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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

A César o que é de César

Num país em que é tão frequente ouvir a crítica fácil, e por vezes sem sentido, às instituições, das quais muitas pessoas duvidam, o chumbo do Tribunal de Contas ao empréstimo pretendido pela Câmara Municipal de Lisboa é um bom exemplo de como há instituições em Portugal que funcionam com imparcialidade.
Não se pode, obviamente, deixar de referir o excelente trabalho que o Presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d'Oliveira Martins, tem realizado.
Ainda me recordo quando, em 2005, a escolha da presidência do Tribunal recaiu em Oliveira Martins e toda a oposição criticou o PS, acusando os socialistas de colocarem alguém da sua confiança num órgão com finalidades de controlo político.
Como se sabe, Oliveira Martins é uma pessoa recta e digna, que cumpre com responsabilidade e elevação as funções que assume.
Se é fácil criticar, também se deve reconhecer o mérito das instituições e dos seus intérpretes, como é o presente caso.
Quanto à situação da CML, há que encarar outras alternativas que possam viabilizar o pagamento de dívidas aos fornecedores, conforme o Presidente da Câmara assumiu deste o início. Certos partidos, como o PPD, que na reacção à decisão do Tribunal de Contas apressam-se a culpar António Costa por este chumbo, deviam ter mais pudor, pois não deviam esquecer-se quem criou o enorme buraco orçamental e sem qualquer benefício para a cidade.