domingo, 14 de setembro de 2008

Um confronto quase inevitável

Em vez de clarificar, o resultado de domingo acaba por agravar a situação boliviana, com a divisão social e cultural do país.

Como se referiu, aqui, há pouco mais de um mês, depois do referendo que colocava em causa o mandato de Evo Morales, o plebiscito conduziria a uma circunstância ainda mais delicada num dos países mais pobres da América do Sul.
Os dias encarregaram-se de clarificar a profunda divisão que marca hoje a sociedade boliviana, tendo o Presidente boliviano encontrado um bode expiatório nos EUA... como sempre! Esquecendo-se que foi a sua política que conduziu a Bolívia à confrontação e à crise.
Entretanto, de Caracas, surge o pseudo-biblista-bolivarista, qual defensor dos pobres e oprimidos, numa atitude de solidariedade para com La Paz e convidou o Embaixador norte-americano em Caracas a sair do país, ao mesmo tempo que lançava epítetos pouco próprios para os EUA. Criticando o "imperialismo" de Washington, era o próprio Chávez que se assumia como imperialista regional, ameaçando intervir na Bolívia.

domingo, 7 de setembro de 2008

Até que enfim, boas notícias da esquerda alemã

Ministro dos Negócios Estrangeiros substitui provisoriamente Kurt Beck no partido
Steinmeier candidato do SPD contra Merkel nas legislativas alemãs de 2009


Uma boa notícia da social-democracia alemã, depois de vários rumos desastrosos.
A escolha de Steinmeier é uma boa opção para defrontar Angela Merkel.
Não será fácil ao SPD bater a CDU, porém as possibilidades de isso suceder aumentam.
Por outro lado, será interessante acompanhar este último ano do Governo, em especial a convivência política entre a Chanceler Merkel e o Vice-Chanceler Steinmeier.

Um aviso temporalmente desfasado

Peres warns Olmert: Attack on Iran could spark wide-scale war

O Presidente de Israel deve ter-se esquecido que Olmert está a poucas semanas de sair do poder.
Fica, no entanto, a sua posição, quanto à forma de encarar o projecto nuclear iraniano.

Um de dois caminhos quase inevitáveis para Brown

O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair considera que Gordon Brown deveria abandonar a liderança do governo trabalhista para não sofrer a humilhação de uma derrota nas próximas eleições gerais no Reino Unido.

Blair disse o evidente. De duas uma, Brown ou sai com dignidade, agora, ou sujeita-se a sofrer uma pesada derrota no próximo ano.
Parece que o único que não quer ver isto é Brown. E, em política, a falta de sentido é sempre um caminho rápido para o desastre.

sábado, 6 de setembro de 2008

Leal ao seu pensamento

Primeiro, o partido. McCain lançou-se numa forte condenação do comportamento dos seus correligionários. "Perdemos a confiança dos americanos, e com razão, quando valorizamos o nosso poder sobre os nossos princípios", atacou. O candidato atacou o partido por se ter deixado contaminar pelo despesismo e transgressão ética - além do descontentamento com a guerra do Iraque, foi uma sucessão de escândalos de corrupção e outros de ordem sexual entre as fileiras republicanas que levou o partido a perder as eleições para o Congresso em 2006.
A audiência reagiu com frieza, mas depois McCain agarrou-a com a sua promessa de renovação. "O partido vai voltar à sua base e vai recuperar os valores que a América aprecia"


McCain continua fiel a si próprio. Diz o que pensa, não o que considera agradável para quem o ouve, independentemente do que considera. Que diferença entre os dois candidatos nesta corrida presindencial!

Como o mundo muda

"Rice's visit is proof that Libya has changed, America has changed and the world has changed. There is dialogue, understanding and entente between the two countries now," said Libyan Foreign Minister Mohammed Abdel-Rahman Shalgam.
For years, Washington considered Gaddafi a major supporter of terrorism and one of its most prominent enemies.


Ainda há poucos dias ouvi Mitt Romney na Convenção Republicana com o discurso típico dos neoconservadores do "bem e do mal".
Quem diria, a Líbia, há poucos anos catalogada pela Administração Bush como maléfica, hoje já pertence à 'ala' do bem.
E dizem que o mundo não muda!
Até ao fim, a tese dicotómica dos bons e maus do neoconservadorismo cai, perante os próprios actos da Administração Bush.

