quarta-feira, 19 de março de 2008

O recuo do Dalai Lama

O Dalai Lama defendeu, esta quarta-feira, uma solução para o Tibete que não passe pela independência, apelando ao diálogo com a China.

Depois de ter esticado a corda nos últimos dias, chegando a ameaçar com a sua saída de líder espiritual do Tibete, se a violência continuasse em Lhasa, o Dalai Lama recuperou, esta quarta-feira, o seu discurso de diálogo e entendimento com Pequim, reiterando a não independência da região dos Himalaias.

2 comentários:

Anónimo disse...

19 DE MARÇO DE 2008 - 12h23
Confira os mitos e os fatos concretos sobre o Tibete

O jornalista francês Hubert Beuve-Mery, fundador do Le Monde, costumava insistir que ''a missão do jornalista é saber e dizer o máximo possível''. Ainda há jornais e jornalistas que seguem esse preceito. Mas cresce o número dos que substituem qualquer esforço investigador pela reprodução acomodada de versões unilaterais e distorcidas dos acontecimentos.

Por Duarte Pereira, para a revista Princípios



A controvérsia sobre o Tibete é um bom exemplo. Livros, reportagens e documentários repetem, monocordiamente, os relatos e as acusações difundidas pelos separatistas tibetanos. Não entrevistam as autoridades atuais da região, nem os monges patriotas que apoiam a unidade da China. Não recorrem às informações e aos documentos oferecidos pelo governo central do país. Não consultam especialistas independentes. Se o fizessem, seria obrigados a reconhecer que a história da China, do Tibete e de suas relações mútuas é muito diferente da propagada pelos separatistas.

A polêmica envolve três questões básicas. Primeira: o Tibete é um país independente, invadido e ocupado pelos comunistas, à frente do Exército Popular, ou faz parte da China há 700 anos, tendo os comunistas apenas cumprido o dever de libertar e reunificar o conjunto do país?

Segunda: antes de 1950, o Tibete era uma terra pacífica e feliz, governada por monges sábios e desprendidos como a mítica Shangri-la do novelista britânico James Hilton, ou penava sob um regime teocrático-feudal, atrasado e cruel?

Por último, o que é melhor para as nacionalidades chinesas e para os povos do mundo nas vésperas do século 21: a divisão e o dilaceramento da China, ou a preservação de sua unidade estatal e o progresso conjunto de suas nacionalidades?

O teto do mundo

A República Popular da China é um país enorme, formado por 23 províncias, cinco regiões autônomas, uma região especial, Hong Kong, e três municipalidades subordinadas diretamente ao governo central. O Tibete é uma das regiões autônomas. Cobre uma superfície de 1 milhão e 200 mil quilômetros quadrados, aproximadamente a oitava parte do território chinês, e abrange a capital, Lhasa, seis prefeituras e 76 distritos.

Localizado no sudoeste da China, o Tibete limita-se ao norte com a Região Autônoma de Xinjiang, ao nordeste com a província de Qinghai, ao leste com a de Sichuan, ao sudeste com a de Yunnan, e ao sul e ao oeste com os seguintes países, no sentido horário: Myanma ( antiga Birmânia), Butão, Sikkim ( principado de origem tibetana, anexado pela Índia em 1974), Nepal e Índia.

O Tibete ocupa a maior parte do planalto que leva seu nome, o mais alto de Terra, com uma elevação média de 4 mil metros. É, por isso, apelidado de Teto do Mundo. É praticamente cercado por cordilheiras: ao norte, a de Kunlun; ao leste, a de Tangula; ao sul e ao oeste, a do Himalaia. Nesta última, na fronteira entre o Tibete, na China, e o Nepal, ergue-se a montanha mais alta do planeta, com 8.848 metros, a Qomolangma Feng, ou ''mãe sagrada das águas'', conhecida no Ocidente como monte Everest. No único intervalo entre as cordilheiras, no limite com a província de Sichuan, o Tibete é separado pelo rio Jinsha.

Aliás, os rios mais importantes da Ásia nascem no planalto tibetano: para o leste, os rios Amarelo ( Huang-ho) e Azul ( Yangtze Kiang), os principais da China; para o sul, o Mekong, que desemboca na costa do Vietnã, e o Yarlung Zangbo, que passa a chamar-se Brahmaputra na Índia e deságua no golfo de Bengala; para o oeste, o Indo e o Ganges, os principais da Índia.

É uma região rica em recursos naturais. Conta com enorme variedade de aves e animais e com mais de 5.700 espécies vegetais, inclusive plantas medicinais de grande renome, base da medicina tibetana tradicional. Já foram localizadas jazidas de 70 tipos de minerais e os recursos geotérmicos são abundantes, chegando a temperatura da água em alguns poços a 92 graus C.

