segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Um paıs europeu

Uma andorınha não faz a Prımavera. Porém, uma cıdade que acolhe 15 dos 80 mılhões de habıtantes da Turquıa, como Istambul, é um bom testemunho deste paıs: uma terra aberta ´a tolerancıa, respeıto e com um povo hospıtaleıro e humılde.
Quem andar por esta cıdade, que também é um dos berços da nossa cıvılızação ocıdental - e a Hagıa Sophıa é o melhor exemplo dısso, convém não esquecer -, compreende, de modo ınequıvoco, como a sua ıntegração no espaço comunıtárıo é vıável e, acrescento, desejável.
Naturalmente que há pontos aında a ter em conta, como por exemplo os dıreıtos humanos, que progredıram bastante desde que as conversações com Bruxelas teem sıdo empreendıdas, as agrícolas e as comercıaıs.
A adesão não pode, e jamaıs deve ser feıta, sem qualquer preparação de ambas as partes (UE e Turquıa), mas serıa convenıente, e decente por parte da UE, abrır uma perspectıva temporal ao Governo de Ancara, para se consumar esta adesão.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O voto dos emigrantes (galegos)

“Ayuda secreta de la Casa Rosada al triunfo de los socialistas en Galicia“, tituló en el 2005 el diario Clarín. La colaboración no fue tan secreta porque se supo que los Kirchner ayudaron a Zapatero y Blanco a montar una red de 1.200 agentes electorales y les dieron “información” esencial de Correo Argentino. Pese a las supuestas tiranteces recientes entre la Casa Rosada y la Moncloa, la ayuda va a repetirse, aunque esta vez va a ser más discreta. Por eso, en su última gira porteña Touriño no buscó la foto con Cristina Fernández. En el PP están convencidos de que con Menem en el poder, Fraga no habría perdido la mayoría absoluta en el 2005.
Con Blanco a la cabeza, el PSOE bramó desde la oposición contra las maniobras del PP en la emigración y denunció que el sistema permitía el fraude. En el poder, olvidó la prometida reforma de la legislación para implantar el voto en urna y creó una potente maquinaria a fin de aprovechar lo que antes criticaba. El PP, que rechazó todas las propuestas para introducir transparencia, es ahora el paladín de la limpieza, después de haber estado esperando a ver si recuperaba el poder en Madrid para utilizar la emigración como palanca. Y el BNG, que siempre denunció los fraudes, se durmió en la moqueta, dejando pasar los primeros años de la legislatura gallega sin obligar al PSOE a cumplir sus compromisos.
Votarán los muertos y resurgirán las críticas a los emigrantes. Lo único bueno es que esta vez resulta difícil que su sufragio influya en el desenlace final.


Por cá discutiu-se há poucos dias se os emigrantes deviam votar por correspondência ou presencialmente. Sendo certo que presencialmente será difícil para muitos manifestar a sua opção, dado não haver embaixadas ou postos consolares em todos os locais onde há emigrantes, o envio do voto continua a vigorar, e com sentido.
Aqui ao lado, em Espanha, os votos dos emigrantes também merecem o envio por carta. Não fosse a eleição regional de há quatro anos, em que o histórico Fraga Iribarne perdeu as regionais galegas, por causa do voto dos imigrantes, e ainda hoje o assunto seria pouco relevante. Como tudo está em aberto, tanto os socialistas podem perder a renovação do poder em coligação com os nacionalistas galegos - e as notícias dão uma campanha de Touriño com pouca mobilização, como os populares podem ver goradas as expectativas de reconquistar o poder - Feijóo parece estar imune aos escândalos que abalam o PP nacional, de Madrid e Valência, os votos dos emigrantes podem ser, novamente, decisivos.
Na noite do primeiro dia de Março veremos e o episódio de há quatro anos se repete, sendo bastante provável que os socialistas ganhem com os votos vindos do exterior, como o texto de Anxo Lugilde explica.
Maroscas não faltam nesta situação, com responsabilidade de todos, mas mais, naturalmente, de quem exerce o poder, que se reconforta com a situação, dada ser-lhe favorável.

