Caro Zé,
Segundo texto que me diriges, e o que escrevi, para ti tanto se faz como deu. Nem te pronuncias quanto ao projecto gasto e esgotado que entendes apoiar.
Limitaste a reiterar a tua premissa: que eu sou acrítico. À qual juntas agora dois pontos, que eu te devo razão e estou em campanha.
Quanto à questão de estar ou não em campanha, se refiro um apoio a um candidato, segundo a lógica, devo estar, mesmo que não tenha nenhum letreiro a indicar: campanha.
Tu declaras que apoias um candidato, mas não fazes campanha (faz-me lembrar aquele sketch dos 'Gato Fedorento' imitando Marcelo Rebelo de Sousa na campanha da IVG).
Quanto ao dar-te razão, normalmente só a pede quem não a sente.
Em suma, tu crês, e eu respeito, apesar de não conceber, que um projecto político (que reage do mesmo modo às derrotas como às vitórias que os cidadãos atribuem) com 13 anos e com o mesmo líder se renova.
Se quiseres um exemplo análogo e mais evidente, em matéria de renovação, e à escala de um país, os dirigentes do PS francês também consideram que o seu projecto (anacrónico) se renova, por isso, infelizmente, o partido continua na oposição, porque os cidadãos assim o entendem.
Penso que em Lisboa há muitos militantes do PS que querem uma mudança, com uma concelhia activa e forte. Militantes estes, que no teu entender, provavelmente, também devem ser acríticos.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
O debate necessário
Caro Rui,
Não se trata de ginástica, mas distinguir as coisas.
De facto, o Tratado de Lisboa não é o Tratado Constitucional, ainda que boa parte tenha inspiração no último documento. O facto de textos anteriores continuarem em vigor são disso prova. O que não se verificava caso o documento do Tratado Constitucional fosse aprovado.
Refere-se a questão da queda dos símbolos (bandeira, hino). Mas este ponto, apesar de simbólico, tem o seu peso e não é pouco, conforme a História europeia demonstra. Por cá algumas vozes tendem a desprezar esta dimensão, fazendo mal, pois a sua influência é bem elevada. Os símbolos são importantes em qualquer comunidade.
Por outro lado, importa ressuscitar uma referência que parece ter ficado esquecida em 2005: o Tratado Constitucional não era uma Constituição, no sentido de instituir um Estado, ou, segundo alguns, um superEstado europeu.
A União Europeia, por mais que se aprofunde a sua construção (e eu sou defensor do aprofundamento), não assumirá nem terá uma estrutura semelhante às federações, como a Alemanha ou os Estados Unidos.
Trata-se de uma nova realidade, democrática, sem paralelo no mundo, e ainda em construção. Devemos ter presente.
As soberanias nacionais não serão abolidas nem desaparecerão. Recebem um processo de transformação. É inevitável, a corrente dos tempos a isso conduz, queiramos ou não. Porém, deve ter-se presente que qualquer pretensão de suprimir soberanias nacionais é meio passo para um retrocesso na construção. As soberanias estão, neste momento, num processo de transformação, que não se sabe quais os novos contornos que assumirá. Será, porém, distinta das soberanias de outras eras. (Com o Tratado de Lisboa, os Parlamentos nacionais passam a contar com mais poder, como se pode pensar em perda de soberania?!)
A força está na União, não na supressão, até porque foi a supressão que conduziu a Europa à tragédia. Nunca nos podemos esquecer das raízes do projecto europeu: Democracia, Paz e Prosperidade para os povos europeus.
Em suma, e goste-se ou não do projecto europeu, seremos tão mais fortes e concomitantemente mais resistentes às adversidades na era global, quanto maior for a integração.
O Tratado de Lisboa vem reestruturar as instituições europeias, que bem precisam de maior funcionalidade e mais eficácia, para estes tempos.
Se esperamos que o Tratado de Lisboa seja a salvação da crise europeia que atravessamos, não vale a pena, mas será um bom auxílio na saída que queremos ter deste período pouco próspero.
Em suma, por estas e por outras questões é que valia a pena um referendo. Sempre se debateria a nível nacional a UE.
P.S.- Deduzo que mais do que o péssimo resultado do teu clube, tenha sido a pobre exibição realizada no Bonfim. Mais um jogo para esquecer! Pela minha parte, gostei do resultado e do jogo do Vitória, que merecia um marcador um pouco mais dilatado! :)
Não se trata de ginástica, mas distinguir as coisas.
De facto, o Tratado de Lisboa não é o Tratado Constitucional, ainda que boa parte tenha inspiração no último documento. O facto de textos anteriores continuarem em vigor são disso prova. O que não se verificava caso o documento do Tratado Constitucional fosse aprovado.
Refere-se a questão da queda dos símbolos (bandeira, hino). Mas este ponto, apesar de simbólico, tem o seu peso e não é pouco, conforme a História europeia demonstra. Por cá algumas vozes tendem a desprezar esta dimensão, fazendo mal, pois a sua influência é bem elevada. Os símbolos são importantes em qualquer comunidade.
Por outro lado, importa ressuscitar uma referência que parece ter ficado esquecida em 2005: o Tratado Constitucional não era uma Constituição, no sentido de instituir um Estado, ou, segundo alguns, um superEstado europeu.
A União Europeia, por mais que se aprofunde a sua construção (e eu sou defensor do aprofundamento), não assumirá nem terá uma estrutura semelhante às federações, como a Alemanha ou os Estados Unidos.
Trata-se de uma nova realidade, democrática, sem paralelo no mundo, e ainda em construção. Devemos ter presente.
As soberanias nacionais não serão abolidas nem desaparecerão. Recebem um processo de transformação. É inevitável, a corrente dos tempos a isso conduz, queiramos ou não. Porém, deve ter-se presente que qualquer pretensão de suprimir soberanias nacionais é meio passo para um retrocesso na construção. As soberanias estão, neste momento, num processo de transformação, que não se sabe quais os novos contornos que assumirá. Será, porém, distinta das soberanias de outras eras. (Com o Tratado de Lisboa, os Parlamentos nacionais passam a contar com mais poder, como se pode pensar em perda de soberania?!)