Por sua diversidade, o Tibete pode ser dividido em três zonas naturais. A parte norte, onde se concentra a criação extensiva de iaques e ovelhas, tem altitude média de 4.500 metros, clima frio e seco, extensas pradarias e numerosos lagos, como o famoso Nam Co, o segundo maior lago salgado da China.

A área oriental é constituída por uma série de montanhas elevadas e vales profundos, com a altitude variando entre 2 mil e 6 mil metros. É a zona mais inóspita. A neve perpétua nos cumes de suas montanhas é responsável pelo outro apelido, atribuído ao Tibete, de Terra das Neves.

Nos vales do sul, cortados pelos rios Yarlung Zangbo e afluentes, a altitude média é inferior a 4 mil metros, o clima é temperado, a precipitação pluvial é copiosa e a vegetação arbórea, exuberante. Nessa área é que se concentram a população e as atividades agrícolas. É, por isso, conhecida como o celeiro do planalto.

Apesar da altitude, do ar rarefeito e do clima severo, o planalto tibetano começou a ser povoado no período neolítico. Por essa época, uma população já considerável se espalhava nas planícies centrais da China, entre os rios Amarelo e Yangtze.

China, um país milenar e multinacional

Para deslindar a controvérsia sobre o Tibete, é preciso entender a formação histórica da China. Trata-se de um país milenar, o único com aproximadamente 4 mil anos de história contínua, e também multinacional, integrado por 56 nacionalidades.

A China não é, portanto, uma construção exclusiva da nacionalidade han, a majoritária. É um produto histórico da luta e do trabalho conjunto de todas as nacionalidades que a integram. Com uma trajetória tão longa, a China não podia escapar aos conflitos entre suas dinastias, nacionalidades e classes. Por mais de uma vez, foi unificada, dividida e reunificada.

Se a convergência prevaleceu e se as nacionalidades chinesas estreitaram seus vínculos ao longo dos séculos, é porque perceberam, diante das ameaças exteriores, que só garantiriam sua independência comum e o desenvolvimento de suas economias e de suas culturas se aprofundassem as relações de unidade e cooperação.

Os vínculos entre as nacionalidades han e tibetana, por exemplo, remontam a tempos muito antigos. Uma prova indelével se encontra no idioma das duas nacionalidades: pertencem à mesma família lingüística, significativamente classificada como sino-tibetana. O próprio budismo, que iria marcar tão profundamente a cultura tibetana, foi introduzido na região pelo norte da Índia e pelo Nepal, mas também pela Mongólia e pela China central.

No século 7, quando as tribos do planalto tibetano formaram seu primeiro Estado unificado, o reino de Tubo, dois de seus soberanos casaram-se com princesas de origem han, firmaram uma aliança política com a dinastia Tang, das planícies centrais da China, e intensificaram o intercâmbio econômico e cultural entre as duas nacionalidades.

O reino de Tubo desapareceu em meados do século 9, quando o rei Langdama foi assassinado por fanáticos religiosos. Durante 400 anos, o planalto tibetano foi sacudido por separatismos e por guerras, com principados e mosteiros lutando entre si. Por coincidência, na mesma época, as planícies centrais e o sul da China eram conflagrados por disputas dinásticas intermináveis.

Ainda assim, o intercâmbio entre as duas nacionalidades não se interrompeu, desenvolvendo-se inclusive uma nova modalidade de comércio, a troca de chá chinês por cavalos tibetanos. E quando, no século 13, o mongol Kublai Khan reunificou a China e fundou a nova e poderosa dinastia Yuan, o Tibete foi incorporado ao Império do Meio como uma de suas províncias. O italiano Marco Polo, que visitou a corte de Kublai Khan e registrou as observações de sua viagem, descreve o Tibete como uma das 12 províncias do império.

O Tibete, parte da China

Desde então, há 700 anos, o Tibete faz parte da China. Assim permaneceu nas dinastias Ming e Qing, que se seguiram. Quando a República foi proclamada, seu primeiro presidente Sun Yat-sen, declarou no discurso de posse em primeiro de janeiro de 1912: ''O fundamento desta República baseia-se no povo, que integra todas as zonas hans, manchus, mongóis, huis e tibetanas num único Estado''. A República Popular, proclamada em 1949, estendeu o reconhecimento às demais nacionalidades.

A subordinação do Tibete aos sucessivos governos da China, desde o século 13, evidencia-se na presença de representantes do poder central em Lhasa; na nomeação e julgamento de funcionários locais; no envio de tropas para defender as fronteiras e manter a ordem interna; na condução centralizada das relações exteriores; na imposição de leis, decretos e regulamentos; na realização de censos demográficos; na cobrança de tributos; na redefinição de órgãos e divisões administrativas internas. É importante ressaltar também que, desde o século 13, nenhum país reconhece o Tibete como um Estado separado da China.