Nacionalistas bascos podem perder o poder

La batalla de las encuestas es bien silenciosa pero ya se sabe que los partidos las manejan no sólo para tener un diagnóstico de la realidad sino también como un arma psicológica de primer orden. Los socialistas disponen de trabajos que muestran que las posiciones están muy igualadas. En su último sondeo del pasado viernes, con una participación del 65% y un 14% de indecisos, el PNV y el PSE obtendrían respectivamente entre 27 y 28 escaños, mientras el PP alcanzaría 11; EB, tres; Aralar, tres; EA, dos o tres, y UPyD, uno. Todo sigue pues muy abierto.

PNV e PSE encomendaram sondagens e ambas não coincidem, mas os resultados que apresentam não se afastam muito um do outro. Isto quer dizer, mesmo num cenário menos favorável para os socialistas, isto é, tendo em conta a sondagem dos nacionalistas bascos, o PNV obteria poucos mais apoios do que o PSE. Isto significa que Patxi López deverá obter o melhor resultado de sempre dos socialistas no País Basco. Ganhe ou não a eleição. E, aqui reside o interesse nesta eleição autonómica, que pode significar o fim do poder dos nacionalistas no Governo de Vitória. Seria, com certeza, um marco histórico para a recente democracia espanhola. E poderia determinar um novo futuro para a região e para o país.
De seguir, também, a postura da ETA, agora que viu as suas formações políticas sem possibilidade de participar.

Obama confirma "investimento" no Afeganistão

Barack Obama, the US president, has approved the deployment of an extra 17,000 troops for Afghanistan, the White House has confirmed.

Mais tropas norte-americanas para o Afeganistão significa que, mais dia menos dia, virá um pedido de ajuda de Washington para que a Europa também assuma a sua quota de responsabilidade. Aí se verá o encanto europeu para com esta nova Administração.

Berlusconi alcança mais uma vitória

Veltroni demite-se após derrota na Sardenha

A esquerda italiana desmorona-se num momento em que devia surgir mais forte. Veltroni, não obstante a derrota nas legislativas no ano passado, prometia muito e acaba por sair pela porta pequena. Berlusconi continua a agradecer a amabilidade da esquerda transalpina.

Aécio a seguir os passos de Obama

ISTOÉ - O sr. é candidato à Presidência da República?
Aécio Neves - Só posso ser candidato a presidente se o partido me indicar candidato. Mas estou disposto a disputar as prévias e discutir com as bases do partido um projeto novo para o Brasil.


se hoje Aécio não tem a preferência da cúpula, todos os tucanos sabem que sem ele o PSDB não ganha a eleição. É por isso que a disputa interna está recheada de declarações diplomáticas em público, enquanto ferve nos bastidores. Os serristas voltaram a defender a tese da "fila", segundo a qual a direção do partido decidiria que este seria o momento de Serra, enquanto Aécio teria de aguardar a vez.

Está lançada a candidatura do Governador de Minas Gerais, Aécio Neves, nas primárias do PSDB para concorrer como o candidato tucano no próximo ano à presidência do Brasil. José Serra, Governador de São Paulo, tem a vantagem de ter a máquina do partido com a sua candidatura. Mas, no Brasil, tal como nos EUA, a máquina partidária não é centralizada, e como Obama demonstrou no ano passado, a vitória pode acontecer. Tudo depende da tendência de cada Estado. E, neste momento, está tudo em aberto.

(Publicado no Câmara de Comuns)

As FARC continuam a matar

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, prometeu na terça-feira endurecer a luta contra o terrorismo, depois de a guerrilha Farc anunciar que matou oito índios colombianos como punição por terem passado informações ao Exército.

Procurando demonstrar alguma abertura, para entendimentos com o Governo colombiano, com a libertação de prisioneiros, as FARC não deixam, no entanto, de prosseguir com o terror na Colômbia.

Óbvio

Daniel Kurtzer, the former U.S. ambassador to Israel, said on Tuesday that a government led by Benjamin Netanyahu that also included Yisrael Beiteinu chairman Avigdor Lieberman would be a "bad combination for American interests."
"It would be much more difficult for the right-wing even with determined American leadership to advance the peace process," Kurtzer said. "Not impossible, but very difficult."