A força está na União, não na supressão, até porque foi a supressão que conduziu a Europa à tragédia. Nunca nos podemos esquecer das raízes do projecto europeu: Democracia, Paz e Prosperidade para os povos europeus.
Em suma, e goste-se ou não do projecto europeu, seremos tão mais fortes e concomitantemente mais resistentes às adversidades na era global, quanto maior for a integração.
O Tratado de Lisboa vem reestruturar as instituições europeias, que bem precisam de maior funcionalidade e mais eficácia, para estes tempos.
Se esperamos que o Tratado de Lisboa seja a salvação da crise europeia que atravessamos, não vale a pena, mas será um bom auxílio na saída que queremos ter deste período pouco próspero.
Em suma, por estas e por outras questões é que valia a pena um referendo. Sempre se debateria a nível nacional a UE.
P.S.- Deduzo que mais do que o péssimo resultado do teu clube, tenha sido a pobre exibição realizada no Bonfim. Mais um jogo para esquecer! Pela minha parte, gostei do resultado e do jogo do Vitória, que merecia um marcador um pouco mais dilatado! :)
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
É tempo de contar com um PS activo e forte em Lisboa
Caro Zé,
Respeito a tua opção, quanto ao candidato que apoias à Concelhia de Lisboa, mas divergimos no apoio. É natural e salutar que haja entendimentos diferentes.
E o que está em causa no meu apoio ao Miguel Teixeira? Não são acríticas, como consideras. Aliás, conhecendo-me, minimamente, como me conheces, devo dizer-te que é um pouco bizarro afirmares isso, que eu apoio uma pessoa acriticamente. Enfim... Vou acreditar que foi um lapso teu.
Voltando ao que importa - o porquê de apoiar o Miguel Teixeira em vez do Miguel Coelho -, são razões sensatas e lógicas que estão na base da minha decisão e do meu apoio.
Quando escrevi que o Miguel Coelho tem um projecto gasto (1) e esgotado (2) - ao fim e ao cabo é o motivo pelo qual me interpelaste -, é porque tal se verifica. E só não o reconheces se não quiseres. O que também te assiste.
(1) Além de serem muitos anos de liderança, quase 13! (o Miguel Coelho assumiu Concelhia ainda Mário Soares era Presidente da República e Cavaco Silva Primeiro-Ministro) o que, inevitavelmente, qualquer pessoa percebe que transporta o fardo de um desgaste de muitos tempo de liderança, e é natural em qualquer organização ao fim de um determinado período que a frescura, a inovação e a força se esfumem, como aconteceu na Concelhia de Lisboa, tendo mirrado os objectivos e deixado de se encarar os desafios, uma organização acaba por se encontrar vazia de inovação e afirmação, dando por si ao sabor dos tempos, como se verifica ( se quiseres melhor exemplo, a interpretação dos resultados das autárquicas em Lisboa são disso exemplo, não houve vontade nem querer na Concelhia de interpretar os resultados que os lisboetas deram ao PS nos últimos actos autárquicos – em política devem assumir-se responsabilidades, não se quiseram assumir no PS/ Lisboa).
(2) Por outro lado, e se te recordares, já lá vão uns bons anos, bem sei, nessa altura até tu, meu caro Zé, eras um crítico do trabalho do Miguel Coelho; mas convém lembrar que o Miguel Coelho fez um bom trabalho nos primeiros mandatos da Concelhia. Não o escondo, como não me arrependo de nesses anos o ter apoiado. Ele dinamizou a estrutura da Concelhia. Era raro o trimestre, nos primeiros mandatos, em que não havia espaços para a militância activa. Infelizmente, essa vitalidade acabou por desaparecer. E o que assistimos nos últimos anos? A uma concelhia apática, sem a força e vitalidade. Uma liderança que acabou por ser o oposto dos primeiros e bons anos de mandato. Um Miguel Coelho que se anulou a si próprio. Não foi por acaso que num dos primeiros dos vários mandatos o Miguel Coelho obteve mais de 2/3 dos votos. Porquê? Simples. Os militantes reconheciam-lhe trabalho e mérito. Hoje evidencia-se um cansaço e desgaste que se tentam disfarçar e que os militantes do PS/Lisboa, sejam ou não apoiantes do Miguel Coelho, sabem e percebem isso, mesmo que o não queiram admitir em público.
Se apoio o Miguel Teixeira é por o conhecer e, mais do que o conhecer, pois os apoios em política não se devem prestar por conhecimentos, mas por identificação e adesão a projectos e causas, o Miguel Teixeira dá a garantia de assumir um projecto concelhio que vai devolver a vitalidade ao partido na cidade, pois o bom e vasto trabalho que tem desenvolvido na Secção de Alvalade, e que tem sido amplamente reconhecido, é disso prova.
Por exemplo, uma pessoa que está acima de qualquer suspeita e não tem qualquer vínculo à concelhia de Lisboa, como António José Seguro, destaca a vivacidade com que se debate em Alvalade.
Não vale a pena ignorar, fingir ou mascarar o que está verdadeiramente em causa, e os militantes do PS/Lisboa sabem disso. No próximo dia 7 de Março há uma de duas escolhas: ou a continuação de um projecto que nada mais tem para oferecer ou uma mudança que vai dinamizar e revitalizar o PS/Lisboa.
Sou dos que quer voltar a ter uma Concelhia activa e dos militantes, por isso apoio e voto no Miguel Teixeira.
Respeito a tua opção, quanto ao candidato que apoias à Concelhia de Lisboa, mas divergimos no apoio. É natural e salutar que haja entendimentos diferentes.
E o que está em causa no meu apoio ao Miguel Teixeira? Não são acríticas, como consideras. Aliás, conhecendo-me, minimamente, como me conheces, devo dizer-te que é um pouco bizarro afirmares isso, que eu apoio uma pessoa acriticamente. Enfim... Vou acreditar que foi um lapso teu.
Voltando ao que importa - o porquê de apoiar o Miguel Teixeira em vez do Miguel Coelho -, são razões sensatas e lógicas que estão na base da minha decisão e do meu apoio.