Outra prova da incorporação do Tibete à China é a participação de delegados tibetanos em órgãos executivos e legislativos do poder central, desde a dinastia Yuan. O próprio entrelaçamento entre o poder político e o poder religioso no Tibete nasceu com sua integração na China, quando Kublai Khan, para facilitar a pacificação do planalto tibetano, aliou-se com a influente seita budista de Sagya, tendo o cuidado, no entanto, de repartir cargos e títulos equitativamente entre lamas e nobres leigos.

Durante a dinastia Ming, cresceu a influência da seita Kargyu, ou Branca, sobrepujada durante a dinastia Qing pela seita Gelug, ou Amarela, quando os abades dos mosteiros de Drepung, em Lhasa, e de Trashilhunpo, em Xigaze, desta seita, tiveram seus títulos e atribuições de Dalai-Lama e de Panchen-Erdeni confirmados pela corte imperial.

Finalmente, em meados do século 18, a corte Qing determinou que o sétimo Dalai-Lama assumisse a liderança do governo local do Tibete. Porque o Dalai-Lama e o Panchen-Erdeni acumulam funções religiosas e políticas, a escolha de seus sucessores passou a depender de confirmação final pelo governo central da China. A escolha e a entronização do atual Dalai-Lama foram confirmadas pelo governo nacionalista da República da China em 1940.

É sabido que a China passou por fases de divisão e enfraquecimento do poder central, quando os governos locais, não só o do Tibete, adquiriam grande autonomia, muitas vezes estimulados por potências estrangeiras, interessadas em arrebatar fatias do território chinês.

Foi assim que a Rússia czarista ocupou uma parte da Mongólia e a dividiu em Mongólia Exterior e Mongólia Interior. Ou que o Japão invadiu a Mandchúria e tentou restabelecer, sob seu controle, a dinastia Manchu dos Qing, derrubada pelo movimento republicano. Da mesma forma, a Grã-Bretanha, já senhora da Índia, do Butão do Sikkim e do Nepal, combinou seus ataques ao litoral chinês com a invasão do Tibete em 1888 e 1903 e com as tentativas de impor à China o Tratado de Lhasa e a Convenção de Simla.

A propaganda separatista, tão estridente contra a China, silencia sobre essas agressões britânicas e os saques perpetrados pelas tropas de Sua Majestade, assim como não menciona a tentativa indiana de invocar a Convenção de Simla para arrebatar da soberania chinesa uma parcela do planalto tibetano, o que levou em 1962 a um conflito fronteiriço entre os dois países.

A ocupação britânica do Tibete não vingou, mas a grande potência imperialista arrancou concessões e passou a estimular, entre lamas e nobres tibetanos, um movimento pela independência, isto é, pela separação do Tibete, para colocá-lo sob controle ocidental. Após a Segunda Guerra Mundial e com a avanço da revolução popular na China, os Estados Unidos aderiram aos intentos britânicos, reforçando o movimento separatista com agentes, armas, treinamento, propaganda e apoio diplomático.

O Partido Comunista e o governo popular, instalado em Pequim em primeiro de Outubro de 1949, tinham o dever, portanto de concluir a libertação e a reunificação da China, defendendo, como no passado, as fronteiras históricas do país.

Ainda assim, não se pode acusá-los de agir precipitadamente. Entre Outubro de 1949 e Outubro de 1950, fizeram repetidas gestões para que o governo local negociasse as condições de libertação pacífica do Tibete. Mas o governo tibetano, dominado pela facção pró-ocidental, preferiu concentrar tropas na margem do rio Jingsha. Diante da intransigência, o governo central determinou que o exército popular transpusesse o rio e entrasse no Tibete, travando-se a batalha de Qamdo entre 6 e 24 de Outubro de 1950, a única na libertação do Tibete. Derrotadas as tropas locais, o Exército Popular interrompeu seu avanço, enquanto o governo de Pequim insistia nas negociações.

O confronto, no governo e na classe dominante do Tibete, entre a facção pró-ocidental e o sector favorável à negociação se aprofundou, o regente foi afastado, o décimo quarto Dalai-Lama, ainda menor de idade, assumiu a liderança e nomeou negociadores. Em contrapartida, retirou-se para Yadong, na fronteira com a Índia.

Alguns meses depois, em 23 de Maio de 1951, em Pequim, os delegados do governo central e local assinaram o Acordo dos 17 Artigos, que reconhecia a unidade da China e a autoridade do governo popular sobre todo o território nacional, mantendo temporariamente os governantes e as instituições do Tibete até que fosse negociada a reforma democrática pacífica da região. Em 24 de Outubro de 1951, o décimo quarto Dalai-Lama telegrafou ao presidente Mao Tsé Tung, aprovando pessoalmente o acordo, e retornou a Lhasa.

