sábado, 8 de dezembro de 2007

Os críticos agora calam-se

Angela Merkel critica situação no Zimbabwe

Há quem tenha por hábito criticar o que se faz, como o que não se faz, não tendo estas pessoas outra postura que não seja criticar só pelo simples acto de desdenhar.
Nestes últimos dias leu-se, ouviu-se, tomou-se conhecimento, de acordo com os que só sabem criticar, de que neste fim-de-semana estaríamos perante mais um momento de hipocrisia dos europeus, por receberem vários ditadores africanos na Cimeira UE/África.
Ora, esses ditadores, que nas suas mansões imperais fazem ouvidos de mercador, primeiro às necessidades do seu povo e do seu país, pouco ligam ao que dizem e consideram a seu respeito no exterior, enquanto governam a seu bel-prazer intramuros. Se há momentos em que é possível dizer, olhos nos olhos, a esses ditadores que a sua política não é benéfica, aliás, é nociva, estes encontros são ocasiões propícias para se expressar o que se considera, mantendo, como é óbvio, respeito pela pessoa e soberania de cada um. Caso contrário pouco se deferiria do autocrata.
As palavras de Merkel, hoje, acerca da situação do Zimbabué, não deixam espaço para dúvidas. É hipocrisia? Não.
Talvez seja tempo de perceber que não bastam meras intenções, mas sim responsabilidades. Esta cimeira parece querer dar esse passo.
Os que tanto criticam, e só respiram essa condição, critiquem, então, a Chanceler alemã, como outros líderes europeus e africanos, que hoje assinalaram o que de grave se passa no Darfur, no Zimbabué ou na Somália.

2 comentários:

Luis disse...

E de facto uma PM Alemã é mesmo a pessoa mais indicada para dar lições de civismo. Há gente que nunca há-de enxergar nada.

Luis disse...

O que o Mugabe disse é do mais elementar bom-senso. O que ele disse foi exactamente isto:

“Ontem, ouvimos quatro países – Alemanha, Suécia, Dinamarca e Holanda – criticar o Zimbabwe pelo desrespeito dos direitos humanos. O bando dos quatro ‘pró-Gordon’ pensa que conhece melhor o Zimbabwe [do que os outros africanos] e esse é o tipo de arrogância, de complexo de superioridade que nós combatemos”.

“Por que é que o primeiro-ministro britânico não veio? Porque ele tem aqui os seus porta-vozes”.

“Os africanos combateram para conquistar os direitos humanos quando estavam sujeitos à opressão” e que “não houve democracia no Zimbabwe durante os mais de cem anos” que durou a colonização britânica.

“A Europa não aceitará os resultados de eleições regulares porque não gosta do vencedor”. “O Reino Unido e os EUA querem mudar o nosso Governo, pensam que têm esse direito, mas nós dizemos ‘não’. Temos o direito de escolher o nosso futuro, pois o Zimbabwe não será nunca mais uma colónia”