Quando escrevi que o Miguel Coelho tem um projecto gasto (1) e esgotado (2) - ao fim e ao cabo é o motivo pelo qual me interpelaste -, é porque tal se verifica. E só não o reconheces se não quiseres. O que também te assiste.
(1) Além de serem muitos anos de liderança, quase 13! (o Miguel Coelho assumiu Concelhia ainda Mário Soares era Presidente da República e Cavaco Silva Primeiro-Ministro) o que, inevitavelmente, qualquer pessoa percebe que transporta o fardo de um desgaste de muitos tempo de liderança, e é natural em qualquer organização ao fim de um determinado período que a frescura, a inovação e a força se esfumem, como aconteceu na Concelhia de Lisboa, tendo mirrado os objectivos e deixado de se encarar os desafios, uma organização acaba por se encontrar vazia de inovação e afirmação, dando por si ao sabor dos tempos, como se verifica ( se quiseres melhor exemplo, a interpretação dos resultados das autárquicas em Lisboa são disso exemplo, não houve vontade nem querer na Concelhia de interpretar os resultados que os lisboetas deram ao PS nos últimos actos autárquicos – em política devem assumir-se responsabilidades, não se quiseram assumir no PS/ Lisboa).
(2) Por outro lado, e se te recordares, já lá vão uns bons anos, bem sei, nessa altura até tu, meu caro Zé, eras um crítico do trabalho do Miguel Coelho; mas convém lembrar que o Miguel Coelho fez um bom trabalho nos primeiros mandatos da Concelhia. Não o escondo, como não me arrependo de nesses anos o ter apoiado. Ele dinamizou a estrutura da Concelhia. Era raro o trimestre, nos primeiros mandatos, em que não havia espaços para a militância activa. Infelizmente, essa vitalidade acabou por desaparecer. E o que assistimos nos últimos anos? A uma concelhia apática, sem a força e vitalidade. Uma liderança que acabou por ser o oposto dos primeiros e bons anos de mandato. Um Miguel Coelho que se anulou a si próprio. Não foi por acaso que num dos primeiros dos vários mandatos o Miguel Coelho obteve mais de 2/3 dos votos. Porquê? Simples. Os militantes reconheciam-lhe trabalho e mérito. Hoje evidencia-se um cansaço e desgaste que se tentam disfarçar e que os militantes do PS/Lisboa, sejam ou não apoiantes do Miguel Coelho, sabem e percebem isso, mesmo que o não queiram admitir em público.
Se apoio o Miguel Teixeira é por o conhecer e, mais do que o conhecer, pois os apoios em política não se devem prestar por conhecimentos, mas por identificação e adesão a projectos e causas, o Miguel Teixeira dá a garantia de assumir um projecto concelhio que vai devolver a vitalidade ao partido na cidade, pois o bom e vasto trabalho que tem desenvolvido na Secção de Alvalade, e que tem sido amplamente reconhecido, é disso prova.
Por exemplo, uma pessoa que está acima de qualquer suspeita e não tem qualquer vínculo à concelhia de Lisboa, como António José Seguro, destaca a vivacidade com que se debate em Alvalade.
Não vale a pena ignorar, fingir ou mascarar o que está verdadeiramente em causa, e os militantes do PS/Lisboa sabem disso. No próximo dia 7 de Março há uma de duas escolhas: ou a continuação de um projecto que nada mais tem para oferecer ou uma mudança que vai dinamizar e revitalizar o PS/Lisboa.
Sou dos que quer voltar a ter uma Concelhia activa e dos militantes, por isso apoio e voto no Miguel Teixeira.
Referendar ou não o Tratado de Lisboa?
UE/Tratado: PS aprova ratificação parlamentar por maioria
Desde já, importa reconhecer que a ratificação por via parlamentar tem tanta legitimidade como a convocação de um referendo.
Quanto ao referendo ou não do Tratado de Lisboa, e de acordo com o que se tem verificado em Portugal desde a adesão às Comunidades Europeias, o sentido de ratificação parlamentar tem sido adoptado e, por isso, esta via tem o seu sentido em ser mantida no presente caso. Não se referendou Maastricht, Amesterdão ou Nice. Sendo o de Lisboa um sucessor dos anteriores Tratados, em nada me choca que a aprovação do novo Tratado se realize na Assembleia da República.
Dirão, todavia, algumas, que há um quebrar de compromisso eleitoral do PS, pois comprometera-se em 2005 submeter a referendo o Tratado Constitucional.
Ora, como o substantivo indica, não é apenas uma mudança de nome, entre Constitucional ou Lisboa. São, também, documentos distintos e de horizontes distintos. Por isso, não há nenhuma quebra de compromisso, pois ao contrário do Tratado Constitucional, que tinha um alcance mais vasto e abrangente quando comparado com o Tratado de Lisboa, o Tratado Constitucional, entrando em vigor, contribuiria para uma modificação significativa em termos de ordenamento comunitário. Por exemplo, com o Tratado de Lisboa, os documentos fundadores, como o Tratado de Roma de 1957, continuam a ter a sua validade, o que não se verificaria com o Tratado Constitucional, que seria o único texto da UE.
No entanto, gostaria que este Tratado de Lisboa, pelo facto de ter sido trabalhado pela Presidência portuguesa da UE, fosse submetido a referendo.
Desde já, importa reconhecer que a ratificação por via parlamentar tem tanta legitimidade como a convocação de um referendo.
Quanto ao referendo ou não do Tratado de Lisboa, e de acordo com o que se tem verificado em Portugal desde a adesão às Comunidades Europeias, o sentido de ratificação parlamentar tem sido adoptado e, por isso, esta via tem o seu sentido em ser mantida no presente caso. Não se referendou Maastricht, Amesterdão ou Nice. Sendo o de Lisboa um sucessor dos anteriores Tratados, em nada me choca que a aprovação do novo Tratado se realize na Assembleia da República.
Dirão, todavia, algumas, que há um quebrar de compromisso eleitoral do PS, pois comprometera-se em 2005 submeter a referendo o Tratado Constitucional.