O Exército Popular entrou na capital tibetana em 26 de Outubro de 1951, após o regresso do Dalai-Lama e com seu consentimento. O montanhista austríaco e militante nazista Heinrich Harrer, autor de Sete anos no Tibete, geralmente muito tendencioso em seus relatos, reconhece: ''Deve-se dizer que durante essa guerra as tropas chinesas se mostraram disciplinadas e tolerantes e os tibetanos que foram capturados e depois libertados diziam que haviam sido bem tratados.''

Em 1954, o décimo quarto Dalai-Lama participou da primeira Assembléia Nacional Popular da China, que elaborou a Constituição da República Popular, tendo sido eleitos um dos vice-presidentes do Comitê Permanente dessa Assembléia. Na ocasião, pronunciou um discurso afirmando: ''Os rumores de que o Partido Comunista da China e o governo popular central arruinariam a religião do Tibete, foram refutados. O povo tibetano tem gozado de liberdade em suas crenças religiosas.'' Em 1956, assumiu a presidência do comitê provisório encarregado de organizar a região autônoma do Tibete. As relações entre os governos central e local estavam, portanto, normalizadas.

O levante contra a reforma democrática

O conflito ressurgiu quando se cogitou em promover a reforma democrática do Tibete, separando a religião do Estado, abolindo a servidão rural e a escravidão doméstica e redistribuindo a propriedade das terras e dos rebanhos, monopolizada pela aristocracia civil e pelos mosteiros. A facção pró-ocidental, aproveitando-se da insatisfação entre lamas e nobres, retomou a ofensiva. Agitando as bandeiras separatista e religiosa, e apoiada pela CIA cada vez mais desinibidamente, como hoje se reconhece, essa facção fundou uma organização política, a ''Quatro Rios e Seis Montanhas'', e uma organização militar, o ''Exército de Defesa da Religião'', e iniciou em 1956 ataques armados a funcionários e prédios públicos, a obras de infra-estrutura e até mesmo a tibetanos que apoiassem o movimento democratizador.

Reagindo com prudência, o goverrno central propôs adiar a reforma democrática, até que se chegasse a um acordo satisfatório sobre prazos e requisitos para sua implementação. Mas a facção contra-revolucionária intensificou os ataques e, aproveitando-se de um festival religioso em Lhasa, desfechou uma insurreição na capital em 10 de Março de 1959, retirou o Dalai-Lama para a Índia e generalizou os conflitos.

O governo central considerou, então, rompido o acordo de 1951, destituiu o governo teocrático, transferiu suas atribuições para o Comitê Organizador da Região Autônoma e determinou ao Exército Popular que restabelecesse a ordem no planalto.

A guerra que se seguiu, entre 1959 e 1961, não se travou entre dois países, mas entre duas coalisões sociais. De um lado, as forças imperialistas, interessadas na divisão da China, e a facção de lamas e nobres empenhados na preservação do regime teocrático-feudal; de outro lado, o governo popular central e os monges, nobres, servos e escravos comprometidos com a unidade nacional da China e com a reforma democrática do Tibete. Não foi uma guerra nacional, nem religiosa, mas um conflito semelhante à guerra civil que opôs, nos Estados Unidos, o norte abolicionista ao Sul escravocrata. Ninguém recusa ao governo de Washington o direito de ter recorrido às armas para salvaguardar a unidade nacional e garantir o fim da escravidão.

Muitos têm dificuldade para entender a natureza social do conflito, porque não prestam atenção no regime político-econômico que vigorava no Tibete e nas áreas tibetanas das províncias vizinhas. Aliás, o décimo quarto Dalai-Lama e seus adeptos falam o menos possível do regime antigo.

O feudalismo se generalizou após o colapso do reino de Tubo, em meados do século 9; a teoria budista se consolidou em meados do século 18. Mas, ainda em 1959, os lamas da camada superior, os nobres leigos e seus agentes representavam 5% da população; os servos e os escravos correspondiam a 95%. Os primeiros, especialmente os membros das 400 famílias mais importantes, viviam no fausto; a maioria dos lavradores, pastores e serviçais sobrevivia em extrema penúria. O contraste entre ricos e pobres penetrava nos próprios mosteiros, conforme descreve uma testemunha insuspeita, o décimo quarto Dalai-Lama, em sua autobiografia.

Das terras agriculturáveis, segundo levantamento de Junho de 1959, o governo local detinha e administrava directamente 38,9%; os mosteiros, 36,8%; os aristocratas leigos, 24%. A pequenos camponeses cabiam os 0,3% restantes. Os nobres e os mosteiros possuíam também a maior parte dos rebanhos. Para lavrar as terras e cuidar dos rebanhos, nobres, mosteiros e funcionários recorriam ao trabalho de servos.