Ainda dizem que o mundo não gira ao contrário!

Segundo a sondagem ontem divulgada pela La Voz de Galicia, PSG e BNG podem reeditar nova coligação governativa.
Falta semana e meia para a eleição e a indecisão ainda paira no ar. A ter em conta pela campanha que cada formação está a realizar. Não é por acaso que Zapatero, que já se deslocou duas vezes à Galiza, ainda está a procurar espaço na agenda para uma terceira visita.

Começa a campanha presidencial iraniana


Reformador é a principal ameaça à reeleição de Ahmadinejad
Jornal conservador iraniano avisa que Khatami corre risco de ser assassinado


Parece valer tudo para os radicais intimidarem o candidato presidencial reformador iraniano. Veremos o que isto dá.
Só pela ameaça, a candidatura de Khatami já está a valer a pena. Sinal de bastante nervosismo nas hostes de Ahmadinejad.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Retrocesso democrático na Venezuela

Gana el SI con 54,36% frente a 45,63% del NO

Com a vitória do "sim" no referendo de ontem, que permite a Chávez eternizar-se no poder, a Venezuela dá um significativo passo atrás, em termos democráticos, e avança sem freios para a consolidação de um Estado autocrático.
10 anos de poder não chegaram a quem tanto prejudicou um dos países mais ricos do mundo.
Cerca de dois séculos depois, a Venezuela precisa de um novo Bolívar que a liberte da tirania do populismo que a afecta, corrompe e afunda na pobreza.

(Publicado no Câmara de Comuns)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O lapso de Lukashenko

O que a oposição fez, ao longo de mais de 20 anos, foi travar uma batalha para nos colocar longe do centro da Europa.

O Presidente bielorrusso teve um lapso na entrevista cedida à Euronews. Em vez de referir que a oposição tudo tem feito para que haja maior aproximação da Bielorrússia à UE, pois isso também significa mais Liberdade, disse o contrário. Mas este é um lapso interessante. Então, com quase duas décadas de poder, num Estado autocrático, é a oposição, sem voz nem meios na sociedade, que impede o poder de fazer o que quer? Lukashenko podia ser um pouco mais coerente com o que diz.

Do formal e do moral - entradas proibidas

Ontem, o deputado holandês Geert Wilders, que há uns tempos realizou um filme xenófobo, no qual procura insinuar que professar o islão é comungar terrorismo, foi impedido de entrar, pelas autoridades britânicas, em solo de Sua Majestade, uma vez que iria estimular o ódio no Reino Unido, justificou o Governo de Londres. Nestes dias, o antigo líder do sindicato polaco Solidariedade, Lech Walesa, não recebeu permissão para entrar na Venezuela, onde iria contactar com elementos da oposição do regime de Chávez.
Moral da estória: em termos formais, não há qualquer discrepância entre os dois actos, em termos morais, uma significativa diferença. Enquanto um foi, e bem, impedido de provocar, outro foi, e mal, proibido de dialogar.

(Publicado no Câmara de Comuns)

Um processo democrático invertido

Buteflika se eterniza en Argelia
El presidente se presenta sin rivales de peso a un tercer mandato consecutivo


No país mais democrático do norte de África, a Argélia, o actual Presidente adopta o mesmo estilo dos seus vizinhos, nomeadamente o tunisino e o egípcio. Com a substancial diferença de no caso destas duas repúblicas a democracia ainda está por consolidar (Egipto) e alcançar (Tunísia). A Argélia, que podia amadurecer o sistema democrático, inverte a lógica e afunila.
Bouteflika ganhará, pela terceira vez, a eleição presidencial de Abril, sem grandes dificuldades.
Dado o seu débil estado de saúde e os desafios internos e externos que este gigante do Magreb conta, uma renovação política, que não um regresso ao radicalismo religioso, seria desejável.
O actual Chefe de Estado tem um papel determinante e inquestionável na História do país, com a contribuição decisiva para o fim da guerra sangrenta que se abateu sob o país, no seguimento da democratização empreendida em 1992. Mas tais méritos não são condição para perpetuar-se no poder.