Ora, como o substantivo indica, não é apenas uma mudança de nome, entre Constitucional ou Lisboa. São, também, documentos distintos e de horizontes distintos. Por isso, não há nenhuma quebra de compromisso, pois ao contrário do Tratado Constitucional, que tinha um alcance mais vasto e abrangente quando comparado com o Tratado de Lisboa, o Tratado Constitucional, entrando em vigor, contribuiria para uma modificação significativa em termos de ordenamento comunitário. Por exemplo, com o Tratado de Lisboa, os documentos fundadores, como o Tratado de Roma de 1957, continuam a ter a sua validade, o que não se verificaria com o Tratado Constitucional, que seria o único texto da UE.
No entanto, gostaria que este Tratado de Lisboa, pelo facto de ter sido trabalhado pela Presidência portuguesa da UE, fosse submetido a referendo.
Capitalizar possíveis votos
Caro Nuno,
Tudo serve para capitalizar votos para 9 de Março.
A recente questão entre o Governo do PSOE e a Igreja Católica espanhola, que já mereceu comentários indirectos por parte do Papa Bento XVI no início desta semana, a propósito da laicidade do Estado defendida por Zapatero - entendendo o Governo que esta deve ser garantida e considerando a Igreja espanhola que está a ser alvo de perseguição por parte do poder político socialista -, tem este caso novo interveniente, Gaspar Llamazares. A sua proposta, irónica mas nada inocente, de um comício no Vaticano defendendo o casamento entre homossexuais, é mais um ponto para acrescentar a este conto, no qual o PP ainda não se envolveu.
O líder da IU considera que o PSOE tem, neste caso, um discurso tíbio (à direita diz-se, quase, que o PSOE tem uma intervenção jacobina!) e, assim, pretende Llamazares cativar votos junto dos que mais pretendem distanciamento do clero.
Todos os votos estão em disputa. E entre PSOE e IU bem devem estar alguns eleitores indecisos quanto à escolha.
Um piscar de olhos de IU a uma pequena faixa eleitorado de esquerda que pode ser tentada a votar útil, dada a polarização que se antevê entre PSOE e PP.
Tudo serve para capitalizar votos para 9 de Março.
A recente questão entre o Governo do PSOE e a Igreja Católica espanhola, que já mereceu comentários indirectos por parte do Papa Bento XVI no início desta semana, a propósito da laicidade do Estado defendida por Zapatero - entendendo o Governo que esta deve ser garantida e considerando a Igreja espanhola que está a ser alvo de perseguição por parte do poder político socialista -, tem este caso novo interveniente, Gaspar Llamazares. A sua proposta, irónica mas nada inocente, de um comício no Vaticano defendendo o casamento entre homossexuais, é mais um ponto para acrescentar a este conto, no qual o PP ainda não se envolveu.
O líder da IU considera que o PSOE tem, neste caso, um discurso tíbio (à direita diz-se, quase, que o PSOE tem uma intervenção jacobina!) e, assim, pretende Llamazares cativar votos junto dos que mais pretendem distanciamento do clero.
Todos os votos estão em disputa. E entre PSOE e IU bem devem estar alguns eleitores indecisos quanto à escolha.
Um piscar de olhos de IU a uma pequena faixa eleitorado de esquerda que pode ser tentada a votar útil, dada a polarização que se antevê entre PSOE e PP.
Eleição decisiva
A vitória de Hillary em New Hampshire foi importante para (re)lançar a corrida da Senadora de Nova Iorque.
Com uma candidatura em ascendente de Obama, a eleição de ontem era determinante para clarificar qual dos concorrentes Democratas se encontra em melhor situação para vencer as primárias.
A vitória de Hillary, apesar de tangencial, deve ser decisiva para o desfecho final.
Com uma candidatura em ascendente de Obama, a eleição de ontem era determinante para clarificar qual dos concorrentes Democratas se encontra em melhor situação para vencer as primárias.
A vitória de Hillary, apesar de tangencial, deve ser decisiva para o desfecho final.
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Um bom momento para fomentar e manter a militância activa
Vejo no blogue do PS Lumiar um texto que refere que o PS está em hibernação.
Como sou dos que considero que o PS não se resume aos seus corpos dirigentes nacionais e as estruturas locais contam e são importantes na orgância do partido, como estão agendadas eleições para as concelhias e secções de residência da Federação da Área Urbana de Lisboa no próximo dia 7 de Março, considero, no caso concreto da Concelhia de Lisboa do PS, que teremos, em breve, uma boa oportunidade de ter um momento de debate franco e aberto, em que os militantes do PS/Lisboa terão a oportunidade de escolher um de dois projectos distintos.
Um, que já está gasto e esgotado, assumido pelo Miguel Coelho, e outro que dá garantias de imprimir uma nova dinâmica e que tem o militante no centro da decisão, liderado pelo Miguel Teixeira.
Eis uma boa altura, portanto, para os militantes socialistas de Lisboa demonstrarem que querem o PS, em Lisboa, activo, dinâmico e inovador, como os tempos presentes requerem e exigem a uma estrutra local.
Como sou dos que considero que o PS não se resume aos seus corpos dirigentes nacionais e as estruturas locais contam e são importantes na orgância do partido, como estão agendadas eleições para as concelhias e secções de residência da Federação da Área Urbana de Lisboa no próximo dia 7 de Março, considero, no caso concreto da Concelhia de Lisboa do PS, que teremos, em breve, uma boa oportunidade de ter um momento de debate franco e aberto, em que os militantes do PS/Lisboa terão a oportunidade de escolher um de dois projectos distintos.
Um, que já está gasto e esgotado, assumido pelo Miguel Coelho, e outro que dá garantias de imprimir uma nova dinâmica e que tem o militante no centro da decisão, liderado pelo Miguel Teixeira.
Eis uma boa altura, portanto, para os militantes socialistas de Lisboa demonstrarem que querem o PS, em Lisboa, activo, dinâmico e inovador, como os tempos presentes requerem e exigem a uma estrutra local.
Simpatias
Caro Rui,
Estamos em quase total sintonia, quanto ao candidato que gostaríamos de ver suceder a Bush: Hillary.
