Enquanto Soares escreve algumas coisas sem grande sentido, sobretudo quando fala em neoliberalismos a torto e a direito, por tudo e por nada... se se apresenta como amigo que quer avisar, bem podia referir e explicar, sem grandes trabalhos, ao PS e em especial ao Governo, como é que PCP e BE se aproveitam da vulnerabilidade social para crescer, pois só no desconforto e descontentamento é que a esquerda irresponsável, sem propostas nem futuro para apresentar, obtém apoio. Aliás, Soares podia explicar num exercício não muito difícil de percepcionar no que daria um Portugal governado com as propostas de comunistas ou bloquistas.
Quanto a Alegre, pelos ensaios que vai fazendo,ao mesmo tempo que diz estar presente na arena política nacional, denota que está atento à política alemã e que Oskar Lafontaine deve ser uma grande fonte de inspiração. Porém, percebe-se que o seu propósito é pessoal, aproveitando-se dos associados para aumentar a sua base de apoio. Alguns dos que se associam ao gesto do poeta, não sendo parvos, também se aproveitam da boleia que o deputado do PS dá, para projectar certas tendências de esquerda. Ganhos mútuos!
Já que estão tão preocupados com o PS e o seu futuro, ambos deviam tirar ilações de França e da Alemanha e procurar perceber, se quiserem entender, porque não conduzem a governação dos dois potentados europeus os partidos homólogos do PS.
Mostrar mensagens com a etiqueta Política. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Política. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 29 de maio de 2008
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Os preconceitos estéticos e políticos
Marta Carfagna será a próxima Ministra da Família de Itália, do Governo Berlusconi.
Será uma das poucas mulheres presentes no Governo transalpino.
Porém, parece ser uma mulher com grandes qualidades, segundo o que já li pela nossa blogosfera. A única, para já, visível e inquestionável, é a sua beleza. E também é a única referida.
O que não deixa de ser curioso, nas leituras de certos argumentos que li sobre as mulheres governantes, numa semana em que Zapatero formou um Governo com 9 senhoras, é que, para alguns dos nossos patrícios, vincadamente de direita, as mulheres que Zapatero escolheu par o Governo são meras decorações políticas, enquanto Carfagna, que em termos políticos ainda não demonstrou quase nada, ao contrário das Ministras espanholas que têm quase todas uma vasta experiência política, parece ter grandes qualidades.
Não tenho a leitura das mulheres qualificadas de direita e as decorativas de esquerda, nem o inverso, pois há boas como más políticas em qualquer dos campos. Note-se os casos da qualificada Merkel ou da experiente Alliot-Marie, para referir dois nomes de direita.
O que é triste, é atitude de certas pessoas, bem ao estilo berlusconinano, de que as do meu campo político valem, mas só as bonitas, e essas têm destaque, e as de outros não prestam... bem podiam estar lá uns homens, cinzentos e sem qualificações.
Como ainda se comprova, alguns sectores da sociedade latina continuam agarrados a estereótipos e preconceitos.
Será uma das poucas mulheres presentes no Governo transalpino.
Porém, parece ser uma mulher com grandes qualidades, segundo o que já li pela nossa blogosfera. A única, para já, visível e inquestionável, é a sua beleza. E também é a única referida.
O que não deixa de ser curioso, nas leituras de certos argumentos que li sobre as mulheres governantes, numa semana em que Zapatero formou um Governo com 9 senhoras, é que, para alguns dos nossos patrícios, vincadamente de direita, as mulheres que Zapatero escolheu par o Governo são meras decorações políticas, enquanto Carfagna, que em termos políticos ainda não demonstrou quase nada, ao contrário das Ministras espanholas que têm quase todas uma vasta experiência política, parece ter grandes qualidades.
Não tenho a leitura das mulheres qualificadas de direita e as decorativas de esquerda, nem o inverso, pois há boas como más políticas em qualquer dos campos. Note-se os casos da qualificada Merkel ou da experiente Alliot-Marie, para referir dois nomes de direita.
O que é triste, é atitude de certas pessoas, bem ao estilo berlusconinano, de que as do meu campo político valem, mas só as bonitas, e essas têm destaque, e as de outros não prestam... bem podiam estar lá uns homens, cinzentos e sem qualificações.
Como ainda se comprova, alguns sectores da sociedade latina continuam agarrados a estereótipos e preconceitos.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Má notícia
A suspensão da Revista Atlântico é uma péssima notícia, sob vários pontos de vista.
Concordo com a leitura apresentada pelo Adolfo acerca da suspensão da revista Atlântico.
Num país com uma democracia recente, como o nosso, em que faltam espaços de reflexão, análise e propostas de ideias políticas, dos diversos sectores, que gerem interesse, fomentem o conhecimento e proporcionem novos saberes, a não publicação de uma edição que cumpria mensalmente o seu papel no campo da direita é preocupante.
