sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Da extrema-direita e dos comunismos

Caro André,
A propósito do texto exposto, convém recordar que nas recentes legislativas gregas, um partido de extrema-direita obteve um resultado consideráveis, contando, na nova sessão legislativa, com um grupo parlamentar.
É certo que a extrema-direita tem vindo a perder fôlego na parte ocidental da Europa. Tal se deve, por um lado, ao esgotamento das propostas apresentadas (em França tal é manifesto - as propostas apresentadas pela UMP que soube cativar muito eleitorado da FN também contribuíram para a quebra da FN), e, por outro, à assunção de responsabilidades governativas de partidos de extrema-direita, como na Áustria e na Holanda. Provou-se, em exercício de funções, que uma coisa é a demagogia propalada na oposição, outra é assumir responsabilidades políticas.
O discurso oco, sem conteúdo e irresponsável, ainda que se apresente de forma cativante, através da exploração de questões delicadas, mas abordadas de modo muito superficial, como a imigração, provam que a extrema-direita, tal como a extrema-esquerda, não são contribuintes de estabilidade e segurança que se pretende numa sociedade. Pelo contrário, tendem a criar desiquílibrios.
É verdade que os partidos comunistas, muitos deles adeptos e simpatizantes do modelo e método totalitário soviético, não são "olhados de lado" na parte ocidental, pois estes foram parte da resistência às ditaduras de direita. Mas, verificar-se-á, nos países outrora pertencentes ao Pacto de Varsóvia, e recém integrados na UE, como a limitação ou ilegalização de partidos comunistas tem sido assumida, como na República Checa ou Estónia.
Questões histórias. Onde uns foram resistentes, mesmo adeptos do totalitarismo, estão hoje integrados no sistema político. Onde outros tiveram o poder ou simpatia pelo poder do período autocrático, merecem hoje reprovação do sistema político, social e cultural.

2 comentários:

pedro guedes disse...

Caro Carlos,
Antes de tudo, parabéns pelo seu novo espaço que frequentarei como é evidente - até para não perder a embalagem das nossas "conversas francesas".
Isto dito, registar o seguinte: um dos grandes problemas da análise dessa "extrema-direita" na Europa é que se metem habitualmente no mesmo saco coisas que nada têm a ver umas com as outras. Se tentarmos desde logo encontrar um "núcleo ideológico" para todos os exemplos que dá... não conseguimos. E o populismo não é doutrina.
Os confrades da FN francesa nunca estiveram no governo na Holanda ou na Áustria. Mais fácil, numa perspectiva ideológica, seria considerar a experiência governativa italiana mas mesmo aí... repare que falamos de um dos últimos ídolos de Paulo Portas.
E no caso grego que menciona na abertura do postal, ora dê-se o meu amigo ao trabalho de dar um salto ao jornal da Nova Democracia e observe por lá um comunicado de satisfação com o facto. Estas coisas não são tão simples como parecem. Já tinhaa saudades destas polémicas, tentarei abordar o tema lá no meu tasco.
Um abraço e parabéns mais uma vez.

Anónimo disse...

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