segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Treinadores de sofá

O que há é Manuel Alegre a dizer que o país não está bem. E que há pobreza nas ruas. Ora muito obrigado. Isso toda a gente sabe. É que não deixa de ser curiosa esta absoluta falta de exigência para com este movimento liderado por Manuel Alegre. De todos quantos se arrogam apresentar alternativas ao governo, Manuel Alegre é o único que não tem de apresentar estudos, nem números, nem programas, nem ideias, nem soluções.

Caro Adolfo,
O que empobrece o debate político não é a pluralidade de leituras políticas, que são importantes e vitais para qualquer partido político e para a sociedade, mas o vazio de conteúdo que apresentam.
Aos políticos, além de analisarem e interpretarem o estado do País, requer-se respostas, não la palissadas.
Por essa Europa fora, há exemplos de Fontaine e Fabius, que nada acrescentam às causas da esquerda, pelo contrário, como os exemplos alemão e francês demonstram.
Em Portugal, há quem pense que quem fala mais alto que é de esquerda e se arroga guardião dos princípios de esquerda é o único político de esquerda.
Por exemplo, a Manuel Alegre ainda não ouvi uma única palavra sobre a reforma que este Governo fez, e bem, na Segurança Social, salvando um sistema que estava a caminhar para a falência. Se a Segurança Social não é importante para um partido de esquerda, o que será?
É fácil dizer que está mal, mas difícil contribuir para fazer bem.
Os políticos não podem ser treinadores de sofás. Mesmo aqueles que são eleitos deputados à Assembleia da República.

2 comentários:

AMN disse...

Verdade seja dita, em jeito de reles provocação, que foi o PS que andou durante anos a vender Alegre, juntamente com outros, como personalidade intocável do regime, penhor da República, a quem se deve muito. Nunca nada que se tivesse propriamente confirmado, para lá dos gestos evidentemente merecedores de admiração do senhor.

Um abraço,
a.

Lebre disse...

Dois homens sozinhos e perdidos numa floresta andam inadvertidamente em direcção a um vulcão. Um deles, o mais inteligente, pressente que aquele não é o caminho, e quer voltar para traz à procura de outro rumo. O outro prefere sentar-se a fazer um estudo de como enfrentar o vulcão.

Resta acrescentar que a ciência, e os seus "estudos", estão a tornar-se um mercado de "pareceres" jurídicos e técnicos. Um bocado como o futebol, onde tudo e nada pode acontecer para explicar tudo e nada. E, desta forma, divertimo-nos a alegar que X ou Y não têm que fazer estudos, e Z e K coitadinhos que têm que o fazer, sem percebermos nada do que é ou deixa de ser um estudo. É apenas uma palavra com bastante "autoridade" semântica e capacidade de deslumbramento para aqueles que se limitam a repetir o que os outros dizem.

Se há coisa detestável, independentemente das posições que cada um possa tomar, é passar por um blog que mais parece - ou é - uma máquina de propaganda de um partido. Nada de novo se diz, apenas se repete. Há alguem a falar sozinho e vai a caminho de um vulcão com um estudo na mão.