Se já o era na área da esquerda, pela ausência de qualquer edição, a suspensão da Atlântico é um sinal de pobreza, a diversos níveis. Desde pessoas associadas à política que nada parecem ter feito, às fundações de cariz político que podiam assumir qualquer coisa, bem como as empresas, refiro-me às grandes, que sem grande esforço podiam assegurar a edição regular da revista... Pelos vistos preferem gastar mais uns tostões numa qualquer publicidade televisiva, que em pouco ou quase nada enriquece o País.
Para já, perde a política nacional, se a suspensão se mantiver.
Concordo com a leitura apresentada pelo Adolfo acerca da suspensão da revista Atlântico.
Num país com uma democracia recente, como o nosso, em que faltam espaços de reflexão, análise e propostas de ideias políticas, dos diversos sectores, que gerem interesse, fomentem o conhecimento e proporcionem novos saberes, a não publicação de uma edição que cumpria mensalmente o seu papel no campo da direita é preocupante.
Se já o era na área da esquerda, pela ausência de qualquer edição, a suspensão da Atlântico é um sinal de pobreza, a diversos níveis. Desde pessoas associadas à política que nada parecem ter feito, às fundações de cariz político que podiam assumir qualquer coisa, bem como as empresas, refiro-me às grandes, que sem grande esforço podiam assegurar a edição regular da revista... Pelos vistos preferem gastar mais uns tostões numa qualquer publicidade televisiva, que em pouco ou quase nada enriquece o País.
Para já, perde a política nacional, se a suspensão se mantiver.
domingo, 9 de março de 2008
Dos valores e da imagem da direita europeia I/III
Há uma vaga de fundo da direita na Europa. Não uma direita orgânica, tradicional, herdeira de Churchill, De Gaulle e Adenauer, mas uma espécie de direita pós-moderna, com muito mercado e pouca ideologia, que vive em função dos media e faz do marketing político não só um meio mas também um fim.
O Pedro Correia coloca, e bem, o dedo na ferida: em Portugal não contamos com oposição, leia-se, um PPD forte e assertivo. E o País bem precisa de uma oposição credível, pois um sistema político sem um bom Governo e sem uma boa oposição não está completo.
Assumindo uma interpretação ibérica, o Pedro também nota que aqui ao lado, em Espanha, o PP, de Rajoy, não estando tão mal como o PPD, pouco melhor se encontra. Por isso, a derrota que hoje deverá averbar nas urnas é mais do que expectável. Quanto a este ponto, da realidade política ibérica, da esquerda e da direita, do Governo e da oposição em Portugal e em Espanha, vale a pena regressar ao caso noutro escrito depois das legislativas espanholas.
Relativamente à referência em termos de líderes políticos europeus de direita apresentada no Corta-Fitas, não concordo com todo o escrito.
Segundo o Pedro, os dirigentes de direita que ascenderam ao poder (Merkel e Sarkozy) ou estão na iminência de o alcançar (Berlusconi e Cameron) não são herdeiros da direita tradicional. Dos quatro referidos, considero que a única pessoa que se mantém fiel ao exercício da política com base em princípios e valores, que não mudam consoante o vento, e que, desse modo, está de acordo com o estilo da política da direita com valores (de Adenauer, De Gaulle, etc), é Merkel.
A Chanceler alemã, apesar de lhe faltar telegenia (basta recordar como esta lacuna lhe ia sendo fatal na eleição que disputou e ganhou por escassíssima margem a Schröder em 2005, quando os debates entre os dois lhe foram prejudicais pois deram sempre mais força ao então enfraquecido e gasto pelo exercício do poder candidato do SPD), telegenia que não falta aos outros três, reconheça-se, mas, referia, em termos de quadro de valores tradicionais, Merkel tem evidenciado ao longo do seu mandato um firme compromisso com a política que disse que ia assumir, uma vez eleita Chanceler. Por outro lado, Merkel não vive obcecada, como os três homens, nem dependente da sua projecção na comunicação. Como é gritante no caso do Chefe de Estado francês.
Sarkozy, que até há um ano, antes de ser eleito Presidente, era visto por muitos como a lufada de ar fresco na direita francesa e europeia, um ano depois revela-se uma verdadeira frustração para quem tanto acreditou na mudança que o Presidente gaulês iria realizar. A comparação que então se fez com Blair manifesta-se, portanto, totalmente inadequada.
Sarkozy já evidenciou que não está para a direita como Blair esteve para a esquerda. Afinal, nem Sarkozy mudou muito o seu partido, com Blair modernizou o Labour; nem Sarkozy alterou grande coisa na realidade francesa, que bem precisa, como Blair melhorou as condições de vida dos britânicos.