Para ter acesso à terra arável e às pastagens, os servos, 90% da população, eram forçados a pagar aos nobres e mosteiros uma renda, principalmente sob a forma de corvéia ou renda em trabalho, secundariamente sob a forma de renda em produtos, e às vezes em dinheiro. Arcavam também com pesados tributos e taxas, pagos em serviços e em dinheiro. Sem recursos suficientes, endividavam-se com os nobres e, principalmente, com os mosteiros, pagando elevados juros. Se morriam sem saldar a dívida, ela passava aos descendentes ou aos vizinhos.

Para os escravos, 5% da população, provavelmente uma sobrevivência do passado pré-feudal, ficavam os serviços domésticos e públicos mais pesados, como a limpeza, o despejo de fezes, o transporte de carga e o transporte de nobres e funcionários, em liteiras ou nas próprias costas. Os filhos de servos e escravos não eram registrados em cartórios públicos, mas nos livros de seus senhores, a quem competia também autorizar os casamentos. Servos e escravos podiam ser trocados, doados, emprestados ou mesmo vendidos. Para os pobres, não havia hospitais, nem escolas. As guerras e epidemias dizimaram a população.

As leis confirmavam essa estrutura desigual, dividindo a população em três estratos e nove graus, com direitos e deveres distintos. Não havia, portanto, igualdade jurídica, nem mesmo para as mulheres do estrato dominante. Se um nobre matava um servo ou um escravo, pagava uma indemnização. Mas, para servos e escravos que agredissem um nobre ou furtassem um bem, os códigos previam penas cruéis, como espancamentos brutais, mutilação de mãos ou pés, extração dos olhos. Até entre os monges, a disciplina era mantida à custa de chicotes e surras, como relata o Dalai-Lama em sua autobiografia. Além de uma prisão pública e precária em Lhasa, havia guardas, tribunais e cárceres privados nos mosteiros e nas grandes propriedades.

Os monges da camada superior e os nobres mais influentes monopolizavam os direitos políticos. O Dalai-Lama encabeçava o governo desde meados do século 18. Os demais cargos eram repartidos entre lamas e nobres leigos. A Seita Amarela, do Dalai-Lama, era privilegiada em relação às demais seitas e o budismo tibetano, em relação às demais religiões.

O Tibete antigo não tinha nada de idílico, portanto. É espantoso que se invoquem os ''direitos humanos'' para defender esse regime opressivo e cruel, em que a maioria da população, formada por servos e escravos, não gozava de liberdade pessoal, nem dispunha de qualquer direito político.

A unidade, garantia do avanço

Rompido o acordo de 1951 pelo décimo quarto Dalai-Lama e seus adeptos separatistas, o governo central aboliu o regime teocrático, revogou as leis e códigos desiguais, fechou os tribunais e cárceres privados, emancipou os servos e os escravos, cancelou as dívidas que os sufocavam e procedeu à redistribuição gradativa e cuidadosa das terras e dos rebanhos, indenizando os proprietários que apoiassem a reforma democrática.

Restabelecida a ordem e concluída a reforma agrária, foi iniciada a implantação do sistema de assembléias e comitês populares, com a eleição das assembléias distritais em 1964. Estas elegeram as assembléias municipais, que por sua vez escolheram a Assembléia Regional Popular em 1965, instituindo-se a Região Autônoma do Tibete. Dos 301 delegados à primeira assembléia, 226 eram tibetanos, a maioria servos e escravos emancipados, mas havia também monges, ex-nobres patriotas e, pela primeira vez em cargos públicos, mulheres. Desde então, a Região Autônoma do Tibete já teve quatro presidentes leigos, todos tibetanos.

Os erros cometidos pela chamada Revolução Cultural entre 1966 e 1976, no Tibete como em toda a China, suscitaram novos atritos, de que se aproveitaram os separatistas para promover distúrbios violentos em Lhasa, entre 1987 e 1989, numa iniciativa orquestrada com as manifestações antigovernamentais em Pequim e com a crise dos países socialistas na Europa Oriental. Mas o Partido Comunista e o governo popular da China venceram essas duras provas, preservando as conquistas revolucionárias, corrigindo os erros e restabelecendo as políticas de liberdade religiosa, de frente única com todos os setores patrióticos e de respeito mútuo entre as nacionalidades. É claro que a China ainda é um país pobre e que o Tibete é uma de suas regiões menos desenvolvidas. É indiscutível também que ainda existe muito que aprender no aprimoramento das democracias socialistas e no desafio de conjugar a preservação das culturas tradicionais com o desenvolvimento de culturas novas e progressistas. Contudo, quem investiga com isenção, não pode deixar de reconhecer os avanços políticos, econômicos e culturais obtidos com a libertação e a reforma do Tibete nas últimas décadas.

Essa experiência positiva, contraposta ao colapso da União Soviética e ao dilaceramento da Iugoslávia, confirma que a união, não a divisão, é que pode assegurar o desenvolvimento conjunto das nacionalidades integrantes de países como a China. Rompida a unidade, abandonado o caminho socialista, na União Soviética e na Iugoslávia, perderam-se também as conquistas democráticas, reacenderam-se as chamas de conflitos étnicos e religiosos, reabriu-se o perigo de propagação de guerras devastadoras.

