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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Personalidades do ano

Putin
Com todos os defeitos e virtudes que tem, e em termos de Direitos Humanos eles não são abundantes, o Presidente russo termina o seu mandato presidencial com vários objectivos cumpridos.
A Rússia volta a ter um peso e influência que perdera com o fim da era soviética. Moscovo é actualmente um poder que conta e determina no mundo, depois de uma década de 90 à deriva.
O renascer e ascensão russas são mérito de Putin.
A Time fez uma distinção, como personalidade do ano, que não é exagerada. O mérito sublinhado não se prende com a sua personalidade mas com o seu trabalho ao fim de dois mandatos presidenciais. A distinção é sinal da obra que o novo Czar alcançou em menos de uma década de poder.
Putin assume a partir de Março uma nova etapa, que não significa, todavia, perda de poder. Ele apenas vai continuar a ter o poder que tinha até agora, mas noutra condição. Uma questão de formalismo, para dizer que respeita as regras do jogo. O jogo em que ele põe e dispõe.

Personalidades do ano

Sarkozy
Eleito este ano Presidente francês, ambição há muito desejada, e nunca escondida, Sarkozy acaba por ser, duplamente, uma personalidade marcante em 2007.
Em primeiro lugar, por suceder a um já gasto e apagado Chirac. Como aqui se escreveu, qualquer sucessor que tivesse seria sempre melhor do que o homem que sucedeu a Mitterrand, tal não foi o estado de agonia e decadência que a França teve durante os seus dois mandatos. A França precisava de sangue novo.
Obtendo uma vitória não tão fácil como se previa, o nome Chefe de Estado gaulês tem vindo a empreender um novo estilo. E aqui reside o segundo ponto.
Baseado no hiper-mediatismo, quer na necessidade quer na obsessão de estar sempre em manchete, este Presidente francês marca uma nova era política. A sua deslocação à Líbia e ao Chade, para libertar prisioneiros, são disso exemplo. A sua vida pessoal tem sido cuidadosamente trabalhada em público, de forma a não prejudicar a imagem do Presidente, antes pelo contrário, procura favorecê-la. Primeiro com Cécilia, agora com Carla Bruni.
Em termos europeus, Sarkozy deu o sinal de se querer juntar a Berlim e assumir, de novo, a responsabilidade de motor europeu.
Foi anunciado, perante os parlamentares europeus, a aposta no projecto europeu.
O próximo ano servirá para tirar as teimas de até que ponto a França quer mesmo inovar e contribuir para a mudança que a UE precisa. E, inovar, para a França, significará penar num campo nevrálgico: a Agricultura.
A França assume a Presidência da UE no segundo semestre e estão previstas intervenções em duas áreas importantes para a UE: a Defesa e a Agricultura.
A UE, como se sabe e sente, precisa de mudar e a grande mudança estrutural passa pela reforma e diminuição do peso da PAC no orçamento comunitário, que beneficia, e em muito, a França, ou melhor, os agricultores franceses. Não estou tão seguro que os consumidores franceses, como os europeus em geral, sejam grandes beneficiados com a actual situação.
Veremos, então, até onde o todo hiper-activo Sarkozy quer, realmente, transformar e qual o contributo que quer dar no próximo ano.
As reformas internas, bem necessárias, são outras das bandeiras de Sarkozy. Até agora tem sido mais parra do que uva. Mas, o senhor ainda não tem um ano de mandato e os resultados não se alcançam do dia para a noite. Dentro de um ano pode-se estar em melhor condição para avaliar o trabalho de Sarkozy.
Goste-se ou não da personagem, e não tenho grande simpatia pela pessoa, Sarkozy é uma das personalidades de 2007.