Relativamente a outro britânico, David Cameron, o mais provável, no próximo ano, será a sua vitória, face a um qualificado técnico mas pouco hábil político Gordon Brown. Se Cameron for o próximo inquilino oficial do número 10 de Downing Street, como hoje se perspectiva, sê-lo-á mais pelo demérito deste Governo do que propriamente pela sua política. Até agora, muito baseado na forma mas com muito pouco conteúdo. Conteúdo que também não é o forte de Berlusconi. O magnata italiano deve, no próximo mês de Abril, triunfar nas legislativas italianas, devido à eterna lógica da rotatividade transalpina. Ora sai a esquerda ora entra a direita. Há muitos anos que assistimos a esta rotação na política italiana e no próximo mês deveremos assistir a mais uma.
Veltroni, o candidato da esquerda, está a querer imprimir uma nova forma de fazer política em Itália, que bem precisa, e as sondagens até estão a dar bons sinais, com a diminuição de diferença entre a direita e a esquerda, porém deve ser insuficiente para retirar a terceira chegada ao poder de Berlusconi.
Por isso, concordo com o Pedro quando refere haver uma direita europeia baseada no mercado e que vive em função dos media. No entanto, nem toda a direita, felizmente, vive só da forma, também apresenta e conta com conteúdo. Raramente se refere, muito por causa da dimensão do país, o Luxemburgo, mas Juncker é um dos claros exemplos de políticos europeus de direita com princípios e obra feita, assim como se pode referir o irlandês Ahren.
Quanto à esquerda europeia, que o Pedro menciona, vale a pena recordar que no caso francês a esquerda não foi derrotada por Sarkozy, pois a direita há anos que é poder em França. À direita, no Eliseu, sucedeu a direita. Na Alemanha, o SPD enfraquece-se a si próprio, não é Merkel que anula a esquerda responsável. Mas, também sobre este ponto, em próximo escrito, voltarei ao tema.
O Pedro Correia coloca, e bem, o dedo na ferida: em Portugal não contamos com oposição, leia-se, um PPD forte e assertivo. E o País bem precisa de uma oposição credível, pois um sistema político sem um bom Governo e sem uma boa oposição não está completo.
Assumindo uma interpretação ibérica, o Pedro também nota que aqui ao lado, em Espanha, o PP, de Rajoy, não estando tão mal como o PPD, pouco melhor se encontra. Por isso, a derrota que hoje deverá averbar nas urnas é mais do que expectável. Quanto a este ponto, da realidade política ibérica, da esquerda e da direita, do Governo e da oposição em Portugal e em Espanha, vale a pena regressar ao caso noutro escrito depois das legislativas espanholas.
Relativamente à referência em termos de líderes políticos europeus de direita apresentada no Corta-Fitas, não concordo com todo o escrito.
Segundo o Pedro, os dirigentes de direita que ascenderam ao poder (Merkel e Sarkozy) ou estão na iminência de o alcançar (Berlusconi e Cameron) não são herdeiros da direita tradicional. Dos quatro referidos, considero que a única pessoa que se mantém fiel ao exercício da política com base em princípios e valores, que não mudam consoante o vento, e que, desse modo, está de acordo com o estilo da política da direita com valores (de Adenauer, De Gaulle, etc), é Merkel.
A Chanceler alemã, apesar de lhe faltar telegenia (basta recordar como esta lacuna lhe ia sendo fatal na eleição que disputou e ganhou por escassíssima margem a Schröder em 2005, quando os debates entre os dois lhe foram prejudicais pois deram sempre mais força ao então enfraquecido e gasto pelo exercício do poder candidato do SPD), telegenia que não falta aos outros três, reconheça-se, mas, referia, em termos de quadro de valores tradicionais, Merkel tem evidenciado ao longo do seu mandato um firme compromisso com a política que disse que ia assumir, uma vez eleita Chanceler. Por outro lado, Merkel não vive obcecada, como os três homens, nem dependente da sua projecção na comunicação. Como é gritante no caso do Chefe de Estado francês.
Sarkozy, que até há um ano, antes de ser eleito Presidente, era visto por muitos como a lufada de ar fresco na direita francesa e europeia, um ano depois revela-se uma verdadeira frustração para quem tanto acreditou na mudança que o Presidente gaulês iria realizar. A comparação que então se fez com Blair manifesta-se, portanto, totalmente inadequada.
Sarkozy já evidenciou que não está para a direita como Blair esteve para a esquerda. Afinal, nem Sarkozy mudou muito o seu partido, com Blair modernizou o Labour; nem Sarkozy alterou grande coisa na realidade francesa, que bem precisa, como Blair melhorou as condições de vida dos britânicos.
Relativamente a outro britânico, David Cameron, o mais provável, no próximo ano, será a sua vitória, face a um qualificado técnico mas pouco hábil político Gordon Brown. Se Cameron for o próximo inquilino oficial do número 10 de Downing Street, como hoje se perspectiva, sê-lo-á mais pelo demérito deste Governo do que propriamente pela sua política. Até agora, muito baseado na forma mas com muito pouco conteúdo. Conteúdo que também não é o forte de Berlusconi. O magnata italiano deve, no próximo mês de Abril, triunfar nas legislativas italianas, devido à eterna lógica da rotatividade transalpina. Ora sai a esquerda ora entra a direita. Há muitos anos que assistimos a esta rotação na política italiana e no próximo mês deveremos assistir a mais uma.
