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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Uma oportunidade para o Médio Oriente

Hamas quiere entablar un diálogo directo con el gobierno de Obama

Esta atitude do Hamas, de querer dialogar directamente com os EUA, é de saudar e elogiar. Obama devia deixar de lado os pruridos que a Administração de Bush Jr. sempre demonstrou em relação ao Hamas.

Ao acolher este repto, os EUA estarão a dar mais força à ala moderada do Hamas, a afastar este grupo da órbita do regime de Teerão, a comprometê-lo com a responsabilidade que deve partilhar com a Fatah, de serem construtores do Estado palestiniano em sã convivência com Israel.

Esta é uma boa oportunidade e manifestando o Hamas a disponibilidade de diálogo, é de aproveitar. O discurso de Obama no Cairo foi o rastilho aproveitado pelo Hamas para esta atitude. Oxalá o Presidente dos EUA corresponda ao que disse.

A infantilidade e preparação Republicana

A oposição republicana, sob a batuta do ex-vice-presidente Dick Cheney, lamenta que Obama veja o terrorismo “como um problema de segurança e um desafio diplomático e não como uma guerra”.

Dick Cheney está mais preocupado em legitimar os erros e retórica do passado, de que foi um dos grandes mentores, do que em lidar e contribuir para a melhoria das condições de segurança.

Os Republicanos estão a montar a campanha e respectivo tema para as eleições intercalares do Outono, momento que servirá para avaliar o mandato de Obama e os Republicanos esperam iniciar a recuperação, depois dos mandatos de Bush Jr.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Coisas que não batem certo

A Al-Qaeda estaria a preparar um atentado na capital do Iémen, disse John Brennan, o conselheiro para as medidas anti-terrorismo de Barack Obama, para explicar por que é que a embaixada dos Estados Unidos naquele país foi hoje encerrada. A do Reino Unido encerrou também e a de Espanha fechou ao público.

Há muito que o Iémen apresentava um risco, em especial no quadro regional. Ainda há pouco mais de um mês as forças armadas sauditas intervieram no Iémen para diminuir um foco de conflito, tendo, no momento, Teerão criticado o regime saudita e norte-americano. Suspeitou-se que o regime dos ayatollas apoiava o grupo xiita no Iémen (maioritário). Por onde andariam os elementos da Al-Qaeda? De certeza que não chegaram depois deste conflito. E não é um atentado falhado, a Detroit, que faz levantar o nível de risco, pois ele já era elevado. Como ainda há poucos dias o General Petreaus reconheceu.

sábado, 2 de janeiro de 2010

A falta de memória de Cheney

A oposição republicana nos Estados Unidos têm vindo a criticar o chefe de Estado, avaliando que a sua política de segurança é “fraca” – tema que deverá tornar-se central na campanha para as eleições intercalares de Novembro próximo, quando tentarão retirar aos democratas o controlo das duas câmaras do Congresso.

Esta carga de críticas foi liderada nos últimos dias pelo ex-vice-presidente norte-americano Dick Cheney (número dois de George W. Bush), o qual acusou expressamente o chefe de Estado de “fingir” que os Estados Unidos não estão em guerra.


Que os Republicanos critiquem Obama não é surpresa. Que seja Dick Cheney a fazer essas despesas é que se dispensava, ou será que o antigo Vice-Presidente esquece-se das trapalhadas que provocou, e ainda hoje se sentem, nos EUA e no mundo?

Um pouco de recato não ficava nada mal a um amargo e muito ressentido Cheney.

Obama está a cumprir a sua missão

A questão que o André suscita nada tem a ver com a atitude de Obama face ao terrorismo, mas sim com os obamistas que depositavam esperanças no novo Presidente, de que não teria de declarar guerra a ninguém. Mas o mundo não é um mar de rosas e a presidência de Obama não traria qualquer Paz ao mundo.

Ao contrário do que dava a entender, entrelinhas, na campanha contra McCain, Obama tem assumido uma postura externa quase sempre correcta. No combate ao terrorismo as medidas têm sido acertadas e os erros cometidos, como o do dia de Natal - do atentado falhado em Detroit, têm sido rapidamente admitidos e procurados corrigir.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Lula a desacreditar-se

O presidente do Brasil, Lula da Silva, exortou hoje os Estados Unidos e a Rússia a desmontarem os seus arsenais nucleares "para terem autoridade moral" para exigir ao Irão que não fabrique a bomba atómica.