E destaco quase total sintonia porque, se bem que tenhamos a mesma interpretação da preferência - a questão externa, porque nos diz directamente respeito -, já não estamos de acordo quanto ao candidato se fossemos norte-americanos e tivéssemos o poder de escolher.
Dos três candidatos, digo-te que gosto de Hillary e simpatizo com Edwards. Obama, pura e simplesmente, não me inspira grande confiança. Pode ser defeito meu. Admito. Mas aquela aparente candura, de acusar tudo e todos, de apoiar a guerra do Iraque, em 2003, quando ele, se fosse na altura Senador, quase de certeza, votaria no mesmo sentido, não pode querer dar lições de moral, quando já disse que interviria unilateralmente no Paquistão se Musharraf não tivesse mão nos bandos terroristas. Penso que não é preciso nenhuma soma simples para perceber qual seria o resultado para o mundo se as suas palavras se concretizassem. Seria um descalabro mais trágico do que o do Iraque... e critica o Senador do Illinois a intervenção de 2003. O que não diria se analisasse com um pouco de mais atenção a sua proposta.
Como já referi, se em termos internos qualquer candidato Democrata dá mais garantias que qualquer Republicano, já em termos externos, por exemplo, entre Obama e McCain, de longe, prefiro o Senador do Arizona.
Em suma, resta esperar que Hillary triunfe, pois será uma excelente Chefe de Estado.
Estamos em quase total sintonia, quanto ao candidato que gostaríamos de ver suceder a Bush: Hillary.
E destaco quase total sintonia porque, se bem que tenhamos a mesma interpretação da preferência - a questão externa, porque nos diz directamente respeito -, já não estamos de acordo quanto ao candidato se fossemos norte-americanos e tivéssemos o poder de escolher.
Dos três candidatos, digo-te que gosto de Hillary e simpatizo com Edwards. Obama, pura e simplesmente, não me inspira grande confiança. Pode ser defeito meu. Admito. Mas aquela aparente candura, de acusar tudo e todos, de apoiar a guerra do Iraque, em 2003, quando ele, se fosse na altura Senador, quase de certeza, votaria no mesmo sentido, não pode querer dar lições de moral, quando já disse que interviria unilateralmente no Paquistão se Musharraf não tivesse mão nos bandos terroristas. Penso que não é preciso nenhuma soma simples para perceber qual seria o resultado para o mundo se as suas palavras se concretizassem. Seria um descalabro mais trágico do que o do Iraque... e critica o Senador do Illinois a intervenção de 2003. O que não diria se analisasse com um pouco de mais atenção a sua proposta.
Como já referi, se em termos internos qualquer candidato Democrata dá mais garantias que qualquer Republicano, já em termos externos, por exemplo, entre Obama e McCain, de longe, prefiro o Senador do Arizona.
Em suma, resta esperar que Hillary triunfe, pois será uma excelente Chefe de Estado.
Tempestades em copos de água
Caro Nuno,
Até 9 de Março tudo serão tempestades em copos de água que podem salpicar qualquer um.
Primeiro o confronto entre os bispos de Madrid e Valência e o Governo. Depois os dados económicos. Agora o jovem etarra que deu entrada no hospital com maus tratos por presumíveis maus tratos da polícia basca.
No fundo, não deixa de ser curioso, como o Nuno bem assinala, Zapatero foi de todos os Chefes de Governo de Espanha o mais aberto às autonomias, e estas poderão ser obstáculos à sua reeleição, tanto no caso catalão como no basco. O andaluz pode ser uma ajuda decisiva, com a eleição autonómica no mesmo dia.
De qualquer forma, em relação às duas mais delicadas regiões, em termos de confrontação com o Poder Central, poderá haver mais pontes de diálogo com a CiU do que com o PNV. E mesmo que haja entendimento na Catalunha, entre o PSC e a ERC, vai-se percebendo que Zapatero já teve várias aproximações a Artur Más, em especial aquando da aprovação do Estatuto catalão e a saída de cena de Maragall e a 'transferência' de Montilla de Madrid para Barcelona. Sinceramente, não vejo Zapatero e Rodvira com grandes elos de entendimento.
Penso que o PSOE vencerá a eleição mas será difícil alcançar a maioria absoluta. Assim, os entendimentos serão requeridos para a governabilidade estável que o Executivo deve contar.
No caso de Más, mais pragmático e menos ortodoxo que Pujol, pode ser uma carta que Zapatero pode utilizar. Duvido que tal suceda, mas não é de descartar. Veremos os resultados de 9 de Março.
A não perder de vista, por outro lado, a votação da IU.
Até 9 de Março tudo serão tempestades em copos de água que podem salpicar qualquer um.
Primeiro o confronto entre os bispos de Madrid e Valência e o Governo. Depois os dados económicos. Agora o jovem etarra que deu entrada no hospital com maus tratos por presumíveis maus tratos da polícia basca.
No fundo, não deixa de ser curioso, como o Nuno bem assinala, Zapatero foi de todos os Chefes de Governo de Espanha o mais aberto às autonomias, e estas poderão ser obstáculos à sua reeleição, tanto no caso catalão como no basco. O andaluz pode ser uma ajuda decisiva, com a eleição autonómica no mesmo dia.
De qualquer forma, em relação às duas mais delicadas regiões, em termos de confrontação com o Poder Central, poderá haver mais pontes de diálogo com a CiU do que com o PNV. E mesmo que haja entendimento na Catalunha, entre o PSC e a ERC, vai-se percebendo que Zapatero já teve várias aproximações a Artur Más, em especial aquando da aprovação do Estatuto catalão e a saída de cena de Maragall e a 'transferência' de Montilla de Madrid para Barcelona. Sinceramente, não vejo Zapatero e Rodvira com grandes elos de entendimento.
Penso que o PSOE vencerá a eleição mas será difícil alcançar a maioria absoluta. Assim, os entendimentos serão requeridos para a governabilidade estável que o Executivo deve contar.
