sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O lapso de Lukashenko

O que a oposição fez, ao longo de mais de 20 anos, foi travar uma batalha para nos colocar longe do centro da Europa.

O Presidente bielorrusso teve um lapso na entrevista cedida à Euronews. Em vez de referir que a oposição tudo tem feito para que haja maior aproximação da Bielorrússia à UE, pois isso também significa mais Liberdade, disse o contrário. Mas este é um lapso interessante. Então, com quase duas décadas de poder, num Estado autocrático, é a oposição, sem voz nem meios na sociedade, que impede o poder de fazer o que quer? Lukashenko podia ser um pouco mais coerente com o que diz.

Do formal e do moral - entradas proibidas

Ontem, o deputado holandês Geert Wilders, que há uns tempos realizou um filme xenófobo, no qual procura insinuar que professar o islão é comungar terrorismo, foi impedido de entrar, pelas autoridades britânicas, em solo de Sua Majestade, uma vez que iria estimular o ódio no Reino Unido, justificou o Governo de Londres. Nestes dias, o antigo líder do sindicato polaco Solidariedade, Lech Walesa, não recebeu permissão para entrar na Venezuela, onde iria contactar com elementos da oposição do regime de Chávez.
Moral da estória: em termos formais, não há qualquer discrepância entre os dois actos, em termos morais, uma significativa diferença. Enquanto um foi, e bem, impedido de provocar, outro foi, e mal, proibido de dialogar.

(Publicado no Câmara de Comuns)

Um processo democrático invertido

Buteflika se eterniza en Argelia
El presidente se presenta sin rivales de peso a un tercer mandato consecutivo


No país mais democrático do norte de África, a Argélia, o actual Presidente adopta o mesmo estilo dos seus vizinhos, nomeadamente o tunisino e o egípcio. Com a substancial diferença de no caso destas duas repúblicas a democracia ainda está por consolidar (Egipto) e alcançar (Tunísia). A Argélia, que podia amadurecer o sistema democrático, inverte a lógica e afunila.
Bouteflika ganhará, pela terceira vez, a eleição presidencial de Abril, sem grandes dificuldades.
Dado o seu débil estado de saúde e os desafios internos e externos que este gigante do Magreb conta, uma renovação política, que não um regresso ao radicalismo religioso, seria desejável.
O actual Chefe de Estado tem um papel determinante e inquestionável na História do país, com a contribuição decisiva para o fim da guerra sangrenta que se abateu sob o país, no seguimento da democratização empreendida em 1992. Mas tais méritos não são condição para perpetuar-se no poder.

Mais um referendo a Chávez

La oposición hizo un llamado este jueves a todos los electores a sufragar en las urnas el próximo domingo confiados en el secreto del voto.

Nem dois anos passados e novo referendo, no domingo, para perpetuar, ou não, o mandato do pseudo-biblista-bolivarista. Segundo as sondagens, o "não" e o "sim" estão a par e o vencedor deverá ganhar com pouca margem. Para seguir no domingo, com bastante interesse. Até porque, a crise está a afectar a Venezuela e a base de apoio típica de Chávez, as camadas da população mais vulneráveis, não estão hoje tão entusiasmadas como já tiveram com o seu Presidente.

Saída de ouro

O Hamas estaria preparado para assinar, na próxima semana, um acordo que inclua a libertação do soldado israelita Gilad Shalit, segundo uma informação que contradiz uma outra segundo a qual o movimento teria chegado a acordo para uma trégua com Israel que não inclui o soldado Shalit.

Se Gilad Shalit for libertado em breve, pode dizer-se que Ehud Olmert sai do Governo de Israel com chave de outro.
O que é de lamentar nestes dias é o facto de haver, no actual momento, uma nítida vontade de dialogar, por parte do Hamas, e sobe ao poder de Tel Aviv quem pouco aprecia a diplomacia.