Veltroni, o candidato da esquerda, está a querer imprimir uma nova forma de fazer política em Itália, que bem precisa, e as sondagens até estão a dar bons sinais, com a diminuição de diferença entre a direita e a esquerda, porém deve ser insuficiente para retirar a terceira chegada ao poder de Berlusconi.
Por isso, concordo com o Pedro quando refere haver uma direita europeia baseada no mercado e que vive em função dos media. No entanto, nem toda a direita, felizmente, vive só da forma, também apresenta e conta com conteúdo. Raramente se refere, muito por causa da dimensão do país, o Luxemburgo, mas Juncker é um dos claros exemplos de políticos europeus de direita com princípios e obra feita, assim como se pode referir o irlandês Ahren.
Quanto à esquerda europeia, que o Pedro menciona, vale a pena recordar que no caso francês a esquerda não foi derrotada por Sarkozy, pois a direita há anos que é poder em França. À direita, no Eliseu, sucedeu a direita. Na Alemanha, o SPD enfraquece-se a si próprio, não é Merkel que anula a esquerda responsável. Mas, também sobre este ponto, em próximo escrito, voltarei ao tema.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Terá a social-democracia europeia ficado embasbacada com Obama?
La socialdemocracia en Europa está en horas bajas. Quizás por eso su gran esperanza, si gana el 9 de marzo, es Zapatero, a quien fuera se le ve un poco como un Obama español, según se dijo en un reciente seminario organizado en Londres por Policy Network, una red que se puso en marcha en tiempos de Blair. Aunque lo que más gusta de Obama es que ha logrado inyectar en las primarias una carga emocional que los socialdemócratas consideran que, en general, les falta.
Parece que na Europa muitos sociais-democratas (a esquerda moderada) estão deleitados com Obama e a sua campanha. Parece-me, todavia, que estão mais encantados com a sua forma, pois ainda não devem ter notado com grande pormenor o seu conteúdo. Mas deviam.
O artigo de Andrés Ortega, hoje publicado no El País, é disso sinal. O deleito com o Senador do Illinois é tal que se chega ao ponto de dizer que Zapatero pode ser o Obama espanhol. Ora, Zapatero já governou Espanha durante quatro anos e Obama ainda não assumiu uma função executiva.
De certo modo, os sociais-democratas encantados com Obama fazem-me lembrar as pessoas de direita, de toda a Europa, que o ano passado viam em Sarkozy uma autêntica lufada de ar fresco. Um ano depois, de tanta parra sarkozysta, vê-se em que estado está o Presidente francês. E os entusiastas de Sarkozy há vários meses que guardaram os seus rasgados elogios ao Chefe de Estado gaulês.
Seria bom não cair em deslumbramentos. Até porque, por muito importante que seja a emoção, e é, também é precisa uma boa dose de razão. E esta não parece ser o forte de Obama.
Parece que na Europa muitos sociais-democratas (a esquerda moderada) estão deleitados com Obama e a sua campanha. Parece-me, todavia, que estão mais encantados com a sua forma, pois ainda não devem ter notado com grande pormenor o seu conteúdo. Mas deviam.
O artigo de Andrés Ortega, hoje publicado no El País, é disso sinal. O deleito com o Senador do Illinois é tal que se chega ao ponto de dizer que Zapatero pode ser o Obama espanhol. Ora, Zapatero já governou Espanha durante quatro anos e Obama ainda não assumiu uma função executiva.
De certo modo, os sociais-democratas encantados com Obama fazem-me lembrar as pessoas de direita, de toda a Europa, que o ano passado viam em Sarkozy uma autêntica lufada de ar fresco. Um ano depois, de tanta parra sarkozysta, vê-se em que estado está o Presidente francês. E os entusiastas de Sarkozy há vários meses que guardaram os seus rasgados elogios ao Chefe de Estado gaulês.
Seria bom não cair em deslumbramentos. Até porque, por muito importante que seja a emoção, e é, também é precisa uma boa dose de razão. E esta não parece ser o forte de Obama.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Francisco Lucas Pires
Através deste texto do Adolfo, tomo conhecimento deste blogue, de homenagem a um dos grandes e melhores políticos portugueses da era Democrática: Francisco Lucas Pires.
Naturalmente, a identificação que tenho por Lucas Pires não se prende com a sua doutrina política, como por exemplo no caso do Adolfo, mas sim com a sua interpretação e defesa do projecto europeu.
Qualquer europeísta português convicto tem em Lucas Pires uma das grandes referências. E eu não fujo à regra.
Como o seu trabalho político e académico sempre demonstraram, além da objectividade que sempre evidenciou, as convicções e dignidade foram marcas de distinção de uma pessoa que partiu cedo de mais do nosso convívio.