No caso de Más, mais pragmático e menos ortodoxo que Pujol, pode ser uma carta que Zapatero pode utilizar. Duvido que tal suceda, mas não é de descartar. Veremos os resultados de 9 de Março.
A não perder de vista, por outro lado, a votação da IU.
Ridículo
O PSD defendeu hoje que «a liberdade e a democracia estão em perigo» em Portugal com a tentativa do Governo de «monopolizar o poder, inclusive o poder financeiro» e que o país vive «uma crise económica grande».
Caso para dizer, se o ridículo pagasse imposto, o PPD devia muito ao fisco.
Mais lamentável é o alarme lançado, da Democracia e da Liberdade estarem em causa.
Em causa está a credibilidade do maior partido da oposição, que a perde de dia para dia, tais as posições obtusas que assume.
Caso para dizer, se o ridículo pagasse imposto, o PPD devia muito ao fisco.
Mais lamentável é o alarme lançado, da Democracia e da Liberdade estarem em causa.
Em causa está a credibilidade do maior partido da oposição, que a perde de dia para dia, tais as posições obtusas que assume.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Blogues
Um final de tarde bastante agradável, com uma despretensiosa conversa acerca de blogues com Raimundo Narciso. Um momento que seguramente se deverá repetir em futuras oportunidades.
Afinal, a blogosfera também existe para além do vitrtual.
Afinal, a blogosfera também existe para além do vitrtual.
Bush chega tarde
O presidente norte-americano George W. Bush chega esta quarta-feira ao Médio Oriente para uma visita de uma semana. Cisjordânia e Israel são os pontos chave da visita que passa também pelo Barhein, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Egipto.
Bush vem tentar dar um impulso às negociações de paz retomadas em Annapolis.
Vale a pena recordar a política de Bush quando entrou na Casa Branca, de total desprezo pelo Médio Oriente. Só depois do 11 de Setembro é que a Administração emenda a mão e começa a dar a importância que o Médio Oriente tem no mundo.
No final de mandato, depois de falhadas as intervenções no Afeganistão e no Iraque, Bush tenta deixar marca no Médio Oriente. Todavia, chega tarde e a más horas e continua a proceder mal, ao isolar o Hamas do processo.
Por mais vontade que haja da parte israelita e, sobretudo, palestiniana de consolidar, definitivamente, dois Estados no Médio Oriente, a guerra civil latente entre as principais forças palestinianas não dá qualquer garantia de se atingir esse desiderato.
Compete, portanto, à próxima Administração norte-americana lançar o processo de Paz.
Este périplo pelo Médio Oriente e península arábica, mais não é do que um dizer adeus de Bush.
Bush vem tentar dar um impulso às negociações de paz retomadas em Annapolis.
Vale a pena recordar a política de Bush quando entrou na Casa Branca, de total desprezo pelo Médio Oriente. Só depois do 11 de Setembro é que a Administração emenda a mão e começa a dar a importância que o Médio Oriente tem no mundo.
No final de mandato, depois de falhadas as intervenções no Afeganistão e no Iraque, Bush tenta deixar marca no Médio Oriente. Todavia, chega tarde e a más horas e continua a proceder mal, ao isolar o Hamas do processo.
Por mais vontade que haja da parte israelita e, sobretudo, palestiniana de consolidar, definitivamente, dois Estados no Médio Oriente, a guerra civil latente entre as principais forças palestinianas não dá qualquer garantia de se atingir esse desiderato.
Compete, portanto, à próxima Administração norte-americana lançar o processo de Paz.
Este périplo pelo Médio Oriente e península arábica, mais não é do que um dizer adeus de Bush.
A confirmar
Caro Zé,
Se estamos de acordo no caso de Giuliani, a estratégia do antigo Mayor é clara e inequívoca, quanto à importância de New Hampshire para as candidaturas de Hillary e Obama temos interpretações diferentes. Veremos, não na madrugada de quarta, mas depois de 5 de Fevereiro, se New Hampshire foi ou não decisivo na corrida Democrata.
Se estamos de acordo no caso de Giuliani, a estratégia do antigo Mayor é clara e inequívoca, quanto à importância de New Hampshire para as candidaturas de Hillary e Obama temos interpretações diferentes. Veremos, não na madrugada de quarta, mas depois de 5 de Fevereiro, se New Hampshire foi ou não decisivo na corrida Democrata.
A dimensão económica na escolha eleitoral
En este ambiente de expectativas depresivas, el Ejecutivo tiene un arma a su favor: según las encuestas, a los ciudadanos les parece desagradar aún más la oposición y su líder, de los que no se fían para administrar los malos tiempos económicos: aunque el futuro bajo los gobernantes actuales es poco esperanzador, la oposición empeoraría las cosas si llegara al poder. La ausencia de una cara "económica" como la de Rodrigo Rato en el equipo de Mariano Rajoy y, en sentido contrario, la presencia de Pedro Solbes en las listas de Zapatero, son bazas significativas para determinar el sentido del voto económico.
Caro Nuno,
Tendo em conta o que destacou na semana passada, na sequência dos dados apresentados pelo INE espanhol, assinalando o aumento do desemprego em Espanha, vem a propósito desta matéria um artigo interessante de Joaquín Eestefanía, publicado na edição de hoje do El País.
De facto, Pedro Solbes (ao que tudo indica número dois da lista do PSOE por Madrid a seguir a Zapatero) é uma mais valia com que o Primeiro-Ministro espanhol conta na sua equipa, não se verificando, no PP, qualquer rosto capaz de ombrear com o actual Ministro das Finanças numa área tão relevante.
Rodrigo Rato era uma hipótese, que há semanas se autodescartou das lides políticas, dedicando-se, exclusivamente, à iniciativa privada, depois da saída da liderança do FMI.
Caro Nuno,
Tendo em conta o que destacou na semana passada, na sequência dos dados apresentados pelo INE espanhol, assinalando o aumento do desemprego em Espanha, vem a propósito desta matéria um artigo interessante de Joaquín Eestefanía, publicado na edição de hoje do El País.