De duas uma, ou Lula não tem percepção da História ou está a espalhar-se ao comprido, com estas afirmações.

Será que o Presidente brasileiro, para mostrar a sua vontade pacífica, terminaria com as Forças Armadas brasileiras?

Depois do erro de colocar Zelaya na embaixada brasileira de Tegucigalpa, a defesa acérrima do projecto nuclear iraniano é um erro, tendo em conta a dimensão regional, na qual o Irão se encontra, e mundial, com o "cerco" da Comunidade Internacional ao projecto nuclear. Hoje, já nem Moscovo mete as mãos no fogo por Ahmadinejad.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Quadratura do círculo - EUA

Obama fez ontem, provavelmente, o seu mais importante discurso, no qual apresentou as balizas da sua política internacional, em especial a que concerne no combate ao terrorismo.

Perante uma grave crise financeira, que tem provocado fortes impactos nos EUA, com um défice galopante, e com guerras árduas de travar, Obama sabe que os Estados Unidos não conseguem nem têm capacidade de, por si só, dar resposta às várias frentes.

Por isso, uma selecção de prioridades impunha-se e Obama escolheu: o Paquistão, ainda que este não seja o principal e imediato destinatário da sua política, mas sim o Afeganistão.

A intervenção no Iraque, a mais irresponsável opção militar da Administração Bush, tem o seu fim à vista. Independentemente das considerações e da situação, Washington sente que pode em breve passar a responsabilidade para as autoridades de Bagdad, pois os esforços têm de se concentrar no Afeganistão.

É, na terra dos talibã, que a ofensiva vai avançar, com mais 30 mil militares, a juntar aos quase 70 mil localizados no sul deste país, numa sincera e leal resposta ao pedido do General McChrystal de contar com mais tropas, para travar os talibãs e a Al-Qaeda. Mas esta intervenção, mais do que pensada no Afeganistão é cogitada por causa do Paquistão. A cereja que poderia estar no topo do bolo das pretensões terroristas, dado o poder nuclear paquistanês. Este é o grande objectivo do fundamentalismo, possuir poder nuclear.

Todavia, o Paquistão conta com forças próprias, que não podem ser desconsideradas ou ultrapassadas. Ainda que possam ser dúbias para o Ocidente, como a todo-poderosa ISI ou as Forças Armadas. Neste momento, o necessário, como tem sido até ao momento, será o encontro com os interlocutores locais, para travar o avanço do terrorismo nesta potência nuclear.

Se Obama aposta, e bem, no Afeganistão, e por inerência no Paquistão, campos decisivos para a segurança mundial, o Presidente norte-americano falha, ao querer estabelecer uma data de retirada, por sinal, coincidente com o momento em que lhe faltará um ano para terminar o mandato na Casa Branca. Não sabemos que evoluções existirão e que respostas serão necessárias dar. A guerra não é uma questão aritmética.

É evidente que Obama está a ter em consideração a dimensão de segurança (investir onde é preciso), mas também tem a financeira, pois a manutenção de tropas em várias frentes continua a deixar os cofres dos EUA mais devedores. E Washington está a ficar cada vez mais refém do exterior.

A jogada assumida é elevada e o risco enorme. Mas é importante que esta Administração norte-americana perceba que além do calendário eleitoral há a dimensão da segurança, que não se compagina com o natural interesse de ganhar eleições. É, por isso, que Obama pode conseguir travar, para já, as pretensões radicais, mas, ao mesmo tempo, pode estar a reforçá-las.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Desentendimento entre Washington e Tel Aviv

Israel's prime minister has refused to commit to an independent Palestinian state during talks with Barack Obama, the US president, at the White House.

Na primeira reunião de trabalho de Obama e Netanyahu, na Casa Branca, ficou patente o desentendimento das duas partes quanto ao futuro da região. Obama, e bem, defende a existência de dois Estados. O actual Primeiro-Ministro israelita afasta, para já, essa tese.