A direita à beira de liderar Israel

Como disse um alto quadro do Kadima, na terça-feira o "partido ganhou a batalha, mas perdeu a guerra". A direita e respectivos radicais, deverão formar o próximo Governo de Israel, presidido por Netanyahu.
Pelo lado do vencedor, o Kadima, nota-se alguma falta de orientação. Começou por pedir um acordo com Netanhyahu, seguindo-se um apelo ao radical Lieberman, para formar coligação, tendo o Kadima a responsabilidade de liderar. Tudo isto na noite eleitoral. Goradas estas hipóteses, o partido de Livni já se presta a formar parte do Governo do Likud, ficando, para tal, com as pastas dos Negócios Estrangeiros e da Defesa. O que evidencia sinal de fragilidade, pois o partido mais votado submeter-se-ia a um que recebeu menos voto. Só reforçaria o papel de Netanyahu e tornaria frágil o do Kadima.
Não creio que o próximo Governo de coligação de Israel dure a legislatura, pois os valores, mais ou menos radicais, de cada formação de direita, deverão sobrepor-se aos interesses dos israelitas em determinado momento. E com uma Administração norte-americana, assim se espera, empenhada num entendimento para o Médio Oriente, Tel Aviv sofrerá pressões que irão contra a posição de vários governantes, pouco, ou mesmo nada, interessados num entendimento com os palestinianos e vizinhos árabes.
Talvez seja tempo de preparar baterias, recuperar energias, reestruturar políticas. A começar pelos Trabalhistas, de modo mais profundo, e a acabar no Kadima, que deve saber rentabilizar o excelente resultado que alcançou nesta eleição.

(Publicado no Câmara de Comuns)

Acordo com sucesso reduzido


O presidente em exercício da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), o chefe de Estado sul-africano, Kgalema Motlanthe, felicitou quarta-feira Morgan Tsvangirai e Arthur Mutambara depois da sua investidura respectivamente como Primeiro-ministro e vice-Primeiro-ministro do Governo de coligação do Zimbabwe.

Veremos até quando dura este entendimento entre Mugabe e Tsvangirai. Se chegar ao fim da Primavera será um milagre.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Vitória de Pirro?

Com 52% dos votos contados (0:30), o Kadima é o partido com mais eleitos. Resultado evidente da recuperação do partido de Livni nos últimos dias. Porém, tudo indica que não terá as condições de viabilizar um Governo, pois a direita, com o Likud, o Israel Beiteinu e outras pequenas formações deverão obter, pelo menos, 61 deputados, o número suficiente para viabilizar um Executivo.
Livni alcança um bom resultado, mas aquém do desejado.
Pelo lado dos trabalhistas, regista-se, como os últimos dias indiciavam, o pior resultado de sempre do partido.
Para continuar a acompanhar o escrutínio, aqui.

(Publicado no Câmara de Comuns)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Uma ténue, mas ainda assim, esperança


Resta aguardar o veredicto das urnas.

Eleição israelita

Para melhor conhecimento da realidade actual da política israelita, está aqui uma boa e bem sintetizada infografia.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Há esperança na Venezuela

El presidente Hugo Chávez aseguró este domingo que no se debe desestimar la marcha que la oposición organizó contra la enmienda. Sostuvo, sin embargo, que quienes participaron lo que destilaron "es odio".

Chávez tem a Venezuela quase controlada com mão-de-ferro. Não a tem totalmente por que há muitas vontades, como estes milhares de pessoas demonstraram nas ruas de Caracas, que para dominar o país a bel-prazer, o pseudo-biblista-bolivarista terá de derrubar muitos venezuelanos que não estão dispostos a abdicar dos seus princípios para se renderem ao populismo.
Falta uma semana para o referendo que pode permitir a eleição perpétua de Chávez.
O clima político vai subir de tom.
Note-se como Chávez encara e define os seus opositores, pessoas que destilam "ódio". Como se não fosse o Presidente venezuelano o primeiro a estimular o ódio, tanto a nível interno como externo.