Que futuro Paquistão?

Pakistan People’s Party co-chairman, Asif Ali Zardari has been elected as new president of the Islamic Republic of Pakistan on Saturday.

O Parlamento paquistanês escolheu hoje o sucessor, há muito conhecido, de Musharraf.
Veremos o que Zardari (viúvo de Benazir Bhutto) fará como Presidente.
O país tem um papel central na região em que se insere, como no mundo, dado o seu poderio nuclear.
Oxalá as Forças Armadas e de Segurança sejam garantes de estabilidade.
Os tempos não são fáceis. Ainda há pouco mais de 48 horas o Primeiro-Ministro do país escapou de um atentado.

O rigor germânico

Quando ainda falta um ano para o actual Executivo federal alemão completar o seu mandato, o Ministro do Interior já agendou a data das próximas eleições legislativas, para 27 de Setembro de 2009.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Bons passos em direcção ao entendimento

Le président turc, Abdullah Gül, effectuera samedi une visite historique en Arménie, à l'occasion d'une rencontre de football entre les deux pays, a annoncé Ankara, mercredi 3 septembre. Il y rencontrera son homologue arménien Serge Sarkissian, à l'origine de l'invitation et qui œuvre depuis son élection en avril dernier au rapprochement entre les deux voisins.
"Nous pensons que ce match contribuera à lever les barrières qui bloquent le rapprochement entre nos deux peuples", indique la présidence turque dans un communiqué. "Nous espérons que cela constituera une occasion pour nos deux peuples de mieux se comprendre l'un l'autre."


Há poucos anos, em França vituperava-se a Turquia para não aderir à UE. À falta de qualquer argumento crível, os gauleses desenterraram o sucedido em 1915, quando o Império Otomano dizimou milhares de vidas na Arménia. E, para isso, queriam que os turcos pedissem perdão pelo denominado genocídio.
O tema fora tão referido que, naturalmente, Ancara deixou claro que não pede perdão por exigem, até porque a leitura turca dos factos não coincide com a arménia.
Seja como for, o jogo de qualificação para o Mundial de 2010, entre Arménia e Turquia, do próximo sábado, ganha uma relevância política, não só pela peleja histórica, mas também pelo convite, histórico, do Presidente arménio ao seu homólogo turco para assistir ao jogo.
De Ancara fez-se saber, com agrado, que o momento é oportuno para reatar laços de diálogo.
Bons sinais, vindos de um Cáucaso que nos últimos tempos tem dado muitas e preocupantes notícias.

Primeiras divergências entre Putin e Medvedev

Caro Nuno,
Nestas últimas horas foi possível ver a falta de sintonia entre Presidente e Primeiro-Ministro russos, designadamente quanto à leitura que cada um fez da reunião da UE de segunda-feira. O primeiro manifestava desagrado e o segundo satisfação com a posição dos 27.
Para já, nota-se uma divergência de posições. O que pode indiciar algo mais.
E, conforme indicou a notícia que sugeriu, há um conjunto de sombras a operar nos corredores e bastidores de Moscovo que estão a tentar socavar a relação entre Putin e Medvedev.
Putin é uma pessoa que tem muitos anti-corpos e estes bem podem estar a começar a preparar a sua vingança.
A Medvedev pode acenar-se com a sua importância e poder, no quadro do sistema político russo, para encostar Putin às cordas.
Por outro lado, neste xadrez, importa saber qual o (ainda) poder e influência de Putin nas Forças Armadas e na FSB.
A vida política russa pode estar a receber um clima tão ou mais quente que o Cáucaso.

A crise política voltou a instalar-se na Ucrânia

Esta quarta-feira o Presidente, Viktor Iouchtchenko, ameaçou dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas.
Em causa está um conjunto de medidas aprovadas pelo bloco da primeira-ministra, Ioulia Timochenko, e pela oposição pró-russa, que facilitam a destituição do presidente.


Depois de quebrada a terceira reedição de entendimento entre os principais líderes da revolução laranja de 2004, eis que Yuschenko sob a parada e ameaça com a convocação de eleições antecipadas, algo que também não é muito do interesse de Iulia Timochenko.
Enquanto Presidente e Primeira-Ministra se batem, a oposição (pró-russa), de Yanukovich, esfrega as mãos de satisfação, pela contínua degradação das duas das três maiores forças políticas ucranianas.

