quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Militantes são gente de encher?

Através do PS Lumiar, tomo conhecimento deste texto: Sócrates devia pôr o PS a pensar.
Entre a referência inicial do texto à mudança que Blair provocou no Labour (outra situação não se colocava ao então líder trabalhista, tal os anos de oposição ao predominante Governo conservador), não é possível, de todo, transpor a realidade britânica para a nacional. Desde logo por condições históricas, sociais e culturais, mas também do sistema político.
Não se pode esquecer a forma, por exemplo, como se elege um deputado no Reino Unido e em Portugal. Só esta dimensão causa profundas diferenças entre as realidades partidárias. Talvez a introdução de círculos uninominais, se se verificar, venha provocar uma mudança no sistema partidário e contribua para uma maior responsabilização e importância do local, em detrimento da vontade centralista, mais predominante (com as virtudes e defeitos que tem).
Por outro lado, o título do texto, por si só, enferma de uma leitura errada, pois um partido, que é de militantes, ou mesmo de quadros, não pode estar totalmente dependente das orientações que o seu líder dá ou deixa de dar. Afinal, de que serve o capital humano dos partidos?
Os militantes devem ser o estímulo da vida partidária, não apenas, e tão só, os quadros dirigentes. Quanto mais os quadros dirigentes (nacionais, regionais e locais) estiverem distantes e não contarem com a participação dos militantes, mais o partido se enfraquece na sociedade.
O mundo muda e os partidos (portugueses) ainda continuam com modelos de militância anacrónicos. Este meio, da internet, é um excelente veículo e aliado estratégico para refundar o papel da militância partidária, assim haja vontade dos militantes para empreender uma nova e mais dinâmica forma de militar.
Não podem os militantes estar à espera que seja apenas o topo a decidir o que o partido faz ou deixa de fazer.
Mais do que ser o Secretário-Geral do PS a colocar o partido a pensar, devem ser os militantes a fazer movimentar o partido.
A máxima de Kennedy, do perguntar o que posso fazer em vez de esperar o que façam por nós, não é apenas soundbyte, é algo mais profundo.
É preciso assumir responsabilidade, que cada pessoa tem, não a depositar no líder... atitude que só o enfraquece, não o fortalece.
Face às críticas, algumas pertinentes, que muitas pessoas fazem aos partidos, estes precisam de assumir novas formas de fazer política, não para agradar à sociedade, mas contribuir para a sua melhoria.

2 comentários:

Rui Pedro Nascimento disse...

Carlos, sabes bem que, na realidade, os partidos não funcionam assim, principalmente quando estão no poder.

CMC disse...

Caro Rui,
Mais uma razão que justifica o 'refundar' da militância.