Excelente notícia

Mohammad Khatami, ex-Presidente e figura de referência dos renovadores iranianos, anunciou hoje que vai concorrer às eleições de Junho, para defrontar o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, que já tornou pública a sua recandidatura.

Nem tudo é mau neste tempo. Hoje recebemos uma excelente notícia: o anúncio da candidatura de Khatami à presidência do Irão.
A sua vitória, em Junho próximo, será, seguramente, um passo para a Paz e Estabilidade no mundo.

(Publicado no Câmara de Comuns)

Teerão a engonhar

O presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, anunciou hoje que Teerão está pronto a discutir com os Estados Unidos, “sem condições prévias” desde que os americanos apresentem “um conceito” para este diálogo.

Os EUA proporcionam a condição de Teerão ganhar mais tempo e eis um dos altos responsáveis políticos de Teerão a manifestar vontade de gastar tempo, com diálogos que não têm ponto de partida, como o Irão faz questão de frisar, e nem quer ter ponto de chegada. Enquanto se gasta tempo, o programa nuclear avança.

O derradeiro trunfo de Livni e Barak

Se Israel conseguir a libertação do soldado Gilad Shalit, detido há mais de um ano pelo Hamas, até terça-feira, Livni e Barak podem obter um trunfo político que deixará o Likud e o Israel Beiteinu em sérias dificuldades.
Veremos se do lado do Hamas há vontade de influenciar as legislativas israelitas. Melhor do que ninguém, o Hamas sabe que um Governo de Netanyahu e Lieberman terá uma postura inclinadamente bélica, em vez de dialogante.

Kadima aproxima-se do Likud

Haaretz Poll: Kadima, Likud are neck-and-neck with 4 days to go
The poll, the last to be published before next Tuesday's election, showed the gap between the two parties continuing to narrow: It is now down to only two seats in Likud's favor.


Livni ganhou um fôlego nestes derradeiros momentos, antes da eleição de terça-feira. Se é um bom sinal, a aproximação do Kadima ao Likud, por outro lado, é preocupante o crescimento do Israel Beiteinu. Não é, portanto, por acaso que o Likud, nos últimos dias tem procurado veicular a ideia que um voto no partido de Lieberman representa um fortalecimento de Livni e enfraquecimento de Netanyahu.
Quanto ao Labor, Barak não descolou, nem mesmo com a bem sucedida intervenção em Gaza, que comandou, e o partido sujeita-se a receber a pior votação de sempre.

São Tomé dirá em que ficará este actual estado de total sintonia

O ministro da Defesa afirmou hoje que os discursos dos principais responsáveis políticos na Conferência de Segurança de Munique estão a marcar "um novo ciclo e uma oportunidade para o relançamento das relações" entre Europa e Estados Unidos.

Severiano Teixeira disse o que muitos governantes europeus, da esquerda e da direita, gostam de expressar neste momento, até pela sintonia entre o gosto que os Governos e povos europeus têm pela Administração Obama. Todavia, esta "oportunidade para o relançamento das relações" entre as duas margens do Atlântico norte deverá merecer algum desconforto dos europeus, quando, em breve, Washington, e com sentido, solicitar mais cooperação militar aos europeus para se envolverem e participarem mais em palcos nevrálgicos, como o Afeganistão.
Num momento de crise económica, aí sim, veremos se a Europa estará disposta a "relançar as relações", empregando mais verbas e meios, em cenários de conflito.
Habituados, desde 1945, à sombra e aos gastos de protecção militar norte-americana, é tempo da Europa assumir as suas responsabilidades, e Obama já prometeu isso. Veremos se estaremos dispostos a pagar uma factura, que, em abono da verdade, também é nossa.

O PCP mente com grande descaramento

A entrega do soldado e dos três polícias é o terceiro gesto unilateral das FARC, depois da libertação da ex-candidata à vice-presidência da Colômbia, Clara Rojas, da ex-deputada Consuelo Gonzáles, da ex-candidata à presidência, Ingrid Betancourt, e de outros 18 sequestrados, entre os quais três norte-americanos.