Mais um referendo a Chávez

La oposición hizo un llamado este jueves a todos los electores a sufragar en las urnas el próximo domingo confiados en el secreto del voto.

Nem dois anos passados e novo referendo, no domingo, para perpetuar, ou não, o mandato do pseudo-biblista-bolivarista. Segundo as sondagens, o "não" e o "sim" estão a par e o vencedor deverá ganhar com pouca margem. Para seguir no domingo, com bastante interesse. Até porque, a crise está a afectar a Venezuela e a base de apoio típica de Chávez, as camadas da população mais vulneráveis, não estão hoje tão entusiasmadas como já tiveram com o seu Presidente.

Saída de ouro

O Hamas estaria preparado para assinar, na próxima semana, um acordo que inclua a libertação do soldado israelita Gilad Shalit, segundo uma informação que contradiz uma outra segundo a qual o movimento teria chegado a acordo para uma trégua com Israel que não inclui o soldado Shalit.

Se Gilad Shalit for libertado em breve, pode dizer-se que Ehud Olmert sai do Governo de Israel com chave de outro.
O que é de lamentar nestes dias é o facto de haver, no actual momento, uma nítida vontade de dialogar, por parte do Hamas, e sobe ao poder de Tel Aviv quem pouco aprecia a diplomacia.

A direita à beira de liderar Israel

Como disse um alto quadro do Kadima, na terça-feira o "partido ganhou a batalha, mas perdeu a guerra". A direita e respectivos radicais, deverão formar o próximo Governo de Israel, presidido por Netanyahu.
Pelo lado do vencedor, o Kadima, nota-se alguma falta de orientação. Começou por pedir um acordo com Netanhyahu, seguindo-se um apelo ao radical Lieberman, para formar coligação, tendo o Kadima a responsabilidade de liderar. Tudo isto na noite eleitoral. Goradas estas hipóteses, o partido de Livni já se presta a formar parte do Governo do Likud, ficando, para tal, com as pastas dos Negócios Estrangeiros e da Defesa. O que evidencia sinal de fragilidade, pois o partido mais votado submeter-se-ia a um que recebeu menos voto. Só reforçaria o papel de Netanyahu e tornaria frágil o do Kadima.
Não creio que o próximo Governo de coligação de Israel dure a legislatura, pois os valores, mais ou menos radicais, de cada formação de direita, deverão sobrepor-se aos interesses dos israelitas em determinado momento. E com uma Administração norte-americana, assim se espera, empenhada num entendimento para o Médio Oriente, Tel Aviv sofrerá pressões que irão contra a posição de vários governantes, pouco, ou mesmo nada, interessados num entendimento com os palestinianos e vizinhos árabes.
Talvez seja tempo de preparar baterias, recuperar energias, reestruturar políticas. A começar pelos Trabalhistas, de modo mais profundo, e a acabar no Kadima, que deve saber rentabilizar o excelente resultado que alcançou nesta eleição.

(Publicado no Câmara de Comuns)

Acordo com sucesso reduzido


O presidente em exercício da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), o chefe de Estado sul-africano, Kgalema Motlanthe, felicitou quarta-feira Morgan Tsvangirai e Arthur Mutambara depois da sua investidura respectivamente como Primeiro-ministro e vice-Primeiro-ministro do Governo de coligação do Zimbabwe.

Veremos até quando dura este entendimento entre Mugabe e Tsvangirai. Se chegar ao fim da Primavera será um milagre.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Vitória de Pirro?

Com 52% dos votos contados (0:30), o Kadima é o partido com mais eleitos. Resultado evidente da recuperação do partido de Livni nos últimos dias. Porém, tudo indica que não terá as condições de viabilizar um Governo, pois a direita, com o Likud, o Israel Beiteinu e outras pequenas formações deverão obter, pelo menos, 61 deputados, o número suficiente para viabilizar um Executivo.
Livni alcança um bom resultado, mas aquém do desejado.
Pelo lado dos trabalhistas, regista-se, como os últimos dias indiciavam, o pior resultado de sempre do partido.
Para continuar a acompanhar o escrutínio, aqui.

(Publicado no Câmara de Comuns)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Uma ténue, mas ainda assim, esperança


Resta aguardar o veredicto das urnas.