem publicada hoje no diário britânico “Financial Times”.

Os mesmos que na Europa se rendem a Obama, são os mesmos que se negam a empenhar na defesa do mundo.
Uma vez mais, a Europa à espera que os Estados Unidos assumam as suas e, ao mesmo tempo, as nossas responsabilidades.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

A argumentação contraditória de Lavrov

Rússia afirmou nesta sexta-feira que os testes com mísseis realizados pelo Irã mostram que não há justificativa militar para os planos dos Estados Unidos de colocar escudos antimísseis na Europa. Segundo o governo russo, os testes mostraram que Moscou tinha razão em qualificar o plano como "desnecessário".
"Os testes realizados pelo Irã só confirmam que o país conta atualmente com mísseis de 2.000 km de alcance", afirmou o ministro de Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov


A argumentação de Lavrov é de todo contraditória. Se há algo que reforça a importância de ter as bases norte-americanas anti-míssil na Europa são estes exercícios militares do regime de Teerão.
Como o governante russo sabe muito bem, o Irão está a desenvolver armamento no sentido de ter a capacidade de possuir misseís com alcance de 3 mil e 4 mil km. Algo como ter a Europa toda, à excepção da Península Ibérica, na mira de Teerão.

terça-feira, 17 de junho de 2008

O socialismo europeu está em crise

Já não bastava contar com uma maioria de Governos de direita na Europa, para o socialismo europeu estar em baixo, agora, até onde a esquerda governa, as críticas e a crise está instalada, o que só reforça a direita.
Se nestes dias a Áustria é foco de atenção pelo Campeonato da Europa de futebol, a vida política da pátria de Mozart está a ferro e fogo, em especial na principal formação partidária do Governo de coligação social-democrata/conservadores.
O Chanceler Alfred Gusenbauer, do SPÖ, está a ser alvo de criticas e as recentes declarações de uma figura proeminente do partido, como as do ex-Presidente da Câmara de Viena, Helmut Zilk, vieram agravar a situação.
Zilk defende que Gusenbauer deve deixar a governação do país, dada a sua falta de capacidade para liderar. E os termos empregues não são os mais agradáveis, com a denominação que os governantes parecerem "galinhas tontas".
Ora, esta crítica ganhou maior protagonismo devido à pesada derrota do SPÖ no Tirol, há poucos dias, onde perdeu 10% de votos e foi ultrapassado por uma nova formação política, que teve quase 20% e o SPÖ pouco mais obteve do que 15%.
E, os entendimentos de Gusenbauer com outros governantes do SPÖ também já contaram com melhores dias.
Assim, bem pode a Áustria vir a contar com eleições antecipadas, dado o Governo de coligação social-democrata/conservadores, que tomou posse no início do ano de 2007, poder desmoronar-se por problemas internos dos sociais-democratas.
A direita europeia agradece mais uma entrega de poder de bandeja, em grande parte devido à incúria da esquerda.
No quadro do socialismo europeu, salvam-se os dois ibéricos, pois de resto, vendo o panorama existente, no qual a direita predomina, a anemia do socialismo é dominante.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Último encontro em clima de guerra-fria

Bush y Putin intentarán resolver el conflicto del escudo antimisiles la semana próxima en Rusia

No derradeiro encontro, entre Putin e Bush, na qualidade de Chefes de Estado, debate-se um dos temas mais quentes da actualidade e, ou muito me engano, não creio que o encontro da próxima semana traga novidades, isto é, EUA e Rússia ficarão na sua e não chegarão a algum entendimento.
Não vejo os norte-americanos a abdicar do projecto militar de defesa na República Checa e na Polónia, muito menos os russos a concordar com a instalação dos escudos junto da sua fronteira ocidental.

quinta-feira, 20 de março de 2008

O entendimento inevitável e necessário

Bush considera que decisão de invadir o Iraque "foi justa"