O PCP continua a defender, sem pudor nem peso na consciência, o grupo terrorista colombiano. A edição do Avante desta semana insinua que as FARC libertaram Ingrid Betencourt e outros sequestrados, como os três norte-americanos capturados pela banda. Mentira! Ingrid Betencourt e outros presos foram libertados pelas Forças Armadas colombianas, numa operação que estas assumiram.
Até quando o PCP nos quer fazer de tolos? E até quando nos continuará a mentir?

(Publicado no Câmara de Comuns)

Biden não traz nada de novo

“A nossa administração está a reexaminar a política relativamente ao Irão, mas uma coisa é clara: estamos prontos para falar”, disse Joe Biden naquele que era o discurso mais esperado da 45ª Conferência de Segurança de Munique. No entanto, a abertura de Washington continua condicionada à renúncia de Teerão ao seu programa nuclear.
“Estamos prontos a falar com o Irão”, insistiu Biden, “e a dar-lhe uma escolha muito clara: mantenham o rumo actual e conhecerão a pressão e o isolamento; renunciem a prosseguir o vosso programa nuclear ilegal e a apoiar o terrorismo e receberão contrapartidas importantes”


O que Joe Biden disse em Munique já as autoridades de Teerão sabem há muito. O mesmo fora dito pela anterior Administração norte-americana.

As falsas posições da extrema-direita israelita

When Israel Beiteinu was founded in 1999, it was with a simple purpose in mind. It was meant to be the voice of all those who wanted something better than politics as usual. We felt there was an important place for a party and a movement that would stand up for working-class men and women who care about their country, who are patriotic and believe in the destiny of the Jewish people. I am proud of what our party has accomplished. In a short period we have become an important voice for change and an essential voice for principles.
We are the voice of the future, we are the voice of the hope and dreams of those who want a government as good as the people it serves. We want to move Israel forward with dignity and respect in the eyes of the world and in the eyes of our citizens.


Este artigo do líder do Israel Beiteinu, Avigdor Lieberman, com muitos traços dos discursos de Obama, merece a concordância de qualquer pessoa. Porém, o que Lieberman não expõe são as suas propostas e ideias acerca de Israel e da sua relação com os países vizinhos, assim como a criação do Estado da Palestina. Aí sim, perceberíamos que além desta linguagem de alguém que confia nos israelitas os que sujeitar a uma posição de conflito contínuo. Isso não representa a "voz do futuro, nem da esperança nem dos sonhos".

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Partido chave para decidir a sucessão de Lula

Nos bastidores, as negociações apontam para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010. A oposição, capitaneada pelos governadores de São Paulo, José Serra (PSDB), e de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e também governo federal, com Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil, à frente, converteram- se nos principais cabos eleitorais do deputado Michel Temer (SP) e do senador José Sarney (AP), candidatos do PMDB na Câmara e no Senado. O PMDB, caso confirme nas urnas o favoritismo, sairá das eleições com um alto cacife, e nem governo e nem a oposição vão prescindir de seu apoio no pleito de 2010.
Hoje, o PMDB, que controla cinco ministérios, faz juras de fidelidade ao governo. Mas ninguém sabe o caminho que o partido, que sempre colocou um pé em cada canoa para manter-se eternamente no poder, vai tomar na sucessão presidencial. A oposição aposta que o PMDB agirá com pragmatismo. Ou seja, vai aliarse com o presidenciável que tiver mais chances de vencer em 2010.


Temos vindo a abordar, nestes dias, a disputa pela sucessão de Lula da Silva, na presidência brasileira, com o devido destaque para os pretendentes: José Serra, Aécio Neves e Dilma Rousseff, e a importância de um partido sem candidato anunciado, mas que pode ser decisivo, caso apoie um dos favoritos, o PMDB.
Ora, nem de propósito, um interessante artigo publicado na revista Isto É, ajuda a compreender melhor o papel deste partido, que tem as suas origens no combate à ditadura militar.

(Publicado no Câmara de Comuns)