De facto, Pedro Solbes (ao que tudo indica número dois da lista do PSOE por Madrid a seguir a Zapatero) é uma mais valia com que o Primeiro-Ministro espanhol conta na sua equipa, não se verificando, no PP, qualquer rosto capaz de ombrear com o actual Ministro das Finanças numa área tão relevante.
Rodrigo Rato era uma hipótese, que há semanas se autodescartou das lides políticas, dedicando-se, exclusivamente, à iniciativa privada, depois da saída da liderança do FMI.
Diz o roto ao nu
O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo contrapõe, afirmando que “informações provenientes dos media, ONG e representantes da oposição continuam a apontar numerosas violações da lei eleitoral pelo poder”. Moscovo garante que irá continuar a “seguir atentamente os acontecimentos na Geórgia”.
Não considero o Presidente georgiano um santinho e, por isso, não me admira as contestações da oposição. Aliás, ser uma observadora da OSCE norte-americana não foi, propriamente, o mais indicado. Para Washington só interessava a vitória de Saakashvili, para Moscovo não. Enfim...
Agora, Moscovo dar ares e lições de democracia exemplar à Geórgia? Depois do que se passou nas últimas legislativas e do que se vai passar nas próximas presidenciais? Não fica muito bem na fotografia. Não basta parecer, é preciso ser. E Moscovo deve muito em matéria de ser uma democracia exemplar.
Não considero o Presidente georgiano um santinho e, por isso, não me admira as contestações da oposição. Aliás, ser uma observadora da OSCE norte-americana não foi, propriamente, o mais indicado. Para Washington só interessava a vitória de Saakashvili, para Moscovo não. Enfim...
Agora, Moscovo dar ares e lições de democracia exemplar à Geórgia? Depois do que se passou nas últimas legislativas e do que se vai passar nas próximas presidenciais? Não fica muito bem na fotografia. Não basta parecer, é preciso ser. E Moscovo deve muito em matéria de ser uma democracia exemplar.
Ele também anda por aí
Durão Barroso juntou hoje num almoço, no Hotel Tivoli, em Lisboa, cerca de 40 sociais-democratas que estiveram ao seu lado nos últimos anos. A ausência de Santana Lopes ditou um novo afastamento
Ainda envolvido nas lides comunitárias, este almoço, em que Durão juntou tanta gente, mais parece a preparação de algo.
Como Barroso de parvo nada tem e pode já ter percebido que a renovação do mandato em Bruxelas pode não surgir, nada como preparar outro caminho, não vá o da capital europeia ficar encerrado.
E o regresso às lides domésticas bem pode acontecer em 2009. O estado em que o PPD se encontra actualmente, sem rumo nem causas acaba por facilitar um regresso à liderança laranja.
Afinal, o barrosismo também anda por aí. Sossegado, não adormecido.
Ainda envolvido nas lides comunitárias, este almoço, em que Durão juntou tanta gente, mais parece a preparação de algo.
Como Barroso de parvo nada tem e pode já ter percebido que a renovação do mandato em Bruxelas pode não surgir, nada como preparar outro caminho, não vá o da capital europeia ficar encerrado.
E o regresso às lides domésticas bem pode acontecer em 2009. O estado em que o PPD se encontra actualmente, sem rumo nem causas acaba por facilitar um regresso à liderança laranja.
Afinal, o barrosismo também anda por aí. Sossegado, não adormecido.
domingo, 6 de janeiro de 2008
Porque não votaria em Obama
De várias conversas que vou tendo com pessoas amigas, há quem se admire por que não tenho simpatia por Obama.
Como não sou norte-americano, tenho sempre presente, na escolha de um candidato à Casa Branca, o que seria melhor para o mundo e não para a política doméstica.
Se em termos internos um candidato Democrata é, a meu ver, quase sempre melhor do que um Republicano, que está pouco interessado em garantir matérias sociais (Saúde, Educação e Segurança Social), no caso da política externa não vejo em Obama uma garantia de estabilidade. A estabilidade que, em parte, o mundo perdeu por uma política errada do actual Presidente dos EUA.
Ora, os que agora tanto agora se entusiasmam no nosso país com Obama, e criticam ferozmente Bush, por causa da sua intervenção no Iraque, deviam tomar melhor conhecimento do pensamento de Obama em matéria de política externa. E, neste âmbito, Obama não oferece as mínimas garantias de estabilidade, pelo contrário, como é bem explícito no caso do Paquistão:
Democratic presidential candidate Barack Obama issued a pointed warning yesterday to Pakistani President Pervez Musharraf, saying that as president he would be prepared to order U.S. troops into that country unilaterally if it failed to act on its own against Islamic extremists.
Já não bastou o desastre do Iraque, queria abrir-se, de uma vez por todas, a caixa de Pandora?
O Paquistão é um dos pontos mais sensíveis e importantes do globo em termos de contenção do terrorismo e Obama propõe-se fazer o mesmo ou, no caso, pior que Bush fez no Iraque? O Paquistão é uma potência nuclear!
Chega de aventureirismos messiânicos na Casa Branca.
Como não sou norte-americano, tenho sempre presente, na escolha de um candidato à Casa Branca, o que seria melhor para o mundo e não para a política doméstica.
Se em termos internos um candidato Democrata é, a meu ver, quase sempre melhor do que um Republicano, que está pouco interessado em garantir matérias sociais (Saúde, Educação e Segurança Social), no caso da política externa não vejo em Obama uma garantia de estabilidade. A estabilidade que, em parte, o mundo perdeu por uma política errada do actual Presidente dos EUA.
Ora, os que agora tanto agora se entusiasmam no nosso país com Obama, e criticam ferozmente Bush, por causa da sua intervenção no Iraque, deviam tomar melhor conhecimento do pensamento de Obama em matéria de política externa. E, neste âmbito, Obama não oferece as mínimas garantias de estabilidade, pelo contrário, como é bem explícito no caso do Paquistão:
Democratic presidential candidate Barack Obama issued a pointed warning yesterday to Pakistani President Pervez Musharraf, saying that as president he would be prepared to order U.S. troops into that country unilaterally if it failed to act on its own against Islamic extremists.
Já não bastou o desastre do Iraque, queria abrir-se, de uma vez por todas, a caixa de Pandora?