Quando mais se podia esperar por uma oportunidade de entendimento de todos, com os EUA empenhados, com os palestinianos (Fatah e Hamas) a entenderem-se, só Israel surge a bloquear o diálogo.

Teerão agradece

Obama dará até final do ano para avaliar negociações com o Irão

O mundo continua a demonstrar total impotência para travar o processo nuclear iraniano. Com esta postura, Obama continua a dar incentivo a quem, no Irão, pretende armar o país com poderio nuclear.

terça-feira, 14 de abril de 2009

As 'danças' no Cáucaso

As Armenia and Turkey come close to normalizing ties, which will not only contribute to the stability of the volatile South Caucasus but also to relations between Ankara and Yerevan, Azerbaijan has taken a last minute stance that can only be perceived as an act of sabotage supported by Russia.

The implementation of the package long negotiated between Turkey and Armenia, with Azerbaijan being informed of almost all steps, has now been jeopardized by both Azerbaijan and Russia.

Um artigo interessante, a merecer leitura, para perceber um pouco mais do que se passa em termos de entendimentos, e desentendimentos, no Cáucaso.

O acentuar da derrocada de Fidel

Obama põe fim às restrições de viagens e ao envio de dinheiro para Cuba

Depois de décadas a alimentar o embargo, grande sustento das teses e posições de Fidel contra os EUA, Obama dá mais um passo no sentido de derrubar o sistema económico e social cubano, com o fim das restrições norte-americanas.
A Cimeira das Américas, dentro de dias, em Trinidad e Tobago, será um momento de interesse, em especial pelo possível encontro entre Obama e Raúl. Este confronta-se, cada vez mais, com o seu papel na história de Cuba: será o homem da transição ou o último líder comunista da ilha?

domingo, 5 de abril de 2009

O onirismo de Obama

Obama defende mundo sem armas nucleares

Destas primeiras semanas de Obama, há muito trabalho que esta Administração está a fazer. E na globalidade, está a fazer bem. Porém, em termos de política externa, Obama comete um erro grave: estender o tapete vermelho às autoridades de Teerão. Como as relações internacionais demonstram, o realismo deve ser mais predominante que o onirismo. E se Teerão com todas as pressões que recebeu nos últimos anos conseguiu que não travassem o processo nuclear, a oportunidade para fazer avançar este programa aumenta com o afrouxar de posição da Comunidade Internacional.
Por outro lado, e apesar de não cumprir, e bem, o que prometeu na campanha, de retirar, quanto antes, os militares do Iraque, Obama está, também aqui, a abrir a porta ao Irão para dominar o Iraque, o que representa, a médio prazo, uma grande ameaça para a região. Riade, por exemplo, que o diga.
Agora, em Praga, Obama declara um “mundo sem armas nucleares”. O Presidente norte-americano diz que tal pode não acontecer na sua vida. O que é mais do que uma certeza. Todavia, Obama devia deixar de iludir as pessoas, pois num momento em que a ambição pelo poderio nuclear aumenta, além do Irão, o que se está a passar no Paquistão é deveras preocupante; a Rússia jamais abdicará de um dos pilares que lhe dá posição e força no globo, entre outros Estados, como a Índia, até pela mais ou menos presente ameaça paquistanesa, não vão abdicar do seu arsenal nuclear. E anda o Presidente dos EUA a dizer aos quatro ventos que quer um mundo sem armas nucleares. Com todos os defeitos que os EUA têm, e não são poucos, os EUA continuam a ser o garante da segurança mundial. E Obama não pode esquecer que o seu país tem esta missão, que até ao momento, tem garantido a nossa segurança global.
Será que o que se passou, há poucas horas, com a Coreia do Norte, não é mais uma demonstração das palavras erradas de Obama?

(Publicado no Câmara de Comuns)

terça-feira, 24 de março de 2009

Mudanças que não existem

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, chamou o presidente Barack Obama, de «pobre ignorante», ao rejeitar as declarações nas quais, segundo ele, o americano o teria acusado de exportar terrorismo e de ser um obstáculo para o desenvolvimento da América Latina.