Tal como ele, outros excelentes políticos portugueses partiram muito cedo e foram excelentes deputados ao Parlamento Europeu como Lucas Pires: Barros Moura, Fausto Correia, Luís Sá e Joaquim Miranda. Políticos que fazem falta à nossa Democracia, pela sua qualidade e exemplo.
É bom não esquecer estas referências.
Naturalmente, a identificação que tenho por Lucas Pires não se prende com a sua doutrina política, como por exemplo no caso do Adolfo, mas sim com a sua interpretação e defesa do projecto europeu.
Qualquer europeísta português convicto tem em Lucas Pires uma das grandes referências. E eu não fujo à regra.
Como o seu trabalho político e académico sempre demonstraram, além da objectividade que sempre evidenciou, as convicções e dignidade foram marcas de distinção de uma pessoa que partiu cedo de mais do nosso convívio.
Tal como ele, outros excelentes políticos portugueses partiram muito cedo e foram excelentes deputados ao Parlamento Europeu como Lucas Pires: Barros Moura, Fausto Correia, Luís Sá e Joaquim Miranda. Políticos que fazem falta à nossa Democracia, pela sua qualidade e exemplo.
É bom não esquecer estas referências.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Treinadores de sofá
O que há é Manuel Alegre a dizer que o país não está bem. E que há pobreza nas ruas. Ora muito obrigado. Isso toda a gente sabe. É que não deixa de ser curiosa esta absoluta falta de exigência para com este movimento liderado por Manuel Alegre. De todos quantos se arrogam apresentar alternativas ao governo, Manuel Alegre é o único que não tem de apresentar estudos, nem números, nem programas, nem ideias, nem soluções.
Caro Adolfo,
O que empobrece o debate político não é a pluralidade de leituras políticas, que são importantes e vitais para qualquer partido político e para a sociedade, mas o vazio de conteúdo que apresentam.
Aos políticos, além de analisarem e interpretarem o estado do País, requer-se respostas, não la palissadas.
Por essa Europa fora, há exemplos de Fontaine e Fabius, que nada acrescentam às causas da esquerda, pelo contrário, como os exemplos alemão e francês demonstram.
Em Portugal, há quem pense que quem fala mais alto que é de esquerda e se arroga guardião dos princípios de esquerda é o único político de esquerda.
Por exemplo, a Manuel Alegre ainda não ouvi uma única palavra sobre a reforma que este Governo fez, e bem, na Segurança Social, salvando um sistema que estava a caminhar para a falência. Se a Segurança Social não é importante para um partido de esquerda, o que será?
É fácil dizer que está mal, mas difícil contribuir para fazer bem.
Os políticos não podem ser treinadores de sofás. Mesmo aqueles que são eleitos deputados à Assembleia da República.
Caro Adolfo,
O que empobrece o debate político não é a pluralidade de leituras políticas, que são importantes e vitais para qualquer partido político e para a sociedade, mas o vazio de conteúdo que apresentam.
Aos políticos, além de analisarem e interpretarem o estado do País, requer-se respostas, não la palissadas.
Por essa Europa fora, há exemplos de Fontaine e Fabius, que nada acrescentam às causas da esquerda, pelo contrário, como os exemplos alemão e francês demonstram.
Em Portugal, há quem pense que quem fala mais alto que é de esquerda e se arroga guardião dos princípios de esquerda é o único político de esquerda.
Por exemplo, a Manuel Alegre ainda não ouvi uma única palavra sobre a reforma que este Governo fez, e bem, na Segurança Social, salvando um sistema que estava a caminhar para a falência. Se a Segurança Social não é importante para um partido de esquerda, o que será?
É fácil dizer que está mal, mas difícil contribuir para fazer bem.
Os políticos não podem ser treinadores de sofás. Mesmo aqueles que são eleitos deputados à Assembleia da República.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Tomar a árvore pela floresta
A crise da esquerda é um dos nossos maiores problemas culturais.
Quando o reputado economistas português João César das Neves toma por base a esquerda pela leitura de Jean-Paul Sartre, claro que as suas teses, de que a esquerda é antiliberal ganha validade.
Porém, esquece-se que a leitura de Sartre (como dos trotskistas e leninistas) não foi, nem é, a dominante na esquerda europeia, que sempre esteve, e está, ao lado da Liberdade e do projecto de construção europeia, conforme muitos socialistas e sociais-democratas desde o fim da II Guerra Mundial se bateram e continuam a assumir.
Infelizmente, ainda há um discurso muito em voga que uma visão liberal se prende exclusivamente com o campo económico. É evidente que para a esquerda democrática o liberalismo económico da Escola de Viena e, depois, de Chicago, não colhe agrado, pela pouca dimensão social que tem. Elementar e determinante para a esquerda. No entanto, antes de ser económica, a visão liberal é política, e nesta a esquerda democrática sempre a teve como pilar essencial dos seus princípios.