Rumores

"Tengo una vida privada complicada" y "no diré nada sobre eso" asegura Rachida Dati
Aznar ordena a sus abogados estudiar acciones legales contra quienes le vinculan con el embarazo de la ministra francesa


O silêncio da bela Ministra francesa da Justiça quanto ao pai do seu filho é comprometedor.
De Marrocos surgiu o rumor de que o progenitor seria Aznar. Todavia, o ex-Presidente do Governo espanhol encarregou-se de acabar com o rumor que o dava como o progenitor.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Merkel reforça liderança




A um ano da eleição legislativa, a CDU reforça a liderança, enquanto o parceiro de coligação federal, o SPD, continua em recta descendente.
Merkel pode estar mais perto de renovar o poder.
Veremos se os democratas-cristãos não farão o esforço para alcançar a maioria absoluta.

Medvedev insufla Saakashvili

A Rússia já não vê Mikheil Saakachvili como Presidente da Geórgia e qualifica-o mesmo como um “cadáver político”. Em entrevista a uma televisão italiana, retransmitida na Rússia, o presidente Dmitri Medvedev afirmou que para a Rússia “o actual regime georgiano abriu falência” e o seu “presidente deixou de existir”.

Medvedev surge actualmente mais à vontade no posto de Chefe de Estado, após uma entrada de cordeiro e começa a dar-se ao luxo de empregar uma linguagem pouco cuidado, como é o caso.
Apesar de considerar que a médio prazo, uma vez acente a poeira destes dias, Saakashcvili será uma personagem do passado da Geórgia, dado os erros graves que cometeu, estas declarações do Presidente russo acerca do homólogo georgiano acabam por reforçar a posição do populista de Tbilissi.

Alianças que se estreitam

Los gobernantes de Bolivia e Irán, Evo Morales y Mahmud Ahmadineyad, respectivamente, han anunciado este lunes su intención de estrechar sus vínculos políticos y económicos "en cualquier circunstancia" y fomentar sus lazos como "países independientes" y frente a las grandes potencias.

Interessantes entendimentos que se fomentam neste mundo.

Os actos de bravura de Putin

Putin dispara a un tigre siberiano y salva a un equipo de televisión

Pelo segundo ano consecutivo, Putin apresenta-se como uma personagem heróica. O ano passado, enquanto passeava com o Príncipe do Mónaco, demonstrava, nas gélidas terras, que o frio não o domava e pescou em tronco nu.
Este ano salva uma equipa de repórteres, ameaçada por um tigre.
Veremos se no próximo ano há novo episódio estival.

Bons sinais vindos de Damasco

Hamas leader Meshal 'leaves Syria for Sudan'
Israeli sources believe that the move signals a serious desire on Syria's part to advance the negotiations.


Damasco continua a dar claros sinais de entendimento com Israel. Oxalá as autoridades israelitas prossigam a construção da ponto com um importante vizinho.

Curiosidades históricas

El servicio secreto israelí en el extranjero, el Mosad, dejó escapar al criminal de guerra nazi Josef Mengele para asegurarse la captura de otro dirigente del régimen de Adolf Hitler, Adolf Eichman, reveló hoy un ministro israelí.

"La pregunta era si debíamos realizar las dos operaciones al mismo tiempo", afirmó Eitán, que fue miembro del comando del Mosad que capturó a Eichmann en Buenos Aires en 1960 y lo trajo a Israel. "Dije que muchas gracias, pero que teniendo a Eichmann en la mano, no quería perderlo", reveló el actual ministro al explicar porqué Israel dejó escapar a Mengele, conocido como el 'Ángel de la Muerte' por sus experimentos con reclusos judíos y gitanos en Auschwitz.


Segundo este relato, a Mossad preferiu ter um pássaro na mão do que dois a voar.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A crise nipónica continua

El primer ministro japonés, Yasuo Fukuda, ha anunciado que dimitirá de su puesto por considerar que es lo mejor para Japón, después de poco menos de un año en el cargo, marcado por el bloqueo opositor en el Senado.

Talvez seja a medida mais sensata de Fukuda, apresentar a demissão, permitindo, assim, que os japoneses decidam o futuro do país. Desde a saída de Koizumi que a estabilidade não é clima dominante no império do Sol nascente.