Há quem espere, e deseje, muitas mudanças nos EUA, mas do mesmo modo "change" é algo que não se pode esperar de Caracas, enquanto o populismo reinar a Venezuela.
Por outro lado, será merecedor de atenção a governação de Chávez a partir de agora, quanto os petrodolares começam a diminuir.

quarta-feira, 11 de março de 2009

O mundo continua a girar

Uns dias sem blogar e muito mudou entretanto. Aqui ao lado, em Espanha, os populares voltaram ao poder na Galiza, como se aqui se suspeitou, e os socialistas estão à beira de governar, pela primeira vez, o País Basco, como aqui se referiu.
Na Áustria, a extrema-dereita de Haider sobreviveu ao seu recente desaparecimento e o BOZ, no primeiro e decisivo teste, já sem Haider, ganhou a eleição do land da Caríntia. Uma vez mais com as velhas bandeiras: contra a UE e contra a imigração.
Na Irlanda do Norte regressou o terror dos bandos marginais do IRA, com a tentativa de travar o processo de Paz. Felizmente, Governo britânico e irlandês, assim como o Sinn Fein condenaram as mortes do último domingo.
Mudanças podem ocorrer em breve na Dinamarca, com a forte possibilidade do actual Primeiro-Ministro, Anders Fogh Rasmussen, ser indicado para o lugar de Secretário-Geral da NATO.
Em África, e na sequência da previsível ordem de detenção do Presidente do Sudão, por parte do Tribunal Criminal Internacional, o continente foi quase unânime na recusa da decisão do Tribunal de Haia.
Onde as surpresas infelizmente não abundam é no Zimbabué, onde Mugabe, rei e senhor de um país esgotado e doente, vê o seu Primeiro-Ministro, Tsvangirai, ser alvo de um acidente (?) de carro, do qual ficou ferido e resultou na morte da sua mulher. Não sem antes, numa terra onde a fome prospera, o déspota de Harare comemorar o seu aniversário com um bolo de 85 quilos. Não há fome que dê fartura!
Na Guiné-Bissau, enterrados os assassinatos, a incerteza e a fragilidade do país continuam a perpetuar-se, sem qualquer sinal de saída para o estado calamitoso em que se encontra.
Das Américas vêm as melhores notícias, pois da Ásia, verifica-se um Presidente paquistanês sem mão no país (e a morte de uma equipa de cricket do Sri Lanka em solo paquistanês) apenas é mais um comprovativo de um Estado sem liderança reconhecida e respeitada e no qual o terror continua sem freio.
Na China, o Tibete volta a estar debaixo de atenções, com o Dalai Lama, no exílio, a trocar galhardetes com as autoridades de Pequim, donas da região que não querem autonomizar.
Não menos preocupante são os fechos de site de apoio à candidatura presidencial de Khatami no Irão.
Mas, como se referiu, das Américas vêm boas notícias. A começar nos EUA, com boas medidas de Obama, quer no retomar do financiamento público da investigação das células estaminais quer na profunda reforma na Educação, com o premiar dos docentes competentes e penalizar os medíocres. Também dos Estados Unidos vêm boas notícias nas relações com Cuba, com os primeiros sinais de flexibilização. E, de Havana, a resposta não se fez esperar. Dois dos mais importantes ministros da era Fidel saíram pela mão de Raúl. E em Abril pode haver sinais de encontro público entre responsáveis norte-americanos e cubanos. Veremos.
O que não acontece numa semana... e com tantos posts que ficaram por pingar!

terça-feira, 3 de março de 2009

O rumo de Washington para o Médio Oriente

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou nesta terça-feira que vai pressionar pela criação de um Estado palestino, medida que pode afetar seriamente as relações entre Washington e o governo do primeiro-ministro indicado de Israel, Binyamin Netanyahu, do conservador Likud. Israel é o principal aliado dos EUA na região.

Esta Administração norte-americana está a assumir um papel empenhado na resolução do conflito do Médio Oriente, não caindo na velha tentação de adiar para amanhã o processo que deve ser começado agora.
Hillary Clinton disse, sem papas na língua, qual a posição de Washington. Esperemos que da parte do próximo Governo israelita haja a mesma vontade de encontrar saídas estáveis para todos.