O Paquistão é um dos pontos mais sensíveis e importantes do globo em termos de contenção do terrorismo e Obama propõe-se fazer o mesmo ou, no caso, pior que Bush fez no Iraque? O Paquistão é uma potência nuclear!
Chega de aventureirismos messiânicos na Casa Branca.
New Hampshire decisivo para Obama
A eleição de New Hampshire, depois de amanhã, será decisiva para Obama. Vencendo este Estado, tal circunstância pode confirmá-lo como grande favorito Democrata. Perdendo, e obtendo Hillary o primeiro posto, Obama compromete a sua eleição.
Depois de ter ganho no Iowa, Estado vizinho do Illinois, por onde é Senador, Obama saltou para a ribalta das primeiras páginas como o grande favorito. Estatuto que ainda pertence a Hillary. Porém, o estatuto, como Hillary já percebeu, por si só não chega. É preciso ganhar. E Obama já ganhou e voltará a repetir a dose dentro em breve (dia 26 deste mês) na Carolina do Sul, devido ao grande peso da comunidade negra deste Estado.
Dirão alguns, mas Obama também ganhou no Iowa, que é maioritariamente branco... pois é, mas com a máquina da candidatura do vizinho Illinois há meses no Iowa, outro resultado não seria de esperar.
Por isso, New Hampshire surge como o grande teste eleitoral do Senador do Illinois.
Se vencer, Obama surge bem colocado para o "exame final" de 5 de Fevereiro, com a super-terça (elege 51% dos delegados). Até porque tem a boleia da vitória de 26 de Janeiro na Carolina do Sul.
Se perder New Hampshire, a onda de vitória, que costuma ser arrebatadora, como se evidenciou há quatro anos nas primárias Democratas, tornando-se o pouco favorito John Kerry o vencedor, pode esfumar-se o sonho e cair por terra em Fevereiro a aspiração de chegar à Casa Branca.
Hillary, se perder New Hampshire, não está fora da corrida, mas terá dificuldades acrescidas para contrariar a dinâmica da candidatura de Obama.
Depois de ter ganho no Iowa, Estado vizinho do Illinois, por onde é Senador, Obama saltou para a ribalta das primeiras páginas como o grande favorito. Estatuto que ainda pertence a Hillary. Porém, o estatuto, como Hillary já percebeu, por si só não chega. É preciso ganhar. E Obama já ganhou e voltará a repetir a dose dentro em breve (dia 26 deste mês) na Carolina do Sul, devido ao grande peso da comunidade negra deste Estado.
Dirão alguns, mas Obama também ganhou no Iowa, que é maioritariamente branco... pois é, mas com a máquina da candidatura do vizinho Illinois há meses no Iowa, outro resultado não seria de esperar.
Por isso, New Hampshire surge como o grande teste eleitoral do Senador do Illinois.
Se vencer, Obama surge bem colocado para o "exame final" de 5 de Fevereiro, com a super-terça (elege 51% dos delegados). Até porque tem a boleia da vitória de 26 de Janeiro na Carolina do Sul.
Se perder New Hampshire, a onda de vitória, que costuma ser arrebatadora, como se evidenciou há quatro anos nas primárias Democratas, tornando-se o pouco favorito John Kerry o vencedor, pode esfumar-se o sonho e cair por terra em Fevereiro a aspiração de chegar à Casa Branca.
Hillary, se perder New Hampshire, não está fora da corrida, mas terá dificuldades acrescidas para contrariar a dinâmica da candidatura de Obama.
A também vitória de Giuliani
A vitória de Romney, ontem, no Wyoming, foi importante para se manter na corrida Republicana. Depois do triunfo de Huckabee no Iowa e se se confirmar nas urnas o favoristismo de McCain em New Hampshire, é Giuliani quem também lucra com estes resultados.
O ex-Mayor de Nova Iorque assume uma campanha de risco, investindo, em termos de campanha, em grandes Estados, e que lhe são social e culturalmente mais favoráveis, do que Estados onde tem dificuldades em entrar no universo conservador, que prefere, de longe, Huckabee ou Romney.
Por isso, enquanto as vitórias nos pequenos Estados forem divididas pelas várias candidaturas, é Giuliani que também ganha. Se as vitórias começarem a ser polarizadas, as dificuldades de Giuliani aumentam.
O ex-Mayor de Nova Iorque assume uma campanha de risco, investindo, em termos de campanha, em grandes Estados, e que lhe são social e culturalmente mais favoráveis, do que Estados onde tem dificuldades em entrar no universo conservador, que prefere, de longe, Huckabee ou Romney.
Por isso, enquanto as vitórias nos pequenos Estados forem divididas pelas várias candidaturas, é Giuliani que também ganha. Se as vitórias começarem a ser polarizadas, as dificuldades de Giuliani aumentam.
Geórgia diz Sim à NATO
Saakashvili reclama vitória nas presidenciais
Como se esperava, Saakashvili venceu, apesar de toda a oposição condenar a eleição, por fraude.
Outro dado relevante, foi o sim das urnas à NATO. 69% disse Sim à adesão do país à Aliança Atlântica.
Em termos globais, acaba por ser o mais relevante do dia de ontem. Provavelmente, Moscovo virá a terreiro considerar uma afronta da NATO a Moscovo, contar, desta feita, com mais um Estado-membro, agora do Cáucaso.
Depois de aberta a frente ocidental russa, com a adesão dos três Bálticos e Polónia, a NATO entra pelo Cáucaso.
Como se esperava, Saakashvili venceu, apesar de toda a oposição condenar a eleição, por fraude.
Outro dado relevante, foi o sim das urnas à NATO. 69% disse Sim à adesão do país à Aliança Atlântica.
Em termos globais, acaba por ser o mais relevante do dia de ontem. Provavelmente, Moscovo virá a terreiro considerar uma afronta da NATO a Moscovo, contar, desta feita, com mais um Estado-membro, agora do Cáucaso.
Depois de aberta a frente ocidental russa, com a adesão dos três Bálticos e Polónia, a NATO entra pelo Cáucaso.
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