Que a esquerda está em transformação, isso, mais do que uma inevitabilidade dos tempos, é inato à própria esquerda democrática. Porém, os princípios continuam os mesmos: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
Bem se sabe, conforme a História aprova, que há uma esquerda que tem na Igualdade uma prioridade cimeira com desprezo por todos os outros valores, todavia, não é por acaso que no património da esquerda democrática se enuncia em primeiro lugar a Liberdade.
Quando o reputado economistas português João César das Neves toma por base a esquerda pela leitura de Jean-Paul Sartre, claro que as suas teses, de que a esquerda é antiliberal ganha validade.
Porém, esquece-se que a leitura de Sartre (como dos trotskistas e leninistas) não foi, nem é, a dominante na esquerda europeia, que sempre esteve, e está, ao lado da Liberdade e do projecto de construção europeia, conforme muitos socialistas e sociais-democratas desde o fim da II Guerra Mundial se bateram e continuam a assumir.
Infelizmente, ainda há um discurso muito em voga que uma visão liberal se prende exclusivamente com o campo económico. É evidente que para a esquerda democrática o liberalismo económico da Escola de Viena e, depois, de Chicago, não colhe agrado, pela pouca dimensão social que tem. Elementar e determinante para a esquerda. No entanto, antes de ser económica, a visão liberal é política, e nesta a esquerda democrática sempre a teve como pilar essencial dos seus princípios.
Que a esquerda está em transformação, isso, mais do que uma inevitabilidade dos tempos, é inato à própria esquerda democrática. Porém, os princípios continuam os mesmos: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
Bem se sabe, conforme a História aprova, que há uma esquerda que tem na Igualdade uma prioridade cimeira com desprezo por todos os outros valores, todavia, não é por acaso que no património da esquerda democrática se enuncia em primeiro lugar a Liberdade.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
Um lugar na Assembleia da República
Nos últimos tempos muito se tem falado, e sobretudo criticado, a opção que PS e PPD pretendem adoptar, de partidos com menos de 5 mil militantes deixarem de existir.
Algumas criticas, pertinentes, podem, e devem, ser apontadas. Porém, outras têm sido esquecidas e não são referidas.
Ao determinar este limite mínimo, de 5 mil, está mais do que patente que em breve vão existir círculos uninominais nas legislativas.
Ao estabelecer este número, apenas se previne casos que pouco podem contribuir para o interesse geral, dados interesses particulares que podem surgir.
Parece que ninguém com responsabilidade se esqueceu do célebre caso 'limiano'.
Um lugar na Assembleia da República vale muito. Um Orçamento de Estado inclusive. Importa recordar.
Algumas criticas, pertinentes, podem, e devem, ser apontadas. Porém, outras têm sido esquecidas e não são referidas.
Ao determinar este limite mínimo, de 5 mil, está mais do que patente que em breve vão existir círculos uninominais nas legislativas.
Ao estabelecer este número, apenas se previne casos que pouco podem contribuir para o interesse geral, dados interesses particulares que podem surgir.
Parece que ninguém com responsabilidade se esqueceu do célebre caso 'limiano'.
Um lugar na Assembleia da República vale muito. Um Orçamento de Estado inclusive. Importa recordar.
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Os mitos que se criam
Li ontem a entrevista que Mários Soares deu ao DN e à TSF.
Continuo a verificar que o fundador histórico do PS continua a alimentar um mito quanto ao imputado neoliberalismo de Blair.
Se Blair fosse assim tão neoliberal como Soares quer fazer crer, como justifica, então, o investimento realizado na Educação, Saúde e Segurança Social dos mandatos trabalhistas? Áreas que qualquer neoliberal despreza e desconsidera.
Continuo a verificar que o fundador histórico do PS continua a alimentar um mito quanto ao imputado neoliberalismo de Blair.
Se Blair fosse assim tão neoliberal como Soares quer fazer crer, como justifica, então, o investimento realizado na Educação, Saúde e Segurança Social dos mandatos trabalhistas? Áreas que qualquer neoliberal despreza e desconsidera.
terça-feira, 9 de outubro de 2007
Prós e Contras
O debate tornou-se excessivamente politiquês, dada a concentração do debate em dois intervenientes, Rui Pereira e Paulo Portas.
Continua a notar-se a falta de evolução do pensamento político de direita em termos de Segurança. Uma área tão delicada não pode ser encarada como uma obsessão securitária e sem uma dimensão mais vasta, porque Segurança Pública não é só bastão.
Continua a notar-se a falta de evolução do pensamento político de direita em termos de Segurança. Uma área tão delicada não pode ser encarada como uma obsessão securitária e sem uma dimensão mais vasta, porque Segurança Pública não é só bastão.
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Militantes são gente de encher?
Através do PS Lumiar, tomo conhecimento deste texto: Sócrates devia pôr o PS a pensar.
Entre a referência inicial do texto à mudança que Blair provocou no Labour (outra situação não se colocava ao então líder trabalhista, tal os anos de oposição ao predominante Governo conservador), não é possível, de todo, transpor a realidade britânica para a nacional. Desde logo por condições históricas, sociais e culturais, mas também do sistema político.