Certo estava o nono Panchen Erdeni, o segundo lama na hierarquia do budismo tibetano, quando escreveu em 1929: ''Por suas relações históricas e geográficas, nem o Tibete pode ser independente da China, nem a China do Tibete. Assim, ambos serão beneficiados se permanecerem unidos, enquanto a separação prejudicará a ambos.''

Bibliografia

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HEINRICH HARRER, Sete anos no Tibete, trad. Betina Becker, P. Alegre, L&PM, 1997

CD, Sacred Tibetan Chants, “Introduction”, from the Great Prayer Festival, by Monks of the Drepung Loseling Monastery, recorded December 30, 1991 at Clapp Recital Hall, University of Iowa, Berkeley, USA, 1992.

FOLHA DE S. PAULO, Nova Enciclopédia Ilustrada Folha, com o melhor das enciclopédias Larousse, Cambridge, Oxford e Webster, S. Paulo, 1996, 2 vols., vários verbetes.

VÁRIOS AUTORES, Grande Enciclopédia Larousse Cultural, S. Paulo, Editora Nova Cultural, 1998, 24 vols., vários verbetes.

GEOFREY BARRACLOUGH e GEOFREY PARKER ( editores), Atlas da História do Mundo, The Times Books & Folha de S. Paulo, 1995.

FOLHA DE S. PAULO, Atlas Geográfico Mundial, copyright Times Books and Bartholomew, 1993; Folha de S. Paulo, S. Paulo, 1994.

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WANG JIAWEI & NYIMA GYAINCAIN, The Historical Status of China’s Tibet, Beijing, China Intercontinental Press, 1995.

JIN HUI et alii, Social History of Tibet, China – Documented and Illustrated, Beijing, China Intercontinental Press, 1997.

SHAN ZHOU, Reencarnación del Bainqen – La búsqueda, la confirmación y la entronización del Bainqen Erdeni XI, Beijing, China Intercontinental Press, 1996.

EMBAIXADA DA REPÚBLICA POPULAR DA CHINA, Tibete da China, folheto, S. Paulo, 1990.

OFICINA DE INFORMACIÓN DEL CONSEJO DE ESTADO, Tibet: Pertenecia y Situación de Derechos Humanos, Beijing, China, 1992.

ZHONG ZHANGWEN, China’s Tibet, illust., Beijing, China Intercontinental Press, 1995.

ZHONG QUAN, Figures and Facts on the Population of Tibet, Beijing, New Star Publishers, 1991.

JIA REN, The New Development of Tibetan Culture, Beijing, New Star Publisherrs, 1991.

YUAN SHAN, The Dalai Lama and the Seventeen-Article Agreement, Beijing, New Star Publishers, 1991.

JIN ZHU, Is Tibet the Last “Shangri-La”?, Beijing, New Star Publishers, 1991.

JING WEI, 100 Questions About Tibet, Beijing Review Press, 1989.

BEIJING REVIEW & CHINA’S TIBET, Tibet: from 1951 to 1991, compiled, Beijing New Star Publishers, 1991.

Duarte Pereira é jornalista.
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=34431

Luis disse...

22 DE MARÇO DE 2008 - 06h11
Veja no vídeo quem são os brutos e os pacíficos do Tibete

O vídeo que você verá mostra as famosas "imagens do Tibete" e julgue quem são os brutos violentos. A reportagem de 15 minutos é do canal internacional da rede estatal da TV chinesa, a CCTV, mas as cenas e os depoimentos falam por si mesmos. Elas explicam também por que o dalai lama, que apostou durante décadas em seu "pacifismo", trata agora de se distanciar cautelosamente dos seus discípulos incendiários e assassinos de Lhasa.


O site Diário do Povo Online (http://spanish.people.com.cn) divulgou versões da reportagem em espanhol, inglês, francês, japonês, russo, árabe e chinês. O Vermelho reproduz a versão em espanhol, e traduz abaixo a reportagem da CCTV.
Em 14 de março de 2008, em Lhasa, capital da Região Autônoma do Tibete, um punhado de infratores cometeu graves delitos de violência, como agressões, expulsões, saques e incêndios, prejudicando seriamente a sociedade.

Clique aqui para ver o vídeo

Por volta das 11 horas da manhã do dia 14, essas pessoas à margem da lei se congregaram em torno do Templo Ramoche. Dezenas de monges atiraram pedras contra vários funcionários da polícia para provocar os distúrbios.