No mesmo dia em que o Presidente dos EUA refere a 'justiça' da invasão do Iraque, apesar de omitir a mentira que criou das armas de destruição maciça e a inexistência de ligações de Saddam Hussein à Al-Qaeda que fabulou na época, há um interessante post do Pedro Correia, no Corta-Fitas, referindo o bom decálogo do bom esquerdista contemporâneo, a propósito da forma como do nosso lado se percepciona os EUA.
À excepção do sétimo ponto (vale a pena recordar a máxima de Alan, sobre o ser de esquerda ou não), e se recuarmos cinco anos, podemos lembrar-nos de como o anti-americanismo era predominante na Europa em 2003 e muitos dos pontos descritos pelo Pedro assentavam, que nem uma luva, a muita boa gente, tanto de esquerda como de direita, que à época verberavam contra os Estados Unidos.
Agora que a era Bush Jr. chega ao fim, resta saber como percepcionará a Europa os Estados Unidos a partir de 2009. Independentemente de ser Hillary, McCain ou Obama, nada mudará para algumas pessoas de esquerda, que verão sempre do outro lado do Atlântico o imperialista inimigo (e não me refiro só aos comunistas, ressabiados com a queda do Muro e o desmoronamento do seu modelo autocrático e injusto de sociedade). Na direita, também vários sectores, se bem que com menos protagonismo nestes tempos, não encaram muito bem o aliado norte-americano. E, neste caso, faço minhas as palavras do André, no comentário do texto do Pedro, o anti-americanismo na esquerda, como na direita acrescento eu, "está infelizmente longe - muito longe - de ser residual".
Hoje, em muitos sectores da esquerda europeia, há uma esperança desmesurada em Obama. Como se o homem fosse um salvador e um justiceiro. Nem é uma coisa nem outra. Tem boa oratória, mas tem propostas que em nada ficam atrás das desastrosas e nocivas aventuras de Bush Jr.
No fundo, Obama está hoje para muita da esquerda europeia como há um ano Sarkozy esteve para a direita europeia. Uma esperança... O tempo acaba por comprovar o que tanta inovação e mudança esperada trouxe: frustração.
Os tempos não estão para brincadeiras nem para cair em contos de fadas. Porém, a ilusão também faz parte da política. Não se pode negar.
Para já, e retomando o fio inicial da conversa, destaco, como refiro no texto abaixo, a postura do candidato McCain, em termos de disponibilidade de entendimentos e acções conjuntas dos EUA e da UE.
Dada a situação do mundo, actualmente, é algo que faz muita falta, tanto ao lado de lá, como ao de cá. Só não vê, nem percebe, quem não quer.

quarta-feira, 19 de março de 2008

A "Liga das Democracias" de McCain

le mot essentiel, c'est "ensemble". Nous devons rénover et revitaliser notre solidarité démocratique. Nous devons renforcer notre alliance transatlantique pour en faire le noyau d'un nouveau pacte global - la ligue des démocraties - qui soit en mesure de mettre en oeuvre la grande puissance des plus de cent pays démocratiques du monde afin de faire progresser nos valeurs et de défendre nos intérêts communs.
Confiance et respect mutuel doivent être au coeur de ce nouveau pacte.


Uma proposta interessante de McCain, apresentada no Le Monde de hoje.
Há, pela parte de um candidato presidencial norte-americano, a vontade de estabelecer um novo pacto atlântico, baseado no respeito e compromissos mútuos.
E, não deixa de ser merecedor de destaque, a importância dada à questão energética e ambiental, crucial para as duas sociedades do Atlântico norte e para o mundo.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

O confronto das duas Europas

It was all part of the governing Communist formula: "Weak Serbia = strong Yugoslavia"

Caro Pedro,
A fórmula de Tito continua actual, com uma ligeira diferença, já não há Jugoslávia.
Tito tudo fez para controlar os sérbios e conseguiu. Agora, o Ocidente continua a cercear a condição sérvia. Porquê? Pela ligação de "sangue" que os sérvios têm com a outra Europa, a eslava da Rússia, que nunca se integrou na Europa ocidental e central.
No fundo, continua a jogar-se nos Balcãs o confronto entre as duas Europas e os sérvios estão no meio.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

À beira de se abrir a caixa de Pandora

Primeiro-ministro kosovar confirma proclamação da independência para amanhã

Na quinta, anunciava-se a independência kosovar amanhã, domingo. Ontem, sexta, havia hesitações. Provavelmente, as chancelarias europeias devem ter tido, nas últimas horas, muito trabalho, no sentido de garantirem o apoio e estarem preparadas para dizer sim e dar as boas-vindas ao novo país balcânico.
Em Belgrado e Moscovo, sobretudo na capital sérvia, o sono deve ter sido escasso, pois a declaração de independência do seu berço histórico pressente-se mais perto do que jamais se sentira.
Resta, então, acompanhar com atenção as próximas horas, que podem inscrever um novo capítulo na Europa, o surgimento do mais artificial de todos os Estados europeus.
Na história do secular conflito balcânico, a grande novidade é o surgimento dos albaneses, que até agora não tinham estado, em mais de dois mil anos, nos entendimentos e, principalmente, desavenças dos eslavos dos Balcãs, que emergiram desde a repartição do Império Romano em 395 d.C. (os ocidentais: croatas e, bastante afastados da contenda, os eslovenos, e os orientais: os sérvios; sem esquecer que ficaram no meio: os bósnios, parte dos quais, mais tarde, no século XIV receberam e passaram a ter um nova identidade, com a conquista por parte do Império Otomano).
O precedente kosovar, se existir, como tudo indica, vai acicatar, ainda mais, as brechas da Europa, que há séculos padece de uma grave enfermidade denominada nacionalismo.
Está à beira de nascer o mais pobre e problemático país europeu.
Pobre Europa, esta, que não quer aprender com os erros do passado, nem respeitar as identidades de cada um.