Não se pode esquecer a forma, por exemplo, como se elege um deputado no Reino Unido e em Portugal. Só esta dimensão causa profundas diferenças entre as realidades partidárias. Talvez a introdução de círculos uninominais, se se verificar, venha provocar uma mudança no sistema partidário e contribua para uma maior responsabilização e importância do local, em detrimento da vontade centralista, mais predominante (com as virtudes e defeitos que tem).
Por outro lado, o título do texto, por si só, enferma de uma leitura errada, pois um partido, que é de militantes, ou mesmo de quadros, não pode estar totalmente dependente das orientações que o seu líder dá ou deixa de dar. Afinal, de que serve o capital humano dos partidos?
Os militantes devem ser o estímulo da vida partidária, não apenas, e tão só, os quadros dirigentes. Quanto mais os quadros dirigentes (nacionais, regionais e locais) estiverem distantes e não contarem com a participação dos militantes, mais o partido se enfraquece na sociedade.
O mundo muda e os partidos (portugueses) ainda continuam com modelos de militância anacrónicos. Este meio, da internet, é um excelente veículo e aliado estratégico para refundar o papel da militância partidária, assim haja vontade dos militantes para empreender uma nova e mais dinâmica forma de militar.
Não podem os militantes estar à espera que seja apenas o topo a decidir o que o partido faz ou deixa de fazer.
Mais do que ser o Secretário-Geral do PS a colocar o partido a pensar, devem ser os militantes a fazer movimentar o partido.
A máxima de Kennedy, do perguntar o que posso fazer em vez de esperar o que façam por nós, não é apenas soundbyte, é algo mais profundo.
É preciso assumir responsabilidade, que cada pessoa tem, não a depositar no líder... atitude que só o enfraquece, não o fortalece.
Face às críticas, algumas pertinentes, que muitas pessoas fazem aos partidos, estes precisam de assumir novas formas de fazer política, não para agradar à sociedade, mas contribuir para a sua melhoria.
Entre a referência inicial do texto à mudança que Blair provocou no Labour (outra situação não se colocava ao então líder trabalhista, tal os anos de oposição ao predominante Governo conservador), não é possível, de todo, transpor a realidade britânica para a nacional. Desde logo por condições históricas, sociais e culturais, mas também do sistema político.
Não se pode esquecer a forma, por exemplo, como se elege um deputado no Reino Unido e em Portugal. Só esta dimensão causa profundas diferenças entre as realidades partidárias. Talvez a introdução de círculos uninominais, se se verificar, venha provocar uma mudança no sistema partidário e contribua para uma maior responsabilização e importância do local, em detrimento da vontade centralista, mais predominante (com as virtudes e defeitos que tem).
Por outro lado, o título do texto, por si só, enferma de uma leitura errada, pois um partido, que é de militantes, ou mesmo de quadros, não pode estar totalmente dependente das orientações que o seu líder dá ou deixa de dar. Afinal, de que serve o capital humano dos partidos?
Os militantes devem ser o estímulo da vida partidária, não apenas, e tão só, os quadros dirigentes. Quanto mais os quadros dirigentes (nacionais, regionais e locais) estiverem distantes e não contarem com a participação dos militantes, mais o partido se enfraquece na sociedade.
O mundo muda e os partidos (portugueses) ainda continuam com modelos de militância anacrónicos. Este meio, da internet, é um excelente veículo e aliado estratégico para refundar o papel da militância partidária, assim haja vontade dos militantes para empreender uma nova e mais dinâmica forma de militar.
Não podem os militantes estar à espera que seja apenas o topo a decidir o que o partido faz ou deixa de fazer.
Mais do que ser o Secretário-Geral do PS a colocar o partido a pensar, devem ser os militantes a fazer movimentar o partido.
A máxima de Kennedy, do perguntar o que posso fazer em vez de esperar o que façam por nós, não é apenas soundbyte, é algo mais profundo.
É preciso assumir responsabilidade, que cada pessoa tem, não a depositar no líder... atitude que só o enfraquece, não o fortalece.
Face às críticas, algumas pertinentes, que muitas pessoas fazem aos partidos, estes precisam de assumir novas formas de fazer política, não para agradar à sociedade, mas contribuir para a sua melhoria.
domingo, 30 de setembro de 2007
Há diferenças na mesma família política
Caro Pedro,
Claro que há diferenças entre os diferentes conjuntos partidários da extrema-direita. Não o nego. Não veria, por exemplo, a FN com a postura da formação, de certo modo exótica, de Pim Fortuyn (partido que se extinguiu há pouco tempo).
Como há diferenças no seio das diversas famílias políticas europeias. Nas maiores famílias políticas europeias, socialista e popular, reconheço maior homogeneidade no PSE do que no PPE. A UMP não é CDU (alemã) e, no caso socialista, o PSF não tem uma concepção coincidente à do Labour.