Um motociclista atacado na cabeça

Em torno das 2 da tarde, cada vez mais e mais infratores se congregaram em torno do templo Ramoche. Mais tarde um grupo maior de infratores, armados de paus e facas, tomou as principais ruas de Lhasa. Os distúrbios começaram a ganhar força. As imagens das câmaras de monitoramento mostram os delitos. Estas pessoas derrubaram um veículo policial, e logo depois outro.

Algumas pessoas foram feridas no conflito. Um cameramen amador registrou as imagens que vêm a seguir. Os desordeiros golpearam fortemente, com pedras, a cabeça de um motociclista. Mais e mais desordeiros se incorporaram à ação violenta.
Neste incidente, alguns desordeiros recorreram a práticas muito cruéis. Este cidadão inocente perdeu o olho direito, e teve a orelha esquerda cortada.

Os alvos: lojas, bancos, hospitais, escolas...

A partir das 3 da tarde os infratores cometeram sérios delitos de violência. Detenções, saques e incêndio de propriedades de terceiros em algumas ruas de Lhasa. As instalações públicas nestas ruas foram destruídas: hospitais, veículos de transporte coletivo, instalações da rede elétrica e um escritório de informações, nestas ruas, também sofreram sérios danos.

As agências de sete bancos nesta área foram alvo dos ataques. Os infratores destruíram dez caixas automáticos e as instalações das agências.

A violência continuou a ganhar terreno. Os infratores incendiaram os arredores dos templos de Jokhang e Ramoche, e um mercado. No centro de Lhasa, o supermercado Si Fang e um mercado foram devorados pelo fogo.

Os infratores se introduziram em escolas primárias e secundárias. Incendiaram um edifício da escola secundária número 2 de Lhasa. A fumaça negra e espessa cobria toda a cidade. SAentia-se de longe o cheiro de queimado.

Dois caminhões de bombeiros queimados

Quando os bombeiros chegaram para apagar os incêndios, um grupo de desordeiros se aproveitou para queimar dois dos veículos dos soldados do fogo, ferindo quatro bombeiros.

Neste violento incidente, em meio a agressões, saques e incêndios em Lhasa, os desordeiros destruíram 56 veículos; queimaram ou mataram com métodos violentos a 13 civis inocentes. Dezenas de polícias da segurança pública que estavam de guarda saíram feridos, quatro deles com gravidade: 61 efetivos da polícia armada foram feridos, seis deles com gravidade.

Os desordeiros começaram incêndios em mais de 300 prédios e queimaram 214 residências ou estabelecimentos comerciais.

Resgate de turistas japoneses

Quando explodiu o violento episódio, as instituições do partido (Comunista da China) e do governo da Região Autônoma do Tibete enviaram imediatamente a polícia para controlar a situação e dispersar os infratores. Os bombeiros mal puderam extinguir o fogo e socorrer os civis inocentes, que foram imediatamente tratados.

O governo local declarou que os efetivos da polícia armada salvaram mais de 500 pessoas em Lhasa, que foram massacradas, inclusive três turistas japoneses, assim como professores e estudantes de uma escola primária e uma escola secundária. Nenhum estrangeiro morreu ou foi ferido neste incidente.

Durante o tratamento dado aos acontecimentos, de acordo com a lei, a polícia de segurança pública e a polícia armada mantiveram um enorme comedimento, aplicando a lei de forma firme e civilizada. Ao longo de todo o processo, não portaram e nem empregaram armas mortais.

Os efetivos da polícia armada foram insultados. Alguns foram inclusive encurralados e feridos, vários com gravidade, pelas pedras lançadas pelos atacantes.

"A camarilha do dalai lama"

Os funcionários da Região Autônoma do Tibete manifestaram ter provas suficientes para provar que as agressões, destruições, saques e incêndios registrados em Lhasa foram organizados e premeditados pelo grupo do dalai lama.

Fala Baema Chilain, vice-presidente da Região Autônoma: "A camarilha do dalai se aproveitou de todo tipo de ardis para penetrar no interior da região, e recorreu a vários meios para incitar pessoas desconhecedoras da verdade, a participarem de agressões, destruições, saques e incêndio de propriedades alheias. Todas as evidências demonstram que a camarilha do dalai vem destruindo a unificação da pátria e tramando a independência do Tibete."

Indignação nas ruas de Lhasa

A reportagem entrevista também gente do povo, nas ruas: "Estou muito aflito", diz um homem. "Estou muito triste. Foram os separatistas que começaram os distúrbios. Não nos deixam levar uma vida normal", afirma uma cidadã. "Não deixam as crianças irem à escola. Não deixam as pessoas irem ao trabalho. Estão minando a nossa felicidade", agrega.

Uma anciã diz que "somos energicamente contra que aconteça outro distúrbio deste tipo. É preciso tomar medidas para fazer frente a esses distúrbios. É preciso tomar as medidas necessárias para defender os interesses do povo, a estabilidade social e a unificação da pátria.”