Se quisermos, no campo comunista, onde há partida até poderia haver maior unidade programática, podemos notar diferenças significativas na própria Ibéria, veja-se o caso do sovietismo do PCP e o eurocomunismo da IU.
A abordagem é feita num quadro macro e, por isso, não tem em conta essas especificidades que bem aponta.
Questões históricas, como se referiu, a que se pode acrescentar o sistema político, que não é o mesmo em todos os países.
Claro que há diferenças entre os diferentes conjuntos partidários da extrema-direita. Não o nego. Não veria, por exemplo, a FN com a postura da formação, de certo modo exótica, de Pim Fortuyn (partido que se extinguiu há pouco tempo).
Como há diferenças no seio das diversas famílias políticas europeias. Nas maiores famílias políticas europeias, socialista e popular, reconheço maior homogeneidade no PSE do que no PPE. A UMP não é CDU (alemã) e, no caso socialista, o PSF não tem uma concepção coincidente à do Labour.
Se quisermos, no campo comunista, onde há partida até poderia haver maior unidade programática, podemos notar diferenças significativas na própria Ibéria, veja-se o caso do sovietismo do PCP e o eurocomunismo da IU.
A abordagem é feita num quadro macro e, por isso, não tem em conta essas especificidades que bem aponta.
Questões históricas, como se referiu, a que se pode acrescentar o sistema político, que não é o mesmo em todos os países.
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
Da extrema-direita e dos comunismos
Caro André,
A propósito do texto exposto, convém recordar que nas recentes legislativas gregas, um partido de extrema-direita obteve um resultado consideráveis, contando, na nova sessão legislativa, com um grupo parlamentar.
É certo que a extrema-direita tem vindo a perder fôlego na parte ocidental da Europa. Tal se deve, por um lado, ao esgotamento das propostas apresentadas (em França tal é manifesto - as propostas apresentadas pela UMP que soube cativar muito eleitorado da FN também contribuíram para a quebra da FN), e, por outro, à assunção de responsabilidades governativas de partidos de extrema-direita, como na Áustria e na Holanda. Provou-se, em exercício de funções, que uma coisa é a demagogia propalada na oposição, outra é assumir responsabilidades políticas.
O discurso oco, sem conteúdo e irresponsável, ainda que se apresente de forma cativante, através da exploração de questões delicadas, mas abordadas de modo muito superficial, como a imigração, provam que a extrema-direita, tal como a extrema-esquerda, não são contribuintes de estabilidade e segurança que se pretende numa sociedade. Pelo contrário, tendem a criar desiquílibrios.
É verdade que os partidos comunistas, muitos deles adeptos e simpatizantes do modelo e método totalitário soviético, não são "olhados de lado" na parte ocidental, pois estes foram parte da resistência às ditaduras de direita. Mas, verificar-se-á, nos países outrora pertencentes ao Pacto de Varsóvia, e recém integrados na UE, como a limitação ou ilegalização de partidos comunistas tem sido assumida, como na República Checa ou Estónia.
Questões histórias. Onde uns foram resistentes, mesmo adeptos do totalitarismo, estão hoje integrados no sistema político. Onde outros tiveram o poder ou simpatia pelo poder do período autocrático, merecem hoje reprovação do sistema político, social e cultural.
A propósito do texto exposto, convém recordar que nas recentes legislativas gregas, um partido de extrema-direita obteve um resultado consideráveis, contando, na nova sessão legislativa, com um grupo parlamentar.
É certo que a extrema-direita tem vindo a perder fôlego na parte ocidental da Europa. Tal se deve, por um lado, ao esgotamento das propostas apresentadas (em França tal é manifesto - as propostas apresentadas pela UMP que soube cativar muito eleitorado da FN também contribuíram para a quebra da FN), e, por outro, à assunção de responsabilidades governativas de partidos de extrema-direita, como na Áustria e na Holanda. Provou-se, em exercício de funções, que uma coisa é a demagogia propalada na oposição, outra é assumir responsabilidades políticas.
O discurso oco, sem conteúdo e irresponsável, ainda que se apresente de forma cativante, através da exploração de questões delicadas, mas abordadas de modo muito superficial, como a imigração, provam que a extrema-direita, tal como a extrema-esquerda, não são contribuintes de estabilidade e segurança que se pretende numa sociedade. Pelo contrário, tendem a criar desiquílibrios.
É verdade que os partidos comunistas, muitos deles adeptos e simpatizantes do modelo e método totalitário soviético, não são "olhados de lado" na parte ocidental, pois estes foram parte da resistência às ditaduras de direita. Mas, verificar-se-á, nos países outrora pertencentes ao Pacto de Varsóvia, e recém integrados na UE, como a limitação ou ilegalização de partidos comunistas tem sido assumida, como na República Checa ou Estónia.
Questões histórias. Onde uns foram resistentes, mesmo adeptos do totalitarismo, estão hoje integrados no sistema político. Onde outros tiveram o poder ou simpatia pelo poder do período autocrático, merecem hoje reprovação do sistema político, social e cultural.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