A família Peng perdeu sua filha

Muitos prédios de Lhasa foram destruídos no incidente violento. A Rua Juventude, no centro da cidade, foi uma das zonas mais afetadas. Em 14 de março a família do comerciante Peng Xiaobo foi vítima de uma inesperada desgraça.

O comerciante, um jovem, testemunha: "Tudo foi muito rápido. Um sujeito que estava no toldo saltou no segundo andar. Exigiu que nós deixássemos o dinheiro e saíssemos para salvar a vida. Naquele momento aconteceram os crimes e quando olhei parta baixo, pela janela, a fumaça era muito espessa."

Os infratores queimaram as quatro lojas de Peng Xiaobo e sua família foi obrigada a sair do prédio saltando pela janela. A esposa de Peng lesionou a coluna vertebral durante a dramática fuga. Mas o que aconteceu depois foi muito mais trágico.

Peng, emocionado, depõe: "Minha irmã, que completou 18 anos de idade em dezembro passado, não se atrevia a saltar. Achou que poderia sair por uma das duas portas de baixo. Mas não sabia que a escada estava queimando. Não teve coragem de saltar e tentou sair pela escada. Ao pisá-la, caiu e morreu queimada."

A última mensagem no celular de Shen Xia, 18

Shen Xia era uma jovem de 18 anos procedente da província de Sechuan. Às 15 horas do dia 14, a loja onde a jovem trabalhava com outras cinco garotas, foi atacada por indivíduos infratores. Os atacantes arrombaram a porta e entraram pela loja violentamente. Shen Xia e suas cinco companheiras se refugiaram num segundo prédio. Nos seus últimos instantes de vida, enviou ao seu pai um torpedo pelo celular: "papai, estão atacando a loja. Não nos atrevemos a sair. Não se preocupe comigo. Diga à mamãe e às irmãs que não saiam na rua."

No entanto, 5 ou 6 minutos depois, as aterrorizadas garotas viram que a loja estava em chamas. Shen Xia e quatro companheiras não puderam fugir, e morreram vítimas do fogo. O pai da garota fala à reportagem, em prantos. "Ela era muito boa. Todo mundo a adorava."

A única sobrevivente, Zhuoma, não podia acreditar no que estava passando, nem conseguia contar a realidade. "Nunca pensei que pudesse acontecer uma coisa assim. Não consigo imaginar que tudo mudou em um instante. Quero perguntar aos fora-da-lei por que mataram tantos inocentes.

Quebraram a máscara de oxigênio de meu filho...

Durante o incidente violento de 14 de março em Lhasa, muitos cidadãos inocentes se converteram em alvo dos infratores. Um lojista, Hu Wanli, contou a terrível experiência dele e seu filho na noite dessa fatídica jornada. "À noite eu e meu filho fomos atacados por pessoas chutaram fortemente o peito do menino, causando uma grave fratura".

Nesse momento grave, Hu Wanli pediu ajuda a uma ambulância, que aplicou um tratamento de emergência no filho. Mas quando a ambulância tinha andado uns cem metros, tornou-se um alvo dos infratores.

Hu: "O menino tem apenas seis anos. Estou muito triste. Atacaram inclusive os médicos, que pediam que eles não fizessem assim. Feriram [os médicos] com paus e pedras. A mim, mandaram que eu não levantasse. E em seguida quebraram a máscara de oxigênio do menino. Estou desolado. O garoto teve que passar dois dias no hospital."

O médico hospitalizado por salvar vida

Hu Wanhi disse que jamais pode esquecer o médico que salvou a vida de seu filho, Lubsang Tsering. No entanto, por salvar a vida do menino Lubsang foi ferido e continua em um leito no hospital de Lhasa.

"Nos encontramos com os vândalos no caminho. Explicamos muitas vezes que éramos médicos. Mas não fizeram nenhum caso. Continuaram atacando nossos veículos, e a nós.

A população limpa as ruas da destruição

Depois da violência, o governo conseguiu controlar a situação rapidamente e tomou as medidas necessárias para assegurar o retorno à normalidade na cidade de Lhasa. Vários departamentos locais e os habitantes se organizaram espontaneamente para limpar os resíduos da destruição e desimpedir as ruas.

Dorje Cering, vice-presidente da Região Autônoma do Tibete: "O próximo passo é normalizar o abastecimento, porque agora a região do Tibete está num momento especial. Temos que garantir que o abastecimento seja suficiente para os cidadãos levarem uma vida normal. Em seguida tomaremos as medidas necessárias para capturar as principais pessoas que agiram fora da lei.

Até 19 de março, mais de 150 infratores da lei tinham se entregado à polícia. Inclusive devolveram os bens saqueados. Na cidade de Lhasa ainda se pode ver as lojas e casas queimadas e destruídas. Mas a normalidade voltou pouco a pouco à vida dos moradores.

Fonte: http://spanish.people.com